Moda

Com o estilo despojado da vida à beira-mar, grifes do Rio de Janeiro conquistam as mineiras

Marcas como Dress To, Loox e Rudge investem em novas lojas em Belo Horizonte

Por: Sabrina Abreu - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A representante Renata Pereira e a estudante Larissa: mãe e filha são clientes da Dress To

O doce balanço da garota de Ipanema é feito sobre sandálias rasteiras. A caminho do mar, ela usa tecidos coloridos, modelagens sensuais e as últimas tendências da moda mundial adaptadas ao jeito leve e carioca de ser. Esse modo como as meninas da Zona Sul do Rio de Janeiro se vestem faz sucesso também a muitos quilômetros da praia. Nos shoppings de Belo Horizonte, somente neste ano foram abertas seis lojas de cinco marcas da capital fluminense. A Loox, a Espaço Fashion e a Checklist inauguraram filiais no Boulevard. A Dress To abriu uma loja no Boulevard e outra no Pátio Savassi. E a Rudge fincou bandeira no DiamondMall. "As confecções cariocas atraem e fidelizam o público porque, mais do que roupa, vendem um estilo de vida desejado pelas jovens", analisa a administradora Wanessa Cabidelli, especialista em marketing de moda.

A estudante de design Gabriela Bran­­dão, cliente fiel de algumas confecções do Rio, explica sua predileção: "É uma roupa com cara de férias". Sua grife favorita, a Farm, foi a primeira a aterrissar no mercado belo-horizontino — chegou em 2005. Com 78 metros quadrados, a loja aberta no Pátio Savassi ficou pequena para tantas consumidoras. "Havia fila na porta nas trocas de coleções, era uma loucura", lembra Marcello Bastos, sócio-diretor da marca. Beagá foi a primeira cidade fora do Rio a contar com um endereço da confecção, que hoje tem 44 filiais em dezesseis estados. Há dois anos, animado com o desempenho dos negócios por aqui, Bastos dobrou a área do ponto de venda, passando a ocupar 177 metros quadrados no centro de compras da Savassi. No ambiente decorado com jeitão de praia — tem até coqueiros —, as "farmetes" disputam saias longas, vestidos curtíssimos, tops justos e camisas soltinhas, itens obrigatórios para quem adota um guarda-roupa inspirado no calçadão. Lá, uma bata bordada, que está entre os modelos campeões de vendas, custa a partir de 250 reais.

"O balneário é a referência, mas a belo-horizontina faz uma releitura mais sofisticada dele", afirma a gerente comercial da Dress To, Renata Drummond. No Rio, as clientes saem para tomar um chope de chinelo e sem passar batom, um hábito que não foi incorporado pelas moças daqui, que não abrem mão do salto alto nem da maquiagem. "Nas vitrines da loja de Belo Horizonte, não podem faltar peças com tecidos mais sofisticados ou com brilhos", conta a gerente. Cliente da marca desde 2006, a representante comercial Renata Pereira, de 33 anos, conheceu a Dress em uma de suas viagens à Cidade Maravilhosa. "Gosto de fazer a linha despojado-chique", diz ela. Sua filha Larissa, com apenas 10 anos, já é cliente da grife. Na verdade, da Mini Dress, divisão infantil da marca. "Se meu guarda-roupa é quase todo dessa loja, o dela ainda se restringe aos 30%", compara, bem-humorada. Por um vestidinho curto, a mãe costuma pagar cerca de 600 reais e a filha, 350 reais.

Foi também durante uma viagem ao litoral fluminense que a vendedora Alessandra Petrillo, de 31 anos, se encantou com as peças da Checklist. "Na Rua das Pedras, em Búzios, há uma filial que fazia minha alegria nas férias, antes de a marca chegar a BH", recorda. Hoje, ela é fã de carteirinha também da Loox, confecção especializada em camisaria feminina que vende peças entre 188 e 398 reais. Proprietário das franquias das duas marcas no shopping Boulevard, o empresário Henrique Bianchini diz que escolheu as grifes do Rio para investir porque percebeu o sucesso que elas fazem com as mineiras. "É difícil entrar no mercado belo-horizontino, mas as marcas de lá conseguiram." Gerente de marketing da Rudge, Cláudia Castro explica que os bons resultados das concorrentes em Belo Horizonte chamaram a atenção da empresa, que foi a última a chegar por aqui — inaugurou sua filial em novembro. Cláudia acredita que os vestidos fluidos e os pés à mostra, tão típicos da moda carioca, traduzem o desejo de despojamento da belo-horizontina. Pode ser. A conta, porém, não tem nada de despojado. O leve e fresco caftã de seda da Rudge, por exemplo, sai por 1 650 reais.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE