Histórias da Cidade

Histórias da Cidade

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O rei da bola

Mais conhecido como seu Vidinho, Marco Antônio Ranieri é neto do imigrante italiano João Ranieri. Nos anos 20, seu avô — um dos fundadores do Palestra Itália, depois rebatizado com o nome de Cruzeiro — inaugurou por aqui duas fábricas para produzir artigos esportivos. As bolas Ranieri eram o carro-chefe de vendas. Por cinco décadas, praticamente todos da família se dedicaram ao negócio, mas a acelerada importação de redondas estrangeiras, a partir dos anos 70, os levou à falência. A saída encontrada foi abrir uma oficina para conserto de bolas e outros infláveis. Na pequena loja no bairro São Pedro, onde trabalha desde 1987, sempre sorridente, seu Vidinho mantém viva a paixão pelas bolas. "Acho que essa história morrerá comigo", lamenta. "Meu único filho nunca gostou delas."

Não é para beber

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Com águas cristalinas e geladinhas, as bicas espalhadas pela cidade, como a tradicional Bica da Petrolina, no bairro Sagrada Família, são muito convidativas nestes dias quentes de verão. Porém, impróprias para uso. "Suas águas estão contaminadas por bactérias e coliformes fecais e podem transmitir doenças", alerta Marcus Vinicius Polignano, médico sanitarista e coordenador do Projeto Manuelzão, da UFMG. Confira três possíveis consequências de seu consumo:

1. Cólera: provoca diarreia, desidratação grave, insuficiência renal e vômitos

2. Diarreia infecciosa: além de desarranjo intestinal, causa febre, perda de energia e de apetite

3. Leptospirose: provoca desidratação, dores pelo corpo, diarreia, febre, náuseas e tosse

Moda engajada

A julgar pelo sucesso das sacolas estampadas com diferentes propostas para BH, como "uma praça por bairro", o engajamento social está na crista da moda. Mais de 10 000 unidades do modelo, criado pelo grupo Piseagrama, já foram compradas pelos belo-horizontinos. Formado por profissionais ligados ao urbanismo, o coletivo vendeu a primeira leva de 500 sacolas em uma única noite, em evento no Parque Municipal, em 2012. "Foi surpreendente", lembra o arquiteto Roberto Andrés. "Depois das manifestações do ano passado, nosso público aumentou." As bolsas custam a partir de 15 reais e estão à venda pela internet (piseagrama.org) e em algumas livrarias da cidade.

Memória: Chuva histórica

Fundação João Pinheiro, Coleção Centenário
(Foto: Redação VejaBH)

Os belo-horizontinos andam atentos ao céu durante o mês de janeiro, o período mais crítico do ciclo chuvoso, que começa em outubro e vai até março. Uma das piores tempestades registradas por aqui, a do dia 3 de janeiro de 1983, ainda está na memória de muitos moradores. Em apenas 24 horas, foram registrados 159,9 milímetros de chuva, que provocaram alagamentos, deslizamentos e inundações. O Ribeirão Arrudas transbordou. A força das águas destruiu a Ponte do Perrela — que ficava na Avenida do Contorno, sobre a Avenida Andradas — e também os casebres da favela Sovaco de Cobra. Cinquenta pessoas morreram naquele dia e outras 2 336 ficaram desabrigadas. A foto ao lado foi tirada poucas horas antes da tragédia, quando o ribeirão já estava bem cheio. Naquele janeiro, foram registrados 722,5 milímetros, quase 60% mais que a média histórica do mês.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE