Comportamento

Inspirado nos anos 50, movimento de ciclistas incentiva o uso das bicicletas como meio de transporte

Vestidos com trajes elegantes e magrelas retrô, integrantes do Tweed Ride defendem a lentidão

Por: Guilherme Torres - Atualizado em

Carlos Hauck/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O passeio pela Lagoa da Pampulha, no último domingo (22): campanha mundial

Nos idos da década de 50, quem quisesse dar uma volta mais longa pela cidade precisava ter uma bicicleta. A época em que poucos carros circulavam pelas ruas inspirou o surgimento do Tweed Ride, um grupo de ciclistas que saem a passeio vestidos com trajes elegantes, que lembram os modelitos típicos dos anos dourados, para estimular o uso das magrelas como meio de transporte. O movimento surgiu na Europa em 2009 e chegou ao Brasil quatro anos mais tarde. Por aqui, é realizado quatro vezes por ano - uma vez a cada estação. A edição de verão, no último domingo (22), reuniu cerca de cinquenta pessoas em uma volta pela Lagoa da Pampulha. "O mundo vive o culto à alta velocidade, e o que queremos é despertar o contrário, a lentidão", diz Gil Sotero, um dos organizadores do Tweed Ride BH. "Em quase toda casa há pelo menos uma bicicleta que está parada, enferrujando."

Estudante de arquitetura, Enne Maia, que também está envolvida na organização dos eventos locais, celebra o fato de que o interesse pelas magrelas venha crescendo na cidade, com ampliação das ciclovias e do serviço de aluguel. "Elas não são só para esporte, dá para rodar elegante e bem penteada", garante a mo­­ça, que dá o exemplo: pedala entre 40 e 60 quilômetros por dia. "Saio de casa, em Contagem, e vou para o trabalho, no Centro de BH", conta. Depois de conhecer o grupo, em outubro de 2014, a empresária Bárbara Monteiro resolveu investir em um modelo dobrável, que custou cerca de 1 200 reais. "Comecei a usar minha bicicleta para ir à academia e para fazer outros trajetos curtos", diz. "Estou adorando."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE