Belo-horizontinos de 2012

Urbanismo: Marcelo Fontes, Silvio Todeschi e Bruno Campos

Responsáveis pelo projeto executivo da reforma, os três arquitetos definiram a nova cara do nosso Mineirão

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Sob o forte sol de dezembro, de pé na esplanada que ajudou a projetar, o arquiteto Silvio Todeschi (no centro da foto ao lado), de 44 anos, não esconde o orgulho. "Valeu todo o nosso suor", diz. No último ano, ele e seus sócios no escritório de arquitetura BCMF — Marcelo Fontes (à esq.), de 41 anos, e Bruno Campos, de 42 — dedicaram-se em tempo integral aos detalhes finais do projeto executivo do novo Mineirão, cujo prazo de conclusão é a próxima sexta (21). Para os três belo-horizontinos, o trabalho teve um significado especial. Afinal, como torcedores, eles conheciam bem os problemas que precisavam ser resolvidos por lá. Uma das inovações boladas pelo trio foi a esplanada em diferentes níveis. Trata-se de uma área com 80 000 metros quadrados que terá lojas, restaurantes e espaço para a prática de esportes, que permitirá o uso do entorno da arena durante toda a semana, e não apenas nos dias de jogo. A modernização do Gigante da Pampulha será, provavelmente, o maior marco da carreira deles. "Nós nunca mais teremos uma encomenda das dimensões desta", prevê Campos, referindo-se ao contrato com o consórcio Minas Arena, que venceu a licitação para a obra e administrará o Mineirão pelos próximos 25 anos. Contemporâneos na Escola de Arquitetura da UFMG, Todeschi, Fontes e Campos fizeram estágio nos mesmos escritórios e, com a convivência, puderam descobrir suas afinidades profissionais. Alguns anos depois de formados, em 2001, Fontes e Campos fundaram o BCMF. Todeschi juntou-se a eles em 2009. O sucesso do projeto de renovação do Complexo Esportivo de Deodoro, no Rio de Janeiro, construído em 2007 para abrigar quatro modalidades dos Jogos Pan-Americanos, os credenciou para a empreitada atual. Foram contratados ainda para desenvolver os estudos de instalações para a bem-sucedida candidatura do Rio a sede da Olimpíada de 2016. "Somos até agora o único escritório a participar desses três grandes eventos esportivos", conta Campos. Na semana passada, em mais uma visita ao estádio, eles admiravam o resultado final. "É como ver uma maquete em tamanho real", comentou Fontes, lambendo a cria. Ansiosos como todos na cidade pela inauguração, os arquitetos querem ver como funcionará na prática o que passaram meses idealizando no computador. Frequentadores de bares e restaurantes da Savassi, eles agora têm um bom motivo para incluir a Pampulha no roteiro.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE