Obras

Engenheiros quebraram a cabeça para poder trabalhar em várias frentes no Mineirão

Várias obras foram feitas ao mesmo tempo para concluir a reforma na data estipulada no contrato

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Sylvio Coutinho
(Foto: Redação VejaBH)

Operários trabalham na passarela que ligará o Mineirão ao Mineirinho, em foto de abril: no total, foram usados 107 000 metros cúbicos de concreto

Engenheiros quebraram a cabeça para poder trabalhar em várias frentes ao mesmo tempo e concluir a reforma na data estipulada no contrato.

Foram quase 1 000 dias de trabalho, 9 000 toneladas de aço, 107 000 metros cúbicos de concreto. Sem contar 176 amortecedores, 8 136 placas de sinalização e mais de 13 000 metros quadrados de cobertura. O canteiro de obras ocupou a área de dezoito quarteirões. No auge da reforma, em outubro, mais de 3 000 pessoas circulavam por ali ao mesmo tempo. Tudo isso para que, na próxima sexta-feira (21), poucos dias antes do Natal, o Gigante da Pampulha seja entregue a Belo Horizonte como seu estádio para a Copa do Mundo e palco também do próximo Campeonato Mineiro, do Campeonato Brasileiro e da Copa das Confederações.

Sylvio Coutinho
(Foto: Redação VejaBH)

A cobertura: treliças de aço revestidas de 13 000 metros quadrados de lona

Ao todo, a reforma custará 695 milhões de reais — 6% desse valor é bancado pelo governo do estado e o restante, pela empresa Minas Arena, com financiamento do BNDES. Para Antônio Sérgio de Rezende, presidente do Engserj, o escritório de engenharia responsável pelo projeto executivo das fundações e das estruturas de concreto, um dos maiores desafios foi a nova cobertura. Por isso mesmo, é a façanha que relata com mais orgulho. Por exigência da Fifa, nenhum torcedor pode ficar debaixo de chuva. O problema era como estender a cobertura dos antigos 30 metros de comprimento para mais de 55. "No projeto básico, assinado por alemães, colunetas de aço perfurariam o estádio de cima para baixo", conta Rezende. Por esse método, seria preciso esperar a arquibancada nova ficar pronta, o que atrasaria o cronograma. E pior: parte das novas colunas ficaria visível, criando pontos cegos. "Pedimos outra solução", relata Severiano Braga, diretor de operações da Minas Arena, que vai administrar o estádio por 25 anos. A ideia bolada pelo Engserj foi fixar uma treliça de aço na cobertura de concreto, parte dela içada por guindastes (veja infográfico na pág. 22). Uma das preocupações era reforçar o Mineirão com cabos de aço e outros suportes para ele aguentar o peso da cobertura nova. "Foi uma solução mineira", diz Rezende. De acordo com a V&M do Brasil, fornecedora dos tubos de aço, foi a primeira vez no mundo que esse tipo de adequação de treliças ao concreto pôde ser feito numa estrutura já existente. Para chegarem ao desenho de uma cobertura que resistisse bem aos ventos da Lagoa da Pampulha, os engenheiros criaram trinta desenhos tridimensionais do Mineirão e, depois, realizaram outros 250 ajustes até alcançar o modelo final. Uma maquete foi testada em um túnel de vento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para descobrir que parte do estádio receberia as rajadas mais fortes.

Sylvio Coutinho
(Foto: Redação VejaBH)

O campo rebaixado, a antiga geral demolida (à esquerda) e a nova arquibancada tomando forma (à direita): menos cadeiras e mais conforto

Outra inovação dos mineiros para acelerar a obra foi trazer peças pré-moldadas para montar a esplanada ao redor do estádio, em vez de montá-las no local, como previa o projeto básico e foi feito com o Mineirão original. Apenas parte das vigas e coberturas foi concretada no canteiro de obras. Dispensando andaimes, trinta alpinistas industriais instalaram a lona de teflon que ficará acima das cadeiras, o que liberou o campo para outras etapas finais, como drenagem, limpeza e instalação das cadeiras.

O maior problema da engenharia, segundo Rezende, foi a escassez de documentação sobre os pilares de sustentação do estádio. "Cavamos e descobrimos que algumas fundações tinham 6 ou 7 metros de profundidade e outras, até mais de 10", afirma. "Essa diferença foi uma surpresa." Por isso, o trabalho subterrâneo, necessário para construir os novos acessos e o estacionamento da esplanada, tornou-se delicado. Os engenheiros também enfrentaram coberturas expostas e infiltrações, entre outras dificuldades. Mas houve surpresas boas. "O concreto estava excelente, com boa resistência. O Mineirão original foi feito com concreto da melhor qualidade", diz Rezende. Um legado de quase cinquenta anos, agora reforçado para novas gerações.

+ Sob sol e chuva: o passo a passo da instalação da nova cobertura do Mineirão

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE