Memória

Livro resgata histórias de bastidores e travessuras de ex-alunos do Estadual Central

Nomes como Fernando Sabino, Dilma Rousseff e Getúlio Vargas estudaram na escola

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Fotos Acervo PBH - Reprodução
(Foto: Redação VejaBH)

Projetado por Oscar Niemeyer (no alto, à dir.), o colégio foi símbolo da qualidade do ensino público: auge da excelência nas décadas de 60 (foto à dir.) e 70 (foto à esq.)

Numa pose digna do libertador Simón Bolívar e montado em um cavalo branco, o aluno Francisco Wykrota - hoje um conceituado médico ortopedista - subiu a rampa da Escola Estadual Governador Milton Campos, o Estadual Central, em pleno horário de aula e levou os alunos ao delírio na década de 60. A travessura ganhou fama no colégio, onde não raro a rotina era abalada pela explosão de bombas caseiras no banheiro e pela queima de barbantes imersos em ácido sulfúrico. Episódios como esses, que revelam curiosidades e bastidores da mais antiga instituição de ensino público de Minas, agora vêm à tona com o lançamento, no sábado (13), do livro Colégio Estadual, escrito pelo jornalista Renato Moraes, dentro da coleção BH, a Cidade de Cada Um. "Passo a história da escola a limpo, como uma espécie de testemunha das gerações que ali estudaram", diz Moraes, ex-aluno do Estadual Central.

Os grandes nomes que se formaram ali são a fonte de inspiração para o livro. Figuras carimbadas no horário eleitoral, como Dilma Rousseff, Fernando Pimentel e Pimenta da Veiga, já responderam "presente" à lista de chamada. E eles não estão sozinhos entre as personalidades - frequentaram também a escola o ex-presidente Getúlio Vargas, o atual governador, Alberto Pinto Coelho, o escritor Fernando Sabino, os músicos Fernando Brant e Márcio Borges e os irmãos Henfil e Betinho. Outro tópico de destaque é a arquitetura da atual sede, idealizada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Ocupando dois quarteirões no bairro de Lourdes, os prédios com salas de aula, biblioteca e administração têm a forma de uma régua T; a caixa-d'água virou um giz; a cantina, uma borracha; e o auditório, um mata-borrão (usado para absorver o excesso de tinta do texto escrito com caneta-tinteiro).

Inaugurado em 1956, o complexo pôs fim à vida nômade da escola fundada em Ouro Preto há 160 anos e que, depois de transferida para BH em 1898, funcionou em três endereços. Símbolo da liberdade para a juventude e ícone da excelência do ensino público nas décadas de 60 e 70, o colégio sofreu uma queda na qualidade da educação nas últimas décadas. A estrutura arquitetônica também entrou em decadência, com a instalação de grades e a falta de conservação dos prédios. Uma reforma iniciada em 2013 e com previsão de ser concluída em julho do ano que vem é tida como esperança para resgatar o glamour das linhas de Niemeyer. Já para a melhoria do ensino, a escola continua à espera de boas notícias.

Templo da educação

Os 160 anos da mais antiga escola pública de Minas

1854

Criação do Liceu Mineiro, em Ouro Preto

1898

Rebatizado de Ginásio Mineiro, é transferido para Belo Horizonte

1956

A nova sede é inaugurada no bairro de Lourdes

1978

Passa a se chamar Escola Estadual Governador Milton Campos

2013

Início da reforma, que deve ser concluída em julho de 2015

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE