Copa do Mundo

Graças à Copa do Mundo, estrangeiros colorem as ruas de BH

Expectativa do desembarque de 160 000 turistas de fora do país por aqui deve ser superada

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Ver alguém com câmera fotográfica pendurada no pescoço e um mapa na mão, tentando registrar e decifrar Belo Horizonte, não era cena comum por aqui. Não era. Desde a estreia da Copa do Mundo, em 12 de junho, turistas lotam cartões-postais, praças, bares e restaurantes. A expectativa do Ministério do Turismo era que a capital receberia cerca de 160 000 estrangeiros e outros 230 000 brasileiros durante os trinta dias do Mundial - números que devem ser superados, segundo a prefeitura. Os centros de apoio ao turista, por exemplo, já fizeram mais de 22 000 atendimentos a pessoas de pelo menos quarenta nações, incluindo países cuja seleção nem participa do torneio, a exemplo de Áustria, Escócia, China e Tailândia. Os que mais coloriram as ruas, até o momento, foram os colombianos, argentinos, argelinos e ingleses.

Em clima de festa, os turistas se encantaram com a beleza arquitetônica da Praça da Liberdade e do conjunto da Lagoa da Pampulha. "Existem muitos atrativos culturais - e não se paga para conhecê-los", diz o empresário belga Dirk van der Slycken, de 47 anos. "O estádio não tem nada de espetacular, mas é legal também." Há quem prefira os lugares mais agitados, como a Praça da Savassi, que durante o jogo do Brasil contra Camarões chegou a concentrar 20 000 torcedores - capacidade semelhante à da Fifa Fan Fest, no Expominas, que atingiu o limite em dias de jogos do Brasil. "Está tudo muito bonito e organizado, só não aguento mais tanta gente me oferecendo açaí", afirmou a estudante colombiana Daniela Lama, de 21. Um grupo de amigos ingleses não se incomodou com o assédio das mulheres. "Elas são confiantes", resumiu o engenheiro inglês John Stephenson, de 39. Os estrangeiros fizeram tanto sucesso que, no jogo das conquistas, não era raro ver mineiros conversando em outra língua para tentar enfrentar a concorrência.

Quem também comemora são os comerciantes da Savassi. Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-­BH), a movimentação financeira, especialmente nessa região, vai superar as expectativas. Garçonete do bar Café com Letras, Maria Catarina Carozzi conta que um americano deu a ela 50 reais de gorjeta. "Ele me disse que seu dia tinha sido ótimo." Assumidamente tagarela, ela vem colecionando causos com os turistas. "Atendi mesas em que os estrangeiros quiseram pagar 15% de serviço, em vez dos 10% a que estamos acostumados. E teve um japonês que ficou morrendo de vergonha de me dar gorjeta. Perguntou se isso era permitido." Os taxistas também vêm lucrando alto. Gustavo Ribeiro embolsou 1 600 reais para levar uma turma de quatro argelinos de BH até o Rio. Conversa, só pe­­lo Google Tradutor. "O Brasil pode até não estar preparado para a Copa e ter motivos para manifestações, mas os brasileiros estão preparadíssimos para nos receber", diz o argentino Roberto Chaves.

Viagem de carro

Os argentinos Guillermo Billordo e Roberto Chaves, com a brasileira Lari Tassi, que adotou Corrientes como sua cidade do coração, percorreram nas últimas duas semanas mais de 7 000 quilômetros para acompanhar a delegação do craque Messi pelo Brasil.

Alexandre Mota/Odin
(Foto: Redação VejaBH)
Diversão e trabalho

Nascida em Bogotá, a estudante Daniela Lama aproveitou a vinda a Belo Horizonte para assistir aos jogos da Colômbia e participar de um projeto social do Alto Vera Cruz. "É uma cidade de temperatura boa e pessoas felizes", diz. "Mas fiquei surpresa em ver gente quebrando o vidro de carros."

Os quatro de Liverpool

Juntos pela terceira Copa consecutiva, os amigos de Liverpool John Stephenson, Chris Lloyd, Martin Rain e Richie O'Keeffe foram ao Mineirão e assistiram a jogos na Savassi, mas gostaram mesmo é dos restaurantes de Lourdes. "As carnes e as costelas são as melhores", diz Stephenson.

Família americana

Carl Harman, da Virgínia, se candidatou no site da Fifa para um sorteio de ingressos para qualquer estádio brasileiro e foi selecionado para a partida entre a Argentina e o Irã, no sábado (21). Trouxe toda a família. "Gosto de tantas coisas daqui: pão de queijo (cheese balls, na versão dele), doce de leite, a arquitetura da Pampulha", afirmou.

Um iraniano na Fan Fest

O estudante iraniano Amir Beigi não conseguiu ingressos para acompanhar os amigos ao estádio e foi parar, sozinho, na Fifa Fan Fest, no Expominas, no sábado (21). "A Argentina é mais forte, mas fiquei feliz com o resultado", diz. Para chegar aqui, ele passou por Londres, Miami, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Depois de apenas um dia em Beagá, seguiria de ônibus para Salvador. "Vou acompanhar tudo."

Colaborou Rafael Rocha

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE