Fotografia

Fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand clica BH vista do céu

Conhecido por registrar o mundo a bordo de helicópteros e balões, artista expõe suas obras no gradil do Parque Municipal

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Yann Arthus-Bertrand
(Foto: Redação VejaBH)

A Serra do Curral com a capital ao fundo: a imagem chamou a atenção do ambientalista

Afotografia é uma bem-sucedida desculpa para Yann Arthus-Bertrand ter por perto sua verdadeira paixão, a natureza. Aos 20 anos de idade, o francês já comandava o parque ecológico Château de Saint Augustin, no interior de seu país. Dez anos depois, em 1976, mudou-se com a mulher para o Quênia, na África, com a missão de acompanhar a rotina de uma família de leões no parque de Masai Mara. Foram três anos de observação, anotações e muita disciplina. Para complementar os dados da pesquisa, o ambientalista resolveu registrar as feras com a câmera. "Aprendi com os leões que, para fotografar a natureza, é preciso ter calma e muita paciência", conta. A partir da década de 80, Arthus-Bertrand fez várias reportagens fotográficas para importantes publicações, como National Geographic, Life, Paris Match e Figaro Magazine. Durante a Eco 92, a conferência das Nações Unidas que reuniu 21 anos atrás no Brasil ativistas e governantes, ele teve a ideia de ca­talogar o mundo com imagens tiradas de helicópteros e balões. Assim nasceu a série A Terra Vis­­ta do Céu, uma coletânea de paisagens que inclui desde os icebergs da Antártica até o Piscinão de Ramos, no Rio de Janeiro.

A mostra, que já percorreu 110 países, desembarcou em Belo Horizonte no último dia 16 (veja mais na pág. 86). Em visita-relâmpago à cidade, ele encheu os gradis do Parque Municipal, no Centro, com 130 cliques feitos nos últimos vinte anos. Também diretor de documentários sobre o meio ambiente, interrompeu as gravações de seu novo longa, Human, com lançamento previsto para 2015, para comparecer à abertura da exposição.

Aos 67 anos, Arthus-Bertrand confessa com bom humor que os amigos já começaram a duvidar de seu ânimo para as peripécias aéreas. Mas mostrou fôlego de sobra por aqui. Assim que aterrissou na capital, antes de se instalar em seu hotel, subiu a bordo de um helicóptero para conhecer Belo Horizonte do jeito que gosta. Por cerca de duas horas, o fotógrafo sobrevoou a cidade e seus arredores, passando pelas regiões da Serra do Curral, da Pampulha e de Inhotim, em Brumadinho, além de Ouro Preto e Mariana. Cedidas com exclusividade a VEJA BH, três das fotos tiradas por ele ilustram esta reportagem. Não foram a exuberância do centro de arte contemporânea em Brumadinho nem o complexo arquitetônico da Pam­­pulha o que mais chamou sua atenção. Foram as áreas de exploração de minério de ferro na Serra do Curral, nos limites de BH. "Vistas de cima, as curvas formam um grafismo interessante", explicou o fotógrafo. As imagens registradas por aqui serão incluídas na próxima exibição da coletânea, em São Paulo.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE