Eleições

Fernando Pimentel pode se tornar o primeiro governador do PT na história de Minas

À frente nas pesquisas, o economista tenta vencer as eleições ainda no primeiro turno

Por: Alessandro Duarte, Ivana Moreira e Paola Carvalho - Atualizado em

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(Foto: Redação VejaBH)

Afônico e com crises de tosse, o economista Fernando Pimentel foi parar, na tarde do último domingo (21), no hospital Mater Dei. Apesar do empenho dos médicos, não conseguiu recuperar a voz e cancelou a participação no debate daquela noite, na Rede TV!, e nos eventos públicos dos dias seguintes - o que incluiu outro debate na terça-feira (23), na TV Alterosa. A lenta recuperação foi, pelo menos em parte, sua responsabilidade. "A fonoaudióloga pediu que eu ficasse quieto, em silêncio, mas não teve jeito", confessa. Não era mesmo uma recomendação fácil de seguir. A uma semana das eleições, a agitação em torno do candidato é imensa. A militância petista está exaltada com a possibilidade de garantir sua vitória já no primeiro turno. Pelo que indicam as pesquisas, ele, aos 63 anos, poderá se tornar o primeiro governador do PT na história do estado.

Belo-horizontino que se orgulha de haver crescido no bairro Carlos Prates, o filho da professora de música Geralda e do comerciante Miguel envolveu-­se cedo com a política, quando ainda era aluno do Colégio Estadual Central. Em 1968, filiou-se ao Comando da Libertação Nacional (Colina), do qual também participava a presidente Dilma Rousseff. Mais tarde, juntou-se à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e acabou preso em uma tentativa desastrada de sequestrar um cônsul americano em Porto Alegre. Passou nove meses isolado em uma cela sem janela. Ao todo, foram mais de três anos de prisão, sendo o último semestre no Dops, em BH. Depois de solto, foi trabalhar na loja da família, a Belorizonte Couros, e estudar economia na PUC Minas. Lá, conheceu sua primeira mulher, a historiadora Thaís Cougo, com quem adotou os gêmeos Irene e Mathias. Hoje está casado com a jornalista Carolina Oliveira, de 31 anos.

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Pimentel trabalhou por dezesseis anos na administração da capital, como secretário, vice-prefeito e prefeito. Em 2001, assumiu o comando após o afastamento de Célio de Castro (PSB), por problemas de saúde. Três anos depois, foi reeleito para o cargo com 68,5% dos votos válidos. Sua boa relação com o então governador Aécio Neves, do PSDB, foi sempre alvo de especulações. Muitos o consideravam o "mais tucano dos petistas" e até cogitavam a possibilidade de ele trocar o PT pelo PSB, para sair candidato ao governo de Minas com o apoio do neto de Tancredo Neves. Em 2010, disputou o Senado e acabou derrotado por Aécio e Itamar Franco. No ano seguinte, foi nomeado ministro do Desenvolvimento, cargo que deixou para disputar o governo de Minas.

Pimentel - cujo patrimônio declarado é de 2,4 milhões de reais - responde a cinco ações na Justiça e é, segundo levantamento da ONG Transparência Brasil, o candidato ao Palácio Tiradentes com o maior número de processos. Um deles diz respeito à dispensa de licitação para instalação de câmeras do projeto Olho Vivo na capital, em 2004. "Todos são por questões administrativas. O Ministério Público, às vezes, tem um entendimento diferente daquele do Poder Executivo", diz o candidato. "Não serei condenado."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE