Urbanismo

Moradores podem mover ação popular contra plano de transformar Mercado Distrital de Santa Tereza em escola técnica

Convênio com a prefeitura cedeu terreno à Fiemg, que se diz aberta a instalar escola em outro lugar

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O projeto da Fiemg para a formação de operários do setor automotivo (detalhe) e o galpão ocioso, como está hoje: a indefinição já dura seis anos

O Mercado Distrital de Santa Tereza está fechado há seis anos. Para a área de 10 000 metros quadrados no tradicional bairro da Região Leste já foram cogitados vários destinos. O plano original era instalar ali a nova sede da Guarda Municipal. Após protestos, a prefeitura recuou e optou por um concurso. Três propostas foram submetidas a votação, em 2008: uma área cultural, uma escola de gastronomia e um centro de artes. Mas, por suspeita de fraude, o processo foi paralisado. Seguiram-se anos de abandono até que, em dezembro de 2012, apareceu outro projeto: uma escola para formar técnicos no setor automotivo, mantida pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Se depender de alguns moradores, no entanto, esse plano também não sairá do papel. O Movimento Salve Santa Tereza ameaça mover uma ação popular contra a instalação. "É a privatização de um espaço público", afirma a arquiteta Karine Carneiro, uma das integrantes do grupo, que esteve na Câmara Municipal, na última quarta (18), para debater o assunto.

Pelo convênio assinado com a prefeitura, além da estrutura para 3 800 alunos, a Fiemg criará uma área de lazer aberta ao público, com quadras de peteca e bicicletário. Apesar de o Conselho Municipal de Política Urbana (Compur) ter aprovado a proposta no mês passado, os moradores contrários ao projeto argumentam que a legislação municipal proíbe escolas com mais de 400 metros quadrados no bairro, que está em uma Área de Diretrizes Especiais (ADE). Presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior não descarta a possibilidade de levar o centro de formação para outro lugar se a polêmica persistir. "Não vamos aonde não somos queridos", diz ele. "Uma escola como essa é muito disputada e podemos fazê-la em outro lugar."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE