Política

Newton Cardoso Júnior é eleito deputado federal e manterá dinastia dos Cardoso no poder

O menino que criava um leão no Palácio Mangabeiras deixou os negócios para ser eleito deputado federal

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Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O deputado eleito, no memorial criado para seu pai: "Eu virei o Newtão e ele, o doutor Newton"

E le acaba de ser eleito, mas já está de olho no gabinete que vai ocupar na Câmara dos Deputados, em Brasília, a partir de 2 de fevereiro. Quer o 932, o mesmo onde o pai, o ex-governador de Minas Newton Cardoso, e a mãe, Maria Lúcia, exerceram cada um três mandatos. Para continuar a dinastia da família e "renovar a política", como gosta de repetir, o administrador de empresas Newton Cardoso Júnior, de 34 anos, recebeu 128 489 votos. "Farei um trabalho sério, transparente e voltado para as necessidades da população", promete, em seu escritório, vizinho ao do pai, em um prédio dos Cardoso, no Buritis. Nesta campanha, herdeiros políticos se deram bem - e não só por aqui. Marco Antônio Cabral (PMDB) e Pedro Cunha Lima (PSDB), filhos de ex-governadores do Rio e da Paraíba, respectivamente, são outros exemplos. "A política se renova, em parte, dentro dos mesmos grupos, mostrando a dificuldade de a democracia criar lideranças", afirma o professor da UFMG Carlos Ranulfo. Todos carregam um sobrenome de peso e, no caso mineiro, até o apelido. "Eu virei o Newtão e o meu pai, o doutor Newton", explica o principiante. "Seguirei os passos dele, acrescentando um ingrediente da minha mãe, o diálogo."

O pai não cabe em si de tanta satisfação. "Meus eleitores me cobravam um sucessor", diz ele. Não à toa, o município em que Newtão Júnior mais recebeu votos (20%) foi Contagem, berço da carreira política do patriarca. Outra base eleitoral é o Centro-­Oeste, onde se encontra parte do conglomerado empresarial da família. Newtão pai é um homem riquíssimo. Durante o processo de separação de Maria Lúcia, a ex-mulher estimou sua fortuna em 2,5 bilhões de reais. Mas o próprio ex-governador ressaltou, em 2009, que seu patrimônio era ainda maior, incluindo 145 fazendas e 150 carros. O filho declarou ao Tribunal Superior Eleitoral bens no valor de 1,7 milhão de reais. "Sou funcionário das empresas do meu pai, e não sócio", diz.

As primeiras recordações da infância de Newtão Júnior são da mudança de Contagem para o Palácio das Mangabeiras, a residência oficial dos governadores. "Lá, eu ganhei um leão-bebê, que ficou no meu quarto por dois anos", lembra. Depois, o felino foi levado à fazenda de Pitangui, onde se juntou a um tigre e uma onça. Aluno do Colégio Marista Dom Silvério, o deputado eleito diz ter sofrido bullying por causa do pai. "Fui segregado e chamado de 'filho do porcão'", desabafa. A vida só melhorou quando se mudou para a Escola Americana, onde, enfim, foi popular. "Eu era capitão dos times de vôlei e basquete." Casado com a pedagoga Ana Paula, ele sabe que os filhos - Maria Júlia, de 7 anos, João Pedro, de 6, e Maxmiliano, de 1 - podem ser também vítimas de piadas, mas pretende prepará-­los para lidar melhor com a situação. Ri ao contar que seu pai já recorreu a receitas e tratamentos nada convencionais em busca de longevidade. "Ele não dá detalhes, mas tomou até injeção de cérebro de ovelha negra em um spa da França", revela. Ao que tudo indica, a longevidade da família na política está garantida. Pelo menos nos próximos quatro anos.

Pinga-fogo

› Aborto: "Sou católico e só o defendo quando a saúde da mulher é ameaçada".

› Casamento homossexual: "Sinceramente, não é o que quero para os meus filhos e não sou propagador do casamento de pessoas do mesmo sexo. Mas nada contra. Votaria a favor".

› Legalização das drogas: "Defendo a criminalização, com exceção do uso medicinal. Nunca fumei nem cigarro".

› Bolsa Família: "Necessário. Tem lugar em que não adianta ensinar a pescar porque não existe peixe".

› Minha Casa, Minha Vida: "É preciso priorizar a camada mais pobre. O programa padroniza e melhora o aspecto do lugar onde se constrói. Se deixar morar em qualquer lugar, vira favela".

› Corrupção: "Quem entra na política tem de ser sério e transparente, voltado para o interesse público, sem medo de fazer o que for necessário para combater a corrupção".

› Uma prioridade: "Lutar contra o mineroduto planejado entre a região de Grão Mogol e Ilhéus, na Bahia. Quero articular a construção de um polo industrial".

› Defeito: "Sou prolixo".

› Qualidade: "Sou detalhista".

› Alegria: "Minha família".

› Vergonha: "Não ter dedicado mais tempo à formação intelectual".

› Loucura: "Ser DJ nas festas da família e de amigos".

› Música: "Eletrônica".

› Livro: "O Negociador, de Frederick Forsyth".

› Filme: "É vergonha eu dizer Os Vingadores? Gosto de super-heróis".

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE