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Construtoras anunciam o maior edifício de Minas e moradores temem impactos  

Edifício de 43 andares no Vale do Sereno pode trazer danos ambientais e piora no trânsito

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Divulgação / Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O Concórdia Corporate, na Alameda da Serra, terá 43 andares e 170 metros de altura: as obras (à dir.) começaram neste mês e devem ser concluídas até meados de 2017

No início do século XVIII, as reservas de ouro e minério de ferro atraíram as primeiras mineradoras para Nova Lima, nas imediações da Serra do Curral. Depois que as jazidas se esgotaram, na década de 80, a região passou a ser cobiçada pelas construtoras. Condomínios e prédios de alto padrão foram erguidos em meio às montanhas, com anúncios que alardeavam a área verde e o sossego a poucos quilômetros de Belo Horizonte. A linda paisagem, então, deu lugar a terraplanagens, espigões, congestionamentos e mau cheiro decorrente de problemas no tratamento de esgoto. Agora, uma novidade está preocupando as associações de moradores. O maior edifício de Minas Gerais começou a ser erguido, neste mês, no Vale do Sereno. Com 43 andares e 170 metros de altura, o Concórdia Corporate vai ocupar um terreno de mais de 7 000 metros quadrados na Alameda da Serra, onde funcionava até 2012 o Clube Chalezinho. A previsão é que seja inaugurado até meados de 2017. Resultado de uma parceria entre as construtoras Caparaó, Codeme Engenharia e a americana Tishman Speyer, o empreendimento receberá investimento de 350 milhões de reais, terá oito andares de estacionamento, trinta pisos comerciais e quatro lofts que vão mesclar escritórios e ambientes residenciais.

"Além do impacto visual na Serra do Curral, a construção e a ocupação desse prédio imenso trarão consequências sérias para o trânsito e para o meio ambiente", afirma o coordenador da Frente de Associações e Condomínios do Vetor Sul, Walmir Braga. Atualmente, a região tem um fluxo médio de 19 800 veículos por hora, conforme diagnóstico da Associação dos Empreendedores dos Bairros Vila da Serra e Vale do Sereno. Nos próximos dois anos, além do Concórdia Corporate, outros 26 empreendimentos serão inaugurados por ali. Haverá, no total, 1 795 apartamentos e mais de 600 salas e lojas nos dois bairros - o que deverá fazer o movimento de carros saltar para 21 800 por hora. Um tema que também deixa os moradores em alerta é a poluição ambiental. A estação de tratamento de esgoto do Vale do Sereno foi projetada para uma vazão média de 25 litros por segundo. Hoje, no entanto, opera acima do dobro de sua capacidade, com picos de 56 litros por segundo. E não faltam denúncias sobre despejo irregular de resíduos em rios. A solução apontada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) é o bombeamento do volume excedente para BH, para tratamento na estação Arrudas. Mas essa alternativa também é alvo de críticas pelo fato de sobrecarregar a rede de captação no bairro Belvedere e provocar vazamentos de esgoto na Lagoa Seca.

A polêmica em torno do Concórdia Corporate levou o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) a exigir que as construtoras assinassem um termo de compromisso com várias condicionantes para reduzir os impactos do edifício. O documento sugere, por exemplo, que seja erguida uma estação de tratamento de esgoto particular caso a Copasa e a unidade do Vale do Sereno não tenham capacidade de absorver os resíduos. Outra exigência é a realização de obras viárias para melhorar as condições de trânsito. As empresas acataram todas as determinações, conforme registrado no processo de licenciamento. "O empreendimento não pode resolver isoladamente os problemas do bairro, mas os impactos gerados pelo Concórdia Corporate serão mitigados e ainda traremos benefícios para a região", diz a vice-presidente da Caparaó, Maria Cristina Valle. Entre os pontos positivos, ela destaca a criação de 783 vagas de estacionamento, que podem abrigar grande parte dos veículos que hoje ficam parados na Alameda da Serra. "O edifício vai ser um marco no desenvolvimento do Vetor Sul e criará um novo polo de serviços na região, que já conta com hospitais, escolas e shoppings", acrescenta. A julgar pelas linhas arrojadas do prédio, ninguém duvida que uma nova paisagem está prestes a nascer no Vale do Sereno.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE