Música

Banda instrumental Iconili lança disco de graça na internet

Formado por onze integrantes, grupo de BH promove mistura sonora em Tupi Novo Mundo

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Um grupo dedicado à música instrumental, formado por onze integrantes. É assim o Iconili, banda de Belo Horizonte que acaba de lançar Tupi Novo Mundo, disco que mostra uma fusão sonora de jazz, rock, tropicália e afrobeat. Fundado em 2006, o grupo começou o ano passado como um septeto e agora já conta com onze instrumentistas no palco. André Orandi (órgão e sax), Gustavo Cunha (guitarra), Henrique Staino (sax tenor), Lucas Freitas (sax barítono), Nara Torres (percussão), Pedro de Filippis (percussão), Rafa Nunes (percussão), Rafael Orlandi Mandacaru (guitarra e teremin), Victor Magalhães (baixo e trompete), William Rosa (baixo) e Wesley Cançado (bateria) compõem o Iconili.

Fora de BH, a banda se apresentou em palcos prestigiados da música independente, como o Sesc Pompeia, em São Paulo e o Circo Voador, no Rio de Janeiro e recebeu menções elogiosas no jornal britânico The Guardian. Com apenas cinco faixas e 26 minutos, o Tupi Novo Mundo segue o formato da moda, o Extended Play (EP), espécie de intermediário entre o compacto e o disco completo. O lançamento também segue a tendência: foi oferecido de graça na internet para quem quiser baixar, através do site http://iconili.tumblr.com.

Coube à percussionista Nara Torres contar como foi o processo de criação do disco e detalhar como funciona tanto no palco quanto no estúdio uma banda com tanta gente. Leia a entrevista:

Quais foram as inspirações para gravar o Tupi Novo Mundo?

Temos admiração pela produção dos anos 1970, como o tropicalismo e coisas mais atuais, como o mangue beat. Fazem parte das nossas referências também o jazz, o afrobeat, o rock, a cultura popular brasileira, a música africana. Todas essas referências estão na banda. Em janeiro de 2012 começamos a trabalhar no EP e foram chegando os novos integrantes. Decidimos que cada um deveria gravar, então foi um processo longo, que durou um ano. E cada um que chegou trouxe novas referências pessoais. O Iconili tem sido colocado como afrobeat, mas a gente se encara como jovens, urbanos, brasileiros e contemporâneos, que gostamos de muita coisa diferente.

Por que vocês decidiram pelo EP e não por um disco completo?

Foi uma questão financeira mesmo. O álbum foi todo pago com os nossos cachês de shows, sem lei de incentivo. Acabou que foi bom, pois se tivessemos um orçamento, teríamos de ter um cronograma. E do jeito que foi, éramos donos do processo, gravamos com todo mundo e nós mesmos produzimos e dirigimos o disco.

Vocês tocaram com o Oghene Kologbo, que era da banda do Fela Kuti (famoso músico africano dos anos 1970). Ele chegou a participar de alguma maneira nesse disco?

Não. Conhecemos ele no Fela Day, um evento em homenagem ao Fela Kuti que acontece no mundo todo simultaneamente. A afinidade foi imediata, e ele tocou conosco no dia. Depois, quando fomos para o Rio de Janeiro, no Circo Voador, ele tocou também e resolvemos bancar uma espécie de residência artística para ele aqui em BH. Então ele veio e ficou vinte dias com a gente, compondo e gravando. Mas não foi para esse disco, é uma espécie de projeto paralelo nosso, pois o som é mais voltado para o afrobeat clássico, mais anos 1970.

Como surgiu a ideia de lançar o EP na internet?

No meio do ano, liberamos uma música, O Rei de Tupanga. E a repercussão foi muito legal, as pessoas ouviram, comentaram, compartilharam. Mesmo sendo uma música só, ela nos trouxe fãs, shows e nos mostrou que realmente a internet, hoje, é essencial para a divulgação. Assim, quando acabamos as gravações e vimos que não ia dar para fazer uma coisa física logo de cara, preferimos não esperar e soltar ele logo.

Como está a repercussão do lançamento?

Está superando as expectativas, estamos muito felizes. Tem acontecido um boca-a-boca espontâneo, as pessoas estão elogiando, compartilhando e falando sobre ele. Vários jornais, como O Globo e o The Guardian (Reino Unido) estão repercutindo o lançamento, está bem legal.

Vocês estão pensando em algum formato físico?

Sim, vamos ter um CD. Hoje, para as bandas independentes, ter esse tipo de material é uma questão de sobrevivência. Nós nos bancamos com os shows e o que vendemos neles, como camisetas, adesivos e discos físicos. Temos o sonho de prensar em vinil, mas é algo que ainda precisa ser negociado.

As bandas normalmente têm entre três e cinco ou seis pessoas no palco. Como tem funcionado uma banda com onze pessoas?

É totalmente horizontal. A gente decide tudo junto, desde a cor do adesivo até os arranjos das músicas. Tudo parte de decisões coletivas. Na prática, isso se dá com muita, muita discussão (risos). Aos poucos, por aptidão, emergem pessoas que puxam para um lado. Temos três designers na banda e é natural que eles resolvam essa parte. Temos duas pessoas que trabalham com audiovisual e eles produziram o nosso clipe, que sai nesse primeiro trimestre. Mas é um processo bom, é muito coletivo e muito unido.

Vocês fizeram shows no Sesc Pompeia, no Circo Voador. Como é para uma banda de BH chegar a esses palcos?

É recompensante. Foram as nossas estreias em São Paulo e no Rio e já de cara tocamos com boas condições, palcos legais. Foram duas experiências muito importantes.

Quando é o próximo show em BH?

Vamos tocar no festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L., que será em fevereiro, antes do Carnaval.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE