Minas, são muitas

Minas, são muitas

Cidade: Chapada do Norte | Distância da capital: 555 quilômetros | Região: Médio Jequitinhonha | Número de habitantes: 16 000 | Principal atração: Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Pablo do Prado Soares e Maurício Costa (detalhe)
(Foto: Redação VejaBH)

As casas rústicas do centro (direita) e o encontro em frente à Capela de Nossa Senhora do Rosário: dez dias de comemoração

Agora é oficial. A Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos realizada em Chapada do Norte é um bem imaterial de Minas Gerais desde o último dia 8. O Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) registrou a celebração como "expressão de religiosidade e de fé". Trata-se do segundo título nessa categoria que o instituto concede ao estado - em 2002, ele já havia registrado o modo de preparo do queijo na região do Serro. "Estamos salvaguardando uma tradição de mais de dois séculos", diz Luis Gustavo Molinari Mundim, gerente de patrimônio imaterial do Iepha. Diz a lenda que a imagem de Nossa Senhora do Rosário apareceu em um córrego, nas proximidades do Arraial de Santa Cruz da Chapada. Alguns homens - todos brancos - colocaram a santa em uma capela, mas ela sumiu e reapareceu às margens do rio. O episódio se repetiu várias vezes. A imagem só parou no altar da igreja depois que homens negros foram buscá-la ao som de cantorias e tambores.

São dez dias de festejos em homenagem à santa, começando com a novena na Capela de Nossa Senhora do Rosário, na primeira sexta-feira de outubro. Na "Quinta-Feira do Angu", a rainha do evento, eleita anualmente, serve aos de­­votos o prato mineiro feito com fubá. "São preparados mais de 100 quilos de angu com molhos, carnes, quiabo e outros legumes", conta Maurício Aparecido Costa, secretário municipal de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo. O ponto alto da festa ocorre no sábado, quando é encenado o tradicional mastro a cavalo, uma representação de batalha entre mouros e cristãos. Além da Capela de Nossa Senhora do Rosário, vale a pena visitar três templos do século XVIII tombados pelo Iepha: a Matriz de Santa Cruz, a Capela de Nossa Senhora da Saúde e a Capela do Bom Jesus da Lapa. No município, encravado no Médio Je­­quitinhonha, há também quinze comunidades de quilombolas que mantêm a tradição de seus antepassados.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE