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Mesmo com chuva, reservatórios que abastecem BH mantém nível crítico

Situação reforça a possibilidade de sobretaxa na conta e racionamento

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A Represa Serra Azul, na região de Juatuba: com apenas 8,3% de sua capacidade

Achuva forte que caiu nos dias de Carnaval não foi suficiente para alterar significativamente os níveis dos principais sistemas de água que abastecem Belo Horizonte. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), entre sábado (14) e quarta-feira (18) choveu 42,9 milímetros na capital, mais do que em todo o mês de fevereiro do ano passado. "Foi um alento", diz o meteorologista Luiz Ladeia. "Mas pancadas isoladas como as que observamos não beneficiam imediatamente as reservas." Segundo ele, o maior problema é o histórico de escassez. Em dezembro eram esperados 319,4 milímetros, mas foram contabilizados apenas 137,9. Em janeiro, quando as estimativas apontavam para 296,3 milímetros, caíram 94,8. "Estamos atravessando um ciclo ruim e dependeremos muito do mês de março para reverter a tendência de escassez hídrica", afirma Ladeia.

A cidade é abastecida principalmente por dois sistemas: o Paraopeba e o Rio das Velhas. O Paraopeba - composto pelos reservatórios Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores - está com 30,5% de sua capacidade (dados da última quinta), de acordo com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). É o mesmo volume de um mês atrás. "O efeito das chuvas é discreto e só pode ser observado no longo prazo", diz o biológo Ricardo Motta Pinto Coelho, coordenador do laboratório de gestão ambiental de reservatórios do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Ele pondera que vários fatores contribuem para a recomposição dos reservatórios. As chuvas que vemos caindo por aqui são as que menos colaboram diretamente para o aumento de sua capacidade. O que mais influencia é a água que chega pelos afluentes e por cursos subterrâneos.

Segundo detalhamento da Copasa, entre sábado e quinta, o volume do Rio Manso caiu de 44,3% para 43,8%; o de Vargem das Flores, de 30,4 para 30; e o de Serra Azul, considerado em estado mais crítico, subiu de 7,7% para 8,3%. Já no Sistema Rio das Velhas, que não tem represas como o Paraopeba (a captação é feita no chamado "fio d'água"), o cálculo não leva em conta a capacidade em volume, mas sua vazão. No último mês, essa vazão passou de 10,9 para 28,1 metros cúbicos por segundo. O resultado ainda é considerado preocupante.

Mesmo com o aumento do índice pluviométrico, a comprometida capacidade de abastecimento reforça a possibilidade de o governo de Minas declarar oficialmente situação crítica de escassez hídrica e, com isso, adotar duras restrições ao uso da água. O anúncio, que estava previsto para o fim do mês, deve ficar para março. Entre as medidas cogitadas, estão a cobrança de sobretaxa na conta mensal, o racionamento e o rodízio de abastecimento entre bairros. Enquanto isso, a Copasa reforça a campanha para os consumidores (domicílios e empresas) reduzirem o uso da água em 30%. Também promete agilizar o serviço "caça-vazamentos" a fim de reduzir as perdas, que chegam a 40% do total oferecido. Além disso, uma força-tarefa tenta tirar projetos do papel, como a construção de barragem na bacia do Rio das Velhas e a criação de novo ponto de captação na região da Serra do Cipó. "Não adianta vermos uma chuva e achar que não precisamos mais fazer economia", alerta Coelho. "A mudança dos hábitos precisa ser para sempre."

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(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE