Música

Novas cantoras se destacam na noite belo-horizontina pela voz e pelo visual caprichado

Para conquistar o público, elas investem na mistura de músicas consagradas com canções próprias

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Nome: Gabriela Pepino. Idade: 25 anos. Estilo musical: jazz, blues e soul

Uma nova safra de cantoras vem chamando atenção na noite belo-horizontina. A voz marcante cativa o público, mas não é o único trunfo. Elas encantam também pelo charme e pela beleza. Cada uma em seu estilo, Gabriela Pepino, Gabi Mello, Geisa Andrade, Samantha Carpinelli e Tânia Azze têm palco garantido em bares da cidade. Quando elas se apresentam, não faltam gritinhos da plateia nem bilhetinhos picantes entregues aos garçons. E o assédio não é só masculino. "Recebo cantadas de mulheres na mesma proporção", conta Tânia. "Elas costumam ser tão ousadas quanto eles", completa Samantha. Embora se sintam lisonjeadas, as moças não querem ficar conhecidas apenas pela aparência. E dão duro para que as músicas que cantam recebam tantos elogios quanto seus looks.

"Muitas pessoas se surpreendem ao me ouvir porque esperavam que eu fosse só uma loirinha bonitinha", diz Gabriela Pepino. Quando tinha 17 anos, ela convenceu os pais a bancar um curso na prestigiada Berklee College of Music, em Boston, nos Estados Unidos. Nos três meses que passou fora, fez aulas com artistas consagrados, como o contrabaixista de jazz Ron Carter e o cantor James Taylor. "Aprendi nesse pouco tempo o que levaria anos para absorver aqui", afirma ela, que costuma se apresentar em lugares como o Vinnil, na Savassi, e o Café de la Musique, em Lourdes, com um repertório de jazz, blues e soul. Aos 25 anos, investe em versões de clássicos de Muddy Waters e Etta James e arranca calorosos aplausos com sua empolgante interpretação de I Just Want to Make Love to You, de Willie Dixon. Seu primeiro disco, Let Me Do It, lançado no ano passado, inclui canções autorais.

Mesclar músicas consagradas com o trabalho próprio é a estratégia de Gabi Mello. A morena de 26 anos toca principalmente rock, mas gosta de apresentar misturas inusitadas nas suas performances. "Faço medleys com Nirvana e Michael Jackson, que são completamente diferentes", conta a cantora, figura conhecida em casas como Jack Rock Bar, na Savassi, e Lord Pub, no São Pedro. Ao contrário das canções que costuma interpretar, as músicas autorais de Gabi são em português. Caramujos, um rock que trata de relacionamentos amorosos, ganhou, no fim do mês passado, um clipe com cenas das mais de 100 apresentações da artista em 2012. "É a glória quando as pessoas cantam comigo", comemora Gabi, que busca inspiração em Hayley Williams, da banda Paramore, e na cantora pop Pink.

[1] Victor Schwaner/Odin  [2] TV Globo/João Cotta  [3] Nidin Sanches/Odin  [4] Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

[1] Nome: Geisa Andrade (Mosh Lab)

Idade: 29 anos

Estilo musical: rock e rockabilly

[2] Nome: Samantha Carpinelli (Maria Bunita)

Idade: 31 anos

Estilo musical: sertanejo universitário

[3] Nome: Tânia Azze

Idade: 32 anos

Estilo musical: jazz e rockabilly

[4] Nome: Gabi Mello

Idade: 26 anos

Estilo musical: rock

As influências de Tânia Azze também vêm de fora. Quando Amy Winehouse morreu, em 2011, ela ainda se dividia entre a música e a dança do ventre. Foi depois do convite para interpretar uma canção da artista inglesa no programa jornalístico MGTV, da Rede Globo, que ela percebeu que gostava mais do microfone do que dos lenços e das lantejoulas que usava para o bailado árabe. Com a voz grave e levemente rouca, que lembra a de sua musa, ela começou cantando jazz, inspirada por nomes como Billie Holiday e Ella Fitzgerald, passou pelo blues e hoje tem mais influências do rockabilly. No repertório, inclui ainda versões de Etta James e dos Beatles, além de nunca deixar de fora sua composição autoral After Kicks, que fala sobre o fim de namoros. Com um look que lembra o das cantoras dos anos 50, ela aposta em penteados ousados, lenços e sapatos de salto plataforma. "Gosto de roupas e acessórios que deem um clima retrô", diz Tânia, que pode ser vista no Elvis King Pub, no Funcionários.

O jeitão de Geisa Andrade é parecido. A maquiagem acentuada e o topetão viraram sua marca registrada. Graças ao penteado estiloso, a cantora de 29 anos começou a ser reconhecida na rua. "Gasto muito laquê, mas não faço show sem ele de jeito nenhum." O grupo de Geisa, o Mosh Lab, aposta no rockabilly. "Damos uma cara atual a músicas antigas e vice-versa", conta. Suas versões podem ser conferidas toda quinta-feira no Collin's Pub, onde o quarteto faz residência.

Com um visual menos espalhafatoso, Samantha Carpinelli ainda colhe os frutos de sua participação no programa de calouros The Voice, da Rede Globo. Na sua primeira aparição, ela cantou Nuvem de Lágrimas, que ficou famosa na voz de Chitãozinho e Xororó, e foi escolhida para entrar no time de Lulu Santos. O cantor apostou nela para suprir a deficiência de sertanejo de seu grupo, mas acabou eliminando-a em outra etapa. A experiência, porém, abriu-lhe novas portas. "Aparecer em um programa assim vira uma referência", diz a morena de 31 anos, que nasceu em Teófilo Otoni mas se mudou para cá há treze anos. Hoje, é atração no circuito sertanejo de BH em casas como o Alambique, no Estoril, onde se apresenta com a banda Maria Bunita, composta inteiramente de mulheres.

"Elas atraem público", afirma o empresário Gustavo Jacob, um dos sócios do Circuito do Rock, que reúne as casas Circus, Jack Rock Bar e Lord Pub. "As pessoas gostam de ver mulheres no palco, principalmente se têm atitude como essas meninas." Graças ao prestígio crescente, quase todas conseguem viver exclusivamente da música, embora nem sempre só de shows. Apesar de formada em direito, Geisa Andrade nunca exerceu a profissão. Gabi Mello ministra aulas de iniciação musical e Gabriela Pepino tem sido convidada para cantar em casamentos e eventos corporativos. Samantha Carpinelli, que dá expediente em um estúdio de gravação, é atração de festas no interior por causa da exposição no The Voice. Tânia Azze é a única que mantém uma carreira paralela como designer em uma agência. "Tento conciliar as duas atividades ao máximo", diz. A esperança de todas é que a boa repercussão do trabalho na noite belo-horizontina contribua para levá-las a palcos maiores. Mas paqueradores que costumam frequentar as casas onde as moças se apresentam não precisam lamentar o fato de elas pretenderem cantar em outras freguesias. Todas juram que eles não teriam mesmo chance, já que os namorados fazem marcação cerrada nos shows. Às vezes, até mesmo no palco, como os guitarristas Henrique Filizzola, que acompanha Gabi, e Tiago Borba, que toca com Geisa. Eles garantem que levam numa boa as cantadas que os marmanjos jogam para cima de suas garotas. "Sei que não tem muito jeito", resigna-se Borba. "Mas, se alguém passa dos limites, chamo logo os seguranças para afastar o abusadinho."

Para ver e ouvir

Na internet há uma boa mostra do trabalho das cinco cantoras que estão chamando atenção nos bares da cidade. Confira:

Gabi Mello

www.gabimello.com

Gabriela Pepino

www.gabrielapepino.com.br

Geisa Andrade

www.moshlab.com

Samantha Carpinelli

www.mariabunita.com.br

Tânia Azze

www.facebook.com/taniaazzesinger

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE