Estradas

Moradores de condomínios às margens da BR-040 lutam contra pedágio

Cobrança de R$ 4,35 deverá ser instalada antes do trevo de Ouro Preto

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A advogada Sibele Barony e a rodovia: "Vamos usar 1,5 quilômetro e pagar por 100"

O privilégio de viver em um local calmo, afastado do centro da capital, poderá ficar mais caro para os moradores dos condomínios às margens da BR-040, em Nova Lima, Brumadinho e Itabirito. Com a concessão para a iniciativa privada da rodovia que leva ao Rio de Janeiro, um pedágio deve ser instalado na altura do quilômetro 562, pouco antes do trevo de Ouro Preto. Pelo menos doze condomínios da região ficam depois da praça de cobrança prevista no projeto. Três deles - o Alphaville, o Retiro do Chalé e o Mãe Terra -, além da ONG Abrace a Serra da Moeda, subscreveram na última quinta (17) uma ação de impugnação do edital publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os autores pedem à agência que transfira o pedágio para 18 quilômetros à frente. "O ideal é ficar no quilômetro 580, deixando a Grande BH tranquila", diz o advogado Emílio Martins, responsável pela petição.

No documento, os moradores alegam que utilizam a BR-040 como uma avenida para situações rotineiras: ir à escola e ao trabalho, por exemplo. "Vamos usar 1,5 quilômetro da estrada e pagar pela melhoria de 100 quilômetros", reclama a advogada Sibele Barony, do Alphaville. Ela fez as contas e concluiu que, considerando o preço-limite estabelecido pelo edital, de 4,35 reais, sua família gastaria mais de 12 000 reais por ano para manter a rotina atual. Sibele teme ainda o aumento no custo da prestação de serviços na região, já que ficará mais caro se deslocar para lá. Sócio de uma corretora de imóveis que só negocia propriedades dentro do Alphaville, Luiz Alberto de Oliveira Sá frequenta lojas e bancos no Jardim Canadá. Com o pedágio, passará a pagar tarifa toda vez que for ao bairro. Ele se preocupa com um possível impacto no mercado imobiliário, que provocaria a desvalorização dos terrenos e imóveis da região. "É um fator extremamente negativo", acredita.

A ANTT, que julgará o pedido de impugnação, informou que as sugestões para alteração do projeto deveriam ter sido apresentadas durante as audiências públicas, já encerradas. Dá a entender, assim, que não pretende fazer mudanças. O leilão para a concessão da BR-040 está previsto para o dia 30 deste mês. A expectativa da agência é que a cobrança tenha início até julho de 2014. Mesmo que muitos se sintam prejudicados, o modelo de concessão, só possível com o pedágio, tem se mostrado o mais eficiente e justo para garantir a todos boas condições de tráfego nas estradas. Os moradores dos condomínios da região, embora beneficiados com a obra, prometem resistir e ir às últimas instâncias. "Vamos brigar na Justiça", avisa o advogado Martins.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE