Viagem

Intercâmbios no exterior agora misturam o aprendizado do idioma a outros interesses, que vão da economia à arte

Objetivo é ampliar a vivência dos alunos com uma imersão cultural em áreas diferentes

Por: Rachel Cardoso - Atualizado em

David Joyner/Getty Images
(Foto: Redação VejaBH)

Chicago, nos Estados Unidos: o país ainda é o líder na procura

Depois de deixar, em dezembro de 2013, o emprego de diretor de infraestrutura de uma empresa da área de saúde, o executivo Luis Soares de Campos Júnior, de 49 anos, percebeu quanto uma falha grave de formação - o inglês paupérrimo - dificultava sua recolocação profissional. Decidido a resolver o problema com urgência, gastou cerca de 20 000 dólares para fazer um programa de intercâmbio de trinta dias em uma escola de Chicago, nos Estados Unidos. Entre as opções disponíveis, escolheu um curso que conciliava as lições do idioma com conteúdos de economia e negócios. Assim, no perío­do no exterior, teve aulas de disciplinas como administração e gestão de projetos numa classe com colegas da mesma faixa etária. "Voltei de lá com uma maior fluência e enriquecido pela troca cultural com os demais alunos", conta Campos Júnior. Entusiasmado com a experiência, embarcou em julho para a Inglaterra, ao lado das filhas Julia, 15, e Luiza, 11, em outro programa do tipo. A família frequentou o mesmo colégio, mas em classes diferentes. Enquanto ele reforçava o aprendizado obtido em terras americanas, as garotas ganhavam milhagem nessa área para poder, no futuro, se virar sozinhas lá fora.

A história do executivo mostra duas grandes tendências nesse mercado. Embora os jovens ainda representem o grosso da clientela das agências especializadas, nos últimos anos vem aumentando a proporção de pessoas mais velhas em busca do serviço. Esse "novo" público não quer os tradicionais programas que envolvem apenas o aprendizado de um idioma. Desejam conciliar a imersão no exterior com outros interesses, que vão da gastronomia à arte. "É muito mais eficaz praticar o inglês falando de temas que são do seu interesse", afirma José Carlos Hauer Santos Junior, presidente da Student Travel Bureau (STB), dona de seis lojas em Minas e mais de setenta endereços no país. Nos últimos dois anos, a empresa registrou um aumento de 40% no número de clientes com mais de 40 anos. Para eles, entre outras opções, há a possibilidade de ficar duas semanas aprendendo espanhol em Tenerife, a maior ilha do arquipélago das Canárias. O custo é de aproximadamente 600 dólares e inclui apenas o curso - ou seja, o aluno precisa pagar passagens e hospedagem.

Mais + Especialistas apontam as questões fundamentais em busca da escola ideal + Com a popularização do ensino a distância, surgem instituições 100% digitais + Pais exageram ao procurar as delegacias e os tribunais para tratar de bullying

Uma das principais concorrentes da STB é a Central de Intercâmbio (CI), que oferece pacotes semelhantes. Duas semanas de curso de inglês combinado a aulas de dança em Nova York saem por 2 000 dólares. Nesse caso, estão embutidas no preço as taxas de matrícula e uma acomodação em casa de família com quarto individual e café da manhã. Por cerca de 5 000 dólares, é possível frequentar a Universidade de Artes de Londres em um módulo para estrangeiros que reúne aulas de idioma e arquitetura e dura cerca de um mês (matrícula e hospedagem inclusas). "Os programas podem ser também customizados para todos os bolsos e gostos", afirma Celso Garcia, sócio-diretor da CI, com mais de setenta endereços espalhados pelo Brasil. "Essas viagens sempre rendem experiências únicas", completa o executivo.

A estudante Marina Pinheiro Loretti, de 22 anos, é uma das que possuem um álbum de recordações fora do convencional. Em 2010, ela frequentou um semestre do ensino médio em Vancouver, no Canadá. Há dois anos, usou o período de férias por aqui para retornar ao exterior. O destino foi a África do Sul, onde trabalhou durante trinta dias como voluntária em um programa para cuidar de crianças com tuberculose em um hospital na Cidade do Cabo. Ficou hospedada em um albergue próximo ao local de trabalho. "Foi a melhor coisa que fiz na vida", conta. "No começo, meus pais eram contra por se preocuparem com minha segurança, mas depois acabaram liberando."

O setor de intercâmbios movimentou mais de 1 bilhão de dólares em 2013 e tem registrado crescimento de 5% a 10% anualmente na última década, segundo dados da Belta - sigla em inglês para a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais. A entidade reúne as principais empresas de intercâmbio, e, segundo seus cálculos, Minas registrou aumento de 25% no número de viagens realizadas em 2013 em comparação com o ano anterior, índice que supera a média nacional. Estados Unidos, Canadá e Inglaterra são os campeões de procura, mas destinos como Nova Zelândia e China começam a ganhar espaço. "Um dos motivos para o bom momento é que as famílias de classe média criaram o hábito de formar poupança para mandar os filhos ao exterior", diz Santos Junior, da STB.

Central de Intercâmbio.

Rua Major Lopes, 460, São Pedro, ☎ 2555-2500. www.ci.com.br., STB. Rua Rio de Janeiro, 2702, 12º andar, Lourdes, ☎ 2128-4900. www.stb.com.br.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE