Nota dez

Nota dez

Nome: Frederico Sálvio | Profissão: acupunturista e massagista | Atitude transformadora: fundou o projeto Macarronada Solidária, que distribui, aos domingos, cerca de 150 refeições a moradores de rua na Praça da Estação

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

"A comida é o cartão de visita para eu me aproximar e criar uma relação de confiança"

A semente que inspirou o acupunturista e massagista Frederico Sálvio a fazer o bem foi a lentilha. No réveillon de 2013, ele decidiu preparar uma receita com o alimento que simboliza a fartura e a prosperidade para distribuir a moradores de rua no Centro de Belo Horizonte. Foram 7 quilos de comida e vários sorrisos compartilhados. "Esse ato plantou no meu coração a vontade de ajudar as pessoas", lembra. Na virada do ano seguinte, Sálvio cozinhou 15 quilos de lentilha com arroz temperado, repetiu a iniciativa e percebeu que a solidariedade não poderia ficar restrita às festas de fim de ano. A partir daí, começou a usar seu único dia de folga, o domingo, para matar a fome dos que, sem a família por perto, perambulam pelas imediações da Praça da Estação. Em páginas de redes sociais, Sálvio mobilizou amigos, pediu doações e, para simplificar o cardápio, definiu que o almoço a ser servido seria sempre um suculento espaguete. Um grupo de doze voluntários aderiu à ideia, e o projeto ganhou o nome de Macarronada Solidária. Nas primeiras ações, foram distribuídas cerca de quarenta refeições. Hoje, um ano depois, são 150 pratos, acompanhados de 50 litros de suco - tudo preparado na cozinha de sua casa, no bairro Floresta.

E Sálvio faz questão de jamais utilizar marmita. "O almoço oferecido no prato é menos impessoal e incentiva as pessoas a comer juntas", conta. Desse hábito, ele extrai a principal lição do projeto. "Descobri que a comida é o cartão de visita para eu me aproximar das pessoas e criar uma relação de confiança com elas." Prova disso é sua amizade com um dos moradores de rua mais conhecidos da Praça da Estação: o "Bailarino". Natural de Campinas (SP), o senhor, que não revela o nome nem a idade, fez aniversário em janeiro e ganhou de presente dos voluntários uma festa, com direito a doces e bolo decorados com o escudo do Atlético, seu clube do coração. Durante a comemoração, Bailarino contou que, com os participantes da Macarronada Solidária, ele redescobriu o sentido da palavra família. E agora faz planos de retornar ao interior de São Paulo para reencontrar parentes. "Isso me enche de esperança para ir cada vez mais longe", diz Sálvio, que sonha em estender as ações do projeto a outras praças de BH, como a da Rodoviária e a Raul Soares.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE