Especial

Libertadores 2013: heróis do título

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Mestre em campo

Não espere ver Cuca em um restaurante badalado da cidade ou pegando um cinema em algum shopping de BH. Avesso à agitação, o técnico de 50 anos mora na Cidade do Galo, onde afirma passar 24 horas por dia dedicado ao Atlético. "Acordo e durmo pensando na equipe", costuma dizer o treinador curitibano. Tomado pela emoção depois da conquista do título, ele falou sobre a fama de falta de sorte. "O Atlético é sofrido, é azarado, eu também. Mas agora quebramos tudo isso." Devoto de Nossa Senhora, ele se apegou à fé para superar momentos de tensão. Foi marcante a imagem dele rezando, de joelhos, durante a cobrança de pênaltis contra o Newell's Old Boys na semifinal. A conquista coloca Alexi Stival (seu nome verdadeiro) definitivamente como um dos melhores treinadores do Brasil e consagra um trabalho que começou mal. Cuca chegou ao clube em agosto de 2011, vindo do rival Cruzeiro. O começo no alvinegro foi o pior possível: seis derrotas em seis jogos. O técnico chegou a pedir demissão. Como ele mesmo disse, tudo isso ficou para trás.

Um santo nas traves

Dois pênaltis defendidos em partidas decisivas fizeram o goleiro Victor ser canonizado pela torcida. "Quando você é chamado de santo, tem de fazer um milagre a cada jogo. É muita responsabilidade", comentou, depois da conquista do título. Contra o Newell's Old Boys, ele garantiu uma vaga na fase semifinal. Mas foi a defesa com o pé esquerdo, contra o Tijuana, pelas quartas de final, que conquistou a Massa. A bola isolada virou mascote e passou a viajar com o time. Na decisão, Victor defendeu mais um pênalti, foi ajudado pelo travessão e escreveu definitivamente seu nome na história alvinegra.

Leia também + Torcedores do Galo soltaram o grito de campeão e comemoram o título inédito da Libertadores

A estrela renasce

Duas vezes eleito o melhor do mundo. Campeão da Copa de 2002. Ídolo no Barcelona. Nenhuma dessas vitórias protegeu Ronaldinho Gaúcho das críticas quando resolveu deixar o Flamengo, no ano passado. Contratado com o aval do técnico Cuca, tornou-se o maestro do meio-campo e ídolo da Massa. "No momento mais difícil da minha vida, foi a torcida que me abraçou", afirmou na festa. "Diziam que eu estava acabado, que aqui era time de renegados. Quero ver falarem agora." Seus passes precisos e sua visão de jogo certamente foram fundamentais na conquista do título, inédito na história do clube e em seu próprio currículo.

O brilho do baixinho

Ele tem alegria nas pernas. Foi assim que o técnico da seleção brasileira, Luís Felipe Scolari, definiu o futebol do jovem Bernard. Formado nas categorias de base do próprio Atlético, o jovem meia-atacante chegou a ser dispensado duas vezes por causa de sua altura - apenas 1,62 metro. Para sorte da torcida, ele ficou. Seus toques rápidos, deslocamentos pelo campo e gols foram decisivos para o triunfo histórico diante do Olimpia. É provável que a final da Libertadores tenha sido sua última partida com a camisa alvinegra. O Arsenal, da Inglaterra, foi um dos que entraram na disputa pelo jogador. Até a última quarta (24), porém, o clube ainda não tinha confirmado as negociações. O presidente Alexandre Kalil teria pedido 25 milhões de euros, quase 74 milhões de reais.

Pazes com a torcida

Até os cinquenta minutos da partida contra o Newell's Old Boys, o Atlético estava fora da final. O luminoso do Estádio Independência ainda mostrava um insuficiente 1 a 0 quando a bola caiu nos pés de Guilherme, que acertou o canto esquerdo do goleiro Guzmán. Ex-craque do Cruzeiro, ele não só reverteu o resultado da partida, mas também a rejeição e a desconfiança da torcida.

Um gigante na Defesa

Quando o zagueiro e capitão Réver ergueu o troféu da Libertadores, milhares de atleticanos choraram de alegria. Com o gigante de 1,93 metro em campo, a defesa funcionou melhor. Ele conseguiu impedir que muitas bolas chegassem à area. Expulso no jogo contra o Tijuana, Réver voltou ao campo em boa hora, contra o Olimpia, para a vitória consagradora do Atlético.

Ele defendeu, marcou, armou e fez gols

De uma forma um tanto inconsequente, o atacante Diego Tardelli costuma comemorar seus gols com os polegares e indicadores simulando duas pistolas. Mas desde que voltou ao Atlético, em fevereiro, resumir o jogador só por seus gols e celebrações seria injusto. Escalado para o lado direito do campo, ele mostrou uma polivalência surpreendente. Defendeu, marcou, armou e, é claro, fez gols decisivos para o título da Libertadores.

O artilheiro da libertadores

O segundo tempo da final mal havia começado quando Jô, que amargava um jejum de oito jogos sem marcar gol, mandou a redonda para o fundo da rede do goleiro do Olimpia, Martín Silva, e renovou as esperanças da torcida alvinegra. Com sete bolas no barbante - fundamentais para o título -, o centroavante foi o artilheiro da Libertadores da América.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE