Sociedade

Ex-governador Newton Cardoso e ex-mulher, Maria Lúcia, rompem até na política

Casal separado vive às turras por causa de pensão alimentícia

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

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(Foto: Redação VejaBH)

Eles andavam sumidos da mídia, mas voltaram aos holofotes no melhor estilo dos Cardoso — com troca de farpas e acusações cabeludas. Ex-casal 20 da política mineira, o deputado federal Newton e sua ex-mulher, Maria Lúcia, protagonizaram nas últimas semanas um barraco daqueles. Ela abriu mão da candidatura à prefeitura de Pitangui, cidade do centro-oeste de Minas onde ele tem negócios e muitos interesses políticos. O motivo: está sem dinheiro, uma vez que o "falecido", como ela o chama, não paga, desde fevereiro, a pensão alimentícia de 300 000 reais por mês. "Sem condições emocionais e materiais para continuar, fui obrigada a renunciar. Tinha uma eleição ganha", conta.

Newton e Maria Lúcia passaram três décadas juntos e tiveram quatro filhos, mas se casaram oficialmente apenas em 1998. Separaram-se dez anos depois. Desde 2008, brigam na Justiça pela divisão do patrimônio, mas nunca chegaram a romper politicamente. Mesmo após o fim do matrimônio, subiram nos mesmos palanques, defendendo candidatos do PMDB. Sem mandato desde 2010, quando deixou de ser deputada federal, Maria Lúcia candidatou-se à prefeitura de Pitangui com total aval do ex. Até o vice na chapa, Marcílio Vadares (PSDB), foi escolhido por ele, que não faz segredo sobre o interesse na campanha dela. Governador do estado entre 1987 e 1991, ele conta que doou 30 000 reais à campanha da protegida, além de lhe oferecer acomodações em sua fazenda. "Eu estava vivendo lá, mas sozinha, sem dinheiro para segurança e motorista. Está certo isso?", retruca Maria Lúcia, que foi à Justiça para cobrar a dívida de pensão.

Em Pitangui estão dois dos maiores negócios do Grupo Newton Cardoso, a fazenda Rio Rancho e a companhia siderúrgica Siderpita. O poder econômico rende prestígio político ao ex-casal. No último pleito para deputado federal, o ex-governador conseguiu 6 524 votos por lá — 44% do total dos votos válidos do município. Já Maria Lúcia garantiu 33% dos votos para deputado estadual, embora não tenha con­­seguido se eleger. Depois que a ex renunciou e tornou pública a história da pensão, Newton a acusou publicamente de desequilíbrio mental e alcoolismo. Irri­­ta­­­díssima, Maria Lúcia desabafa: "Fui companheira por trinta anos, dei-lhe quatro filhos lindos, uma família e a estrutura que o falecido usou na campanha para se defender dos adversários".

Depois de tanto quiproquó, Newton resolveu mudar de tática. "Não quero mais falar nada sobre aquela mulher", disse. Uma ordem de prisão contra ele chegou a ser expedida no fim de agosto, mas foi suspensa. Na última quarta (12), o processo foi enviado ao Ministério Público, que apresentará seu parecer. A ação tramita em segredo de Justiça na 2ª Vara de Família de Brasília. Enquanto o imbróglio da pensão não se resolve, corre em paralelo na 3ª Vara de Família o processo de divórcio litigioso, que vai decidir se ela tem direito a parte da fortuna dele. A ex-deputada alega que se casou em regime de comunhão de bens e apresentou a certidão. Ele, entretanto, garante que o documento é falso. Na mesma vara tramita ainda o processo de arrolamento dos bens de Newtão, que a ex-mulher estima estarem avaliados em 2,5 bilhões de reais. O próprio deputado disse, em 2009, que seu patrimônio era ainda maior, incluindo 145 fazendas e 150 carros, entre outras riquezas. Sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, porém, é de apenas 77 milhões de reais — ela declara ter 9 milhões. Enquanto espera pelo veredicto da Justiça, Maria Lúcia não desperdiça oportunidades para desdenhar o ex-marido. "Quem nasceu pequeno não passará de migalhas."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE