Cidade

IAPI de cara nova

O mais antigo conjunto habitacional de BH completa 65 anos com pintura revitalizada

Por: Cedê Silva - Atualizado em

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(Foto: Redação VejaBH)

Todos os dias, o médico José Luiz Fonseca Brandão, diretor clínico do Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, estaciona seu carro nas ruas que cortam o Conjunto IAPI. Lá, ele se sente em casa. Até se casar, há 23 anos, ele era morador do mais antigo condomínio popular da cidade. "Quando eu era criança, havia pouquíssimos carros e um espaço imenso para brincar, nos campos de terra, nas árvores e nos brinquedos", lembra. O pai do médico, Hélio, era funcionário da prefeitura e, por isso, foi beneficiado com o direito de ocupar um dos apartamentos. No próximo sábado (26), esse símbolo de Belo Horizonte ganhará cara nova, com a apresentação oficial das novas fachadas dos nove edifícios, que não recebiam tinta havia pelo menos trinta anos. A conclusão da pintura é um dos marcos do 65º aniversário. No início dos anos 40, a área era ocupada pela favela Pedreira Prado Lopes. A ideia do então prefeito Juscelino Kubitschek (1902-1976) foi instalar prédios no lugar. JK não queria que quem pegasse a Avenida Pampulha, hoje chamada Antônio Carlos, para chegar à recém-construída Lagoa passasse pelos barracos da maior favela da capital na época.

Construído pela prefeitura em parceria com a Companhia Auxiliar de Serviços de Administração (Casa) e o antigo Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários - que deu nome ao conjunto -, o condomínio só começou a ser ocupado em 1950, três anos após a inauguração. Os primeiros moradores eram contribuintes do instituto, funcionários da prefeitura e veteranos da II Guerra. Hoje, cerca de 5 400 pessoas vivem nos 928 apartamentos. A revitalização da pintura do famoso IAPI, que contou com patrocínio de empresas da cidade, demorou um ano. As obras custaram 700 000 reais. Foram gastos mais de 13 000 litros de tinta. Havia duas ideias para as novas cores do complexo, originalmente bege. Uma era deixá-lo todo azul. "Mas seria muito monocromático", diz o empresário Júlio Gomes, um dos idealizadores da restauração. Optou-se então pelo tema "riquezas de Minas". As paredes externas e as passarelas ganharam quatro cores: baunilha, ocre colonial, terracota suave e tempero forte, tons que remetem ao ouro e ao ferro.

Os atuais moradores falam com orgulho das pessoas famosas que viveram por lá, como a cantora Martinha, da Jovem Guarda, e o supercraque Tostão. Foi na quadra do conjunto histórico que o maior ídolo do Cruzeiro começou a bater bola. "Morei no IAPI dos 2 aos 12 anos de idade e lá tive uma infância muito gostosa", conta o atacante tricampeão do mundo na Copa de 70, mais tarde médico e hoje um dos mais admirados cronistas esportivos do Brasil. "Não faltava espaço para jogar o que você quisesse, tínhamos muitos campeonatos de futebol e futsal." Agora revitalizadas, as quadras continuarão fazendo a alegria de crianças que também sonham em ser estrelas no mundo da bola.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE