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Herdeira do Ouro Minas, Érica Drumond leva uma vida cinco-estrelas e é conhecida como uma das socialites mais divertidas da cidade

A empresária também é dona da Vert Hotéis, que representa bandeiras mundiais no Brasil

Por: Guilherme Torres - Atualizado em

Nereu Jr/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Érica, na sala de uma das suítes presidenciais do Ouro Minas: "Quem acha que sou madame não sabe a vida que eu levo"

Q uanto você tem no banco?", perguntou o empresário José Décio Drumond à filha Érica. Depois de ouvir a resposta, esbravejou: "Que absurdo, hein? Não consegui te ensinar nada". Foram suas últimas palavras no hospital. Naquela noite, 24 de setembro de 2011, o construtor do primeiro motel da cidade, o Green Park, e do único cinco-estrelas, o Ouro Minas, teve uma parada cardíaca e morreu. Érica se lembra da conversa sem melancolia. Pelo contrário, ri. "Eu poderia ter dito 1, 10 ou 20 milhões de reais, qualquer valor seria pouco para ele", diz. Aos 45 anos, a herdeira mostra que aprendeu, sim, com o pai. Para ela, o luxuoso (e lucrativo) hotel no bairro Ipiranga ficou pequeno. Preferiu largar esse "negócio menor" sob o comando dos três irmãos e se lançar em um voo-solo para construir o próprio império no ramo hoteleiro. Com apenas quatro anos de mercado, a sua Vert já representa no Brasil bandeiras mundiais como a Ramada, a Days Inn e a Howard Johnson. Em parceria com os sócios estrangeiros, ela abriu oito hotéis. E tem contratos assinados para outros 32 empreendimentos - vinte deles ficarão prontos no ano que vem. "Estou realizada", afirma. "A relação trabalho e família é um peso." Érica Drumond é uma empresária dinâmica e ousada, duas características sempre apontadas pelos parceiros comerciais, mas é conhecida também como uma das socialites mais bem-humoradas da cidade, com nome garantido na lista das recepções mais badaladas. Talvez por isso colecione tantos amigos influentes, seja no mundo dos negócios - como o americano Eric Danziger, do Wyndham, o maior grupo hoteleiro do mundo, com quem viajou para jogar golfe em julho - seja no da política - como o ex-governador Antonio Anastasia. "A Érica é uma força da natureza, um ser humano iluminado, boa conselheira, companheira para todas as horas", desmancha-se Anastasia. Há quem compare a mineira à socialite carioca Narcisa Tamborindeguy e as ache até fisicamente parecidas, do que ela discorda. "Nós somos muito diferentes."

Arte Veja BH
(Foto: Redação VejaBH)

A capacidade de não se deixar abalar pelas reviravoltas da vida é, segundo seus amigos, o que mais impressiona em Érica. Foi assim quando chegou ao fim seu casamento de quase duas décadas com o empresário Paulo Henrique Vieira, em 2008. O marido não aguentou conviver com a rotina cheia de eventos fora do expediente da secretária estadual de Turismo, cargo que ela exerceu entre 2007 e 2010. "Aproveitei nosso aniversário de dezoito anos de casados para fazer uma festa, sem dizer a ninguém que a separação já estava acertada", lembra. "Recebemos muitos votos de mais anos pela frente", conta, às risadas. Poucos dias depois da recepção, Vieira - que ela ainda considera o "homem mais bonito de BH" - saiu de casa. Com ele, Érica teve Henrique, de 16 anos, e Estela, de 13. Mas quando se refere aos filhos inclui também João Victor, de 11 anos, que na verdade é filho de Beth, a empregada que trabalha em sua casa há quase vinte anos. O menino leva uma vida igual à dos "irmãos". "Ele é um ótimo aluno, fala inglês e toca piano, é meu Joaquim Barbosa", brinca. "Vou deixá-lo muito bem."

Depois do divórcio, a empresária já teve dois namorados. No momento, está de romance com um advogado americano, mas jura que não quer saber de casamento novamente. "Ela é muito independente, ninguém consegue mandar nela", resume a mãe, Marieta, de 76 anos. Não há mesmo muito espaço para namoros em sua agenda. "Quem acha que sou madame não sabe a vida que eu levo", diz. Todos os dias, Érica pula da cama às 7 horas para poder malhar antes de ir para o escritório, onde o expediente só acaba tarde da noite: faz ginástica com um personal, corrida e balé, atividade que pratica desde os 6 anos e da qual já foi professora. A dona da Vert não descuida do visual, mas não tem paciência para salão de beleza. Vira e mexe, faz ela mesma os pés e as mãos, em casa, só para não precisar ir ao cabeleireiro. Vaidosa, a belo-horizontina assume que não suporta a ideia de parecer velha. No entanto, como morre de medo de sentir dor, vem resistindo aos procedimentos cirúrgicos para melhorar a estética. A única intervenção que encarou foi uma plástica nos seios depois que os filhos nasceram. "Mas, se não tiver de cortar, topo tudo", afirma. "Tenho muito Botox, quero todo tipo de laser que aparece, clareamento e ácido."

Flávio Santos
(Foto: Redação VejaBH)

Com os filhos, Estela,João Victor e Henrique, no Ouro Minas, e na passarela de um desfile beneficente, no Palácio das Artes: vaidosa assumida

No quesito compras, ela confessa que também costuma exagerar. No apartamento de 490 metros quadrados onde mora, em Lourdes, há dois closets abarrotados de roupas e calçados. As grifes mais frequentes por lá são Gucci, Hermès e Chanel. Suas maiores tentações de consumo, porém, são perfumes, bolsas e joias, além dos lançamentos tecnológicos. Na bancada de sua suíte há trinta fragrâncias, incluindo a francesa Eau Du Soir, que era a favorita da princesa Diana. Bolsas são pelo menos cinquenta. Quanto às joias, ela jura que vem tentando se controlar. A última loucura que fez foi no fim do ano passado, em Nova York. Viu uma placa de promoção na loja da designer Ivanka Trump e acabou comprando uma coleção quase inteira. "Tive uma crise", brinca. O sentimento de culpa não durou muito. "O dinheiro que eu ganho é para gastar. Mas na herança do meu pai eu não mexo. Essa vai ficar para os meus filhos."

Arte Veja BH
(Foto: Redação VejaBH)

Aproximando-se dos 50 anos, Érica diz que ainda se sente uma garota. "Eu não tenho noção de idade", afirma. Outro dia, só de brincadeira, saiu dando cambalhotas no piso de mármore da sala. Acabou com marcas roxas. "Alguém precisa me avisar que não posso mais fazer certas coisas." Quem costuma se encarregar desse papel é a filha, Estela, que vive implicando com os shortinhos e as minissaias que a mãe compra para exibir o que acha que tem de melhor - as pernas. "A Estela diz que isso não é mais para mim", conta. Érica, entretanto, não dá bola para os comentários da garota. Vai assim mesmo, bem despojada, para os bares de Lourdes que gosta de frequentar com as amigas. Quem convive com a versão executiva - sempre de saia abaixo dos joelhos, saltos muito altos e cabelo preso - mal a reconhece. Seja qual for o figurino que esteja usando, o que Érica parece nunca perder é a capacidade de rir de si mesma. Uma qualidade que nem seu pai exigente consideraria pouca coisa.

Acervo pessoal
(Foto: Redação VejaBH)

Érica em seu casamento com Paulo Henrique Vieira, em 1990

Os xodós de Érica

Calçados com saltos altíssimos: uma das marcas da empresária

Entre as joias preferidas, um relógio Cartier: o primeiro comprado com o próprio dinheiro

Trinta perfumes na bancada: seu favorito é o Eau Du Soir, o mesmo da princesa Diana

Mais de cinquenta bolsas no armário: modelos de todos os tamanhos e cores

Lançamentos tecnológicos como a câmera GoPro são uma tentação: "Demoro seis meses para aprender a mexer"

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE