Minas, São Muitas

Minas, São Muitas

Cidade: Santa Luzia | Distância da capital: 27 quilômetros | Região: Grande BH | Número de habitantes: 204 327 | Principais atrações: sobrados e igrejas centenárias

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Fotos Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Peças do acervo do Museu Aurélio Dolabella e o estandarte da padroeira (foto): antiguidades e artesanato

As balas cravadas nas janelas do Solar Teixeira da Costa são a prova de que a cidade de Santa Luzia foi palco de um dos maiores conflitos do período imperial brasileiro, a Revolução Liberal de 1842. Na defesa da Constituição vigente à época, as ruas do primitivo arraial foram tomadas por 5 000 homens de tropas rivais comandadas, de um lado, por Duque de Caxias — chefe dos soldados do Império — e, do outro, pelo mineiro Teófilo Otoni, líder dos liberais. Mais de 170 anos se passaram e as marcas da batalha continuam vivas na memória do município e no solar, hoje sede do Museu Histórico Aurélio Dolabella, no Centro. No acervo do espaço cultural, estão bustos em bronze dedicados aos heróis da revolução, desenhos feitos por dom Pedro II durante sua visita em 1881, antigos mapas e pinturas que retratam as disputas. "O solar serviu de quartel-general para as tropas de Teófilo Otoni e hoje os visitantes podem conhecer cada detalhe dessa história", diz o diretor do museu, Marco Aurélio Fonseca.

Em uma agradável caminhada pela Rua Direita, outra atração é o Solar da Baronesa, imponente sobrado colonial erguido no fim do século XVIII onde se hospedou o imperador. Atualmente, as pinturas originais em estilo rococó dividem espaço com oratórios, estandartes, cerâmicas e outras peças produzidas por um grupo de trinta artesãos. Mas a visita a Santa Luzia não será completa sem uma parada nas três igrejas da via. O circuito religioso começa na Capela do Senhor do Bonfim, com estrutura simples de adobe; passa pela Igreja do Rosário, erguida por escravos no topo de uma colina gramada; e termina na Matriz de Santa Luzia, com altares entalhados em ouro e pintura do teto atribuída ao mestre Ataíde.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE