Minas, são muitas

Minas, são muitas

Cidade: Miraí | Distância da capital: 335 quilômetros | Região: Zona da Mata | Número de habitantes: 13 800 | Principais atrações: mausoléu, estátua e memorial em homenagem a Ataulfo Alves

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

A Matriz de Santo Antônio, na Praça Doutor Miguel Pereira, e o memorial do artista (detalhe): o municípo ficou conhecido por causa das canções

Atrajetória de vida de Ataulfo Alves (1909-1969), autor de canções como Meus Tempos de Criança e Ai, que Saudades da Amélia, é atração em sua terra natal, Miraí, na Zona da Mata. Um dos sete filhos do acordeonista e repentista Capitão Severino, ele já rabiscava letras de música quando vivia por lá, para acompanhar os improvisos do pai. Aos 18 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde logo se integrou aos blocos de Carnaval e não mais deixou o samba. Em 1933, depois de Carmem Miranda (1909-1955) gravar Tempo Perdido, ganhou fama nacional. O elegante homem baixo, que recebeu o apelido de Garnizé, gravou mais de 600 músicas, e, de certa forma, o sentimento que tinha pela cidade onde nasceu estava em todas elas. "Perguntam por que sou triste / nos versos que escrevi / sou triste porque cantando / não posso esquecer de ti, Miraí", cantava ele.

O intérprete e compositor teve cinco filhos. O mais novo, Ataulfo Alves Júnior, dá continuidade a seu trabalho. "Ele sempre fez questão de nos levar a Miraí", conta o caçula, que lança nas próximas semanas o disco Mais Amor para Você, com músicas do pai não tão conhecidas pelo público. Ataulfo morreu aos 59 anos, vítima de uma úlcera no duodeno. Foi enterrado no Rio, mas, no centenário de seu nascimento, os restos mortais foram transferidos para um mausoléu no Cemitério São Francisco de Assis, em Miraí, que pode ser visitado pelos fãs. O filho famoso da cidade ainda ganhou uma estátua na Praça Doutor Miguel Pereira, no Centro, e um busto na rodoviária. Um memorial com fotos e textos sobre sua carreira também está aberto à visitação. "Foram feitas homenagens, mas ainda são tímidas diante do que sua obra representa para a música popular brasileira", afirma a secretária municipal de Cultura e Turismo, Arari Vieira Rios. Um de seus sambas de sucesso dizia: "O mundo é mesmo assim / O tempo voa / A nossa vida / Vai por uma coisa à toa / No dia em que a minha vez chegar / Tristeza não vai adiantar / Meu samba tem que continuar". Ele continua.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE