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Maior colecionador de pinballs de Minas Gerais, o farmacêutico Pedro Lanna tem um verdadeiro fliperama em casa

Com setenta máquinas montadas em um espaço de 200 metros quadrados, ele conta com raridades do mundo dos jogos

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Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Lanna em sua sala de jogos: "Eu me arrepio só de escutar o barulho da máquina ligando"

Quando o farmacêutico-bioquímico Pedro Lanna, de 47 anos, liga as chaves da caixa de energia é como se um exército de antigos robôs ganhasse vida. O coral de ruídos digitais, "póings" e "bléins", soa como trilha sonora para quarentões que passaram a adolescência nos fliperamas da cidade. Em um espaço de 200 metros quadrados, construído nos fundos de sua casa, no São Bento, o belo­-horizontino mantém setenta máquinas de pinball - seu jogo preferido -, que só compartilha com a família e amigos. A começar pela infinidade de luzes psicodélicas, tudo no salão remete aos anos 80, época em que os garotos chegavam a ficar com calos nas mãos de tanto frequentar os flippers. Até o piso é vintage, com ladrilhos em preto e branco. "Desde que eu era um garotinho, jogo a bola prateada", brinca o farmacêutico, citando a tradução de um trecho da música Pinball Wizard, da banda inglesa The Who, gravada em 1969, para a ópera-rock Tommy. Na história, um garoto cego, surdo e mudo se torna, apesar das limitações, campeão de fliperama.

Para quem nasceu na era do PlayStation e do Nintendo, talvez seja difícil compreender o fascínio que os pinballs - máquinas mecânicas pesadíssimas, com quase 2 metros de comprimento, nas quais o jogador tem de controlar duas palhetas para evitar que uma esfera metálica, com não mais do que 30 milímetros de diâmetro, caia em um buraco - exerceram no passado. Lanna é a prova do que esses brinquedos representaram para uma geração. "Eu me arrepio só de escutar o barulho da máquina ligando."

De acordo com o ranking da Pinball Brasil, associação que representa os fanáticos pelo jogo e organiza torneios da modalidade, ele é dono da maior coleção de aparelhos do gênero em Minas Gerais. Além das setenta máquinas, o farmacêutico tem outras dez, como as de pegar bichinhos de pelúcia, que comprou para agradar aos filhos, Davi, de 9 anos, e Viviane, de 11. Sua coleção teve início no começo dos anos 90, quando comprou uma Gemini 2000, pagando por ela o equivalente a 2 000 reais. Atualmente, o modelo pode custar o mesmo que um carro popular zero-quilômetro, perto dos 30 000 reais. "É uma raridade." A paixão de Lanna pelo game da bolinha prateada é tanta que, quando saiu da casa dos pais para se casar, fez questão de arrumar espaço para pelo menos uma de suas máquinas no pequeno apartamento no Santo Antônio que dividia com a mulher, Rachel. "Ela ficava desmontada embaixo da cama", conta.

Na coleção, alguns equipamentos têm valor especial, como os produzidos pela empresa japonesa Taito, que chegou a ter subsidiária em São Paulo. Um deles é o Cavaleiro Negro, primeiro da marca com dois andares, que emite frases com um sotaque robótico, instigando o jogador o tempo todo: "Eu sou o Cavaleiro Negro à procura de um desafio". Quando jovem, Lanna matava aulas para brincar nessa máquina. "Hoje, tenho de tomar cuidado para não matar o trabalho", confessa.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE