Aventura

Família de montanhistas quer levar as lições das escaladas para o mundo corporativo

Uma das equipes de montanhismo mais conhecidas do mundo, os Gribel já escalaram 25 picos pelo planeta

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Arquivo pessoal
(Foto: Redação VejaBH)

Os filhos Renato, Mariana e André (sentado), com o casal Adriana e Eduardo: em Machu Picchu, no Peru, em 2006

Muito antes de ganhar a primeira casinha de bonecas, Mariana Gribel já tinha cordas, grampos e mosquetão. Aos 4 anos, a menina começou a escalar montanhas e hoje, duas décadas depois, continua fascinada pelas alturas. A paixão pela adrenalina transformou sua família em uma das equipes de montanhismo mais conhecidas do mundo. Ao lado do pai, Eduardo, da mãe, Adriana, e dos irmãos Renato e André, Mariana já tem 25 picos no currículo, entre eles o Aconcágua, o Kilimanjaro e o Mont Blanc - os pontos mais altos das Américas, da África e da Europa Ocidental, respectivamente. Neste ano, um novo desafio bate à porta dos Gribel. Em abril, eles pretendem chegar ao topo do Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, com uma equipe de vinte funcionários da empresa da família. A meta da expedição é desenvolver com os empregados o que eles chamam de "lições da montanha". "Trabalho em equipe, planejamento, estratégia e foco são itens indispensáveis para as escaladas e se aplicam também ao mercado de trabalho", diz Adriana, vice-presidente da Tenco Shopping Centers.

O fascínio dos Gribel pelo montanhismo começou em 1994, quando Adriana e Eduardo viajaram à Indonésia e decidiram ver de perto o Vulcão Batur, na Ilha de Bali. Ao fim dos 1 717 metros de subida íngreme, eles tomaram uma decisão: a partir dali, as escaladas fariam parte da educação dos filhos. Segundo eles, férias em praias, grandes cidades ou parques de diversões costumam se restringir ao lazer. Já as expedições nos montes servem para estreitar os laços. "Isolados do mundo, descobrimos uma interação diferente, que nos torna ainda mais unidos", afirma Eduardo.

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Para despertar nos filhos a vontade de desbravar as alturas, o casal desafiou Mariana, na época com 4 anos, e Renato e André, então com 9, a concretizar o projeto Sete Cumes do Brasil. Como preparação para o desafio, os meninos subiram a Pedra da Gávea e a Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro; o Death Valley e o Half Dome, na Califórnia; e a Serra da Estrela, em Portugal. Em 2003 e 2004, eles enfim venceram juntos os sete picos mais altos do país - Neblina e 31 de Março, no Amazonas; Agulhas Negras (divisa entre Minas e Rio de Janeiro); Bandeira e Cristal (entre Minas e Espírito Santo); Pedra da Mina (entre Minas e São Paulo); e o Monte Roraima (na época o sétimo colocado, mas hoje na décima posição). Quarto filho do casal, Raphael não acompanha a equipe até as alturas por causa dos problemas de coordenação motora que tem - sequelas de uma meningite quando era bebê -, mas faz questão de participar dos passeios e ficar explorando a base dos montes enquanto os parentes escalam.

Os Gribel estão sempre planejando a próxima aventura. Por isso não é raro cruzar com algum deles correndo pelas ruas do bairro Belvedere ou subindo a escadaria do prédio de 27 andares onde moram, sempre com grandes mochilas carregadas de sacos de arroz e açúcar para simular o peso da bagagem. O único obstáculo para o qual eles não conseguem treinar em Beagá é a altitude elevada. Em pontos de ar rarefeito, cada um da família reage de modo diferente. Eduardo tem enxaquecas; Adriana, náuseas; Renato, alucinações; André, diarreias; e Mariana, irritabilidade. "Até isso é uma lição", afirma a mãe. "Respeitar as diferenças do outro também é um exercício."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE