Aviação

A falcoaria reduziu em 30% o número de colisões aéreas na Pampulha

Por: Thiago Alves - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O falcoeiro Gustavo Diniz: "Não existe vínculo de amor, como com os cães. A parceria é de caça"

Há mais de 4 000 anos surgiu na China a falcoaria, a arte de treinar falcões e outras aves de rapina para a caça. Em Belo Horizonte, desde 2007, a prática é usada para evitar acidentes aéreos no Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha. Graças a ela, o número de colisões de pássaros contra aeronaves já caiu 30% por lá, segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Cinco falcões da raça coleira e três gaviões asas-de-telha "trabalham" no terminal com a missão de capturar garças, pombos, quero-queros e urubus, que são responsáveis por 90% dos acidentes aéreos no mundo. Antes de estarem prontos para o valoroso ofício, eles passam por um período de "amansamento", para que se acostumem ao convívio com humanos. Depois, são treinados para voltar ao punho do falcoeiro. O prêmio quando retornam é um pedaço de carne crua. "Não existe vínculo de amor, como com os cães. A parceria é de caça", explica Gustavo Diniz, gerente da Biocev, empresa encarregada da atividade na Pampulha.

Um ano antes de a técnica ser utilizada na capital, em 2006, foram registradas 21 colisões. "O trabalho era inédito no Brasil e apanhamos no início", lembra Diniz. O resultado só começou a aparecer no terceiro ano, quando o número de ocorrências caiu para dezesseis. "Em 2012 foram apenas catorze", informa Gerson Silva, coordenador de segurança operacional da Infraero. É mesmo um feito para comemorar, sobretudo se considerarmos que, nos últimos cinco anos, houve um aumento de 24% em pousos e decolagens no terminal. "A experiência aqui é um sucesso, e a Infraero planeja expandir o programa", diz Silva. As trombadas entre aves e aviões são uma preocupação em todos os aeroportos. O maior risco é quando os pássaros atingem as turbinas, desestabilizando as aeronaves. Em Minas, houve 93 registros no ano passado — um aumento de 97,5% em relação a 2011, o que fez o estado pular da 12ª para a 5ª posição no ranking nacional de casos desse tipo. Em virtude do êxito na Pampulha, falcões e gaviões têm mais trabalho garantido para este ano: vão dar expediente também em Confins.

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(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE