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Entorno da Lagoa da Pampulha oferece muitas atrações para o lazer dos belo-horizontinos e dos turistas

Região onde está o Mineirão abriga também obras de Oscar Niemeyer, zoológico, parque de diversões e bons restaurantes

Por: Vicente Cardoso Júnior - Atualizado em

Alberto Andrich
(Foto: Redação VejaBH)

Na primeira metade da história de Belo Horizonte, a Pampulha era sinônimo de zona rural. Corria ali um ribeirão, com o mesmo nome da futura lagoa, que começou a ser represado em 1936. O objetivo inicial era receber as águas das chuvas, evitando enchentes e contribuindo para o abastecimento da capital. Foi Juscelino Kubitschek quem, ao assumir a prefeitura, em 1940, vislumbrou possibilidades mais ousadas para a região. "Ele quis criar ali um movimento de vitalidade econômica e cultural, tendo um cassino como âncora do empreendimento", conta o professor de arquitetura e urbanismo da UFMG Flávio Carsalade. Projetado por Oscar Niemeyer, o conjunto da Lagoa da Pampulha é reconhecido como um marco inaugural do modernismo brasileiro na arquitetura e o principal cartão-postal de Belo Horizonte. Além das obras idealizadas por JK, muitas outras atrações para o lazer dos belo-horizontinos surgiram ali. Durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, entre um jogo e outro, serão opções também para os turistas.

Nova para 2014 Até o Gigante da Pampulha perde um pouco de sua grandeza perante os 18 quilômetros de orla da lagoa. Embora o conjunto arquitetônico seja obra de Juscelino Kubitschek, a ideia de represar o Ribeirão Pampulha foi do prefeito anterior, Otacílio Negrão de Lima, que dá nome à avenida que contorna as suas águas. A prefeitura garante que a lagoa, hoje poluída, estará apta a receber esportes náuticos a partir de 2014. Os belo-horizontinos ficam na torcida.

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Uma igreja moderna

A Igreja São Francisco de Assis, mais conhecida como Igrejinha da Pampulha, é uma das inovadoras construções no entorno da lagoa. Projeto ousado de Niemeyer — um único elemento em curva lembra montanhas e liga o teto ao chão —, o templo não agradou de imediato à comunidade eclesiástica, que se recusou a consagrá-lo por mais de três anos. O mural do altar e o painel externo retratando o santo, assim como as pinturas sobre os azulejos que representam a Via Sacra, são de Cândido Portinari.

Igreja São Francisco de Assis

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 3000, ☎ 3427-1644. Visitas de terça a sábado e nos feriados, das 9h às 17h; domingo, das 12h às 17h. Missas aos domingos, às 9h30

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O palácio de cristal

A vida noturna da Pampulha girava em torno dele. Na época de sua inauguração, em 1943, o edifício do Museu de Arte da Pampulha era conhecido como Palácio de Cristal, por causa de seus vidros espelhados, e abrigava um cassino. Três anos depois, com a proibição dos jogos no Brasil, teve de ser fechado. Apenas em 1957 foi reaberto, passando a funcionar como um museu. Seu acervo reúne hoje cerca de 1 500 obras de arte contemporânea. O paisagista Roberto Burle Marx, importante parceiro de Niemeyer nos projetos do conjunto arquitetônico da Lagoa da Pampulha, criou os jardins.

Museu de Arte da Pampulha

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, ☎ 3277-7946. De terça a domingo, das 9h às 18h

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Estímulo ao esporte

A paisagem agradável da lagoa é um convite à prática esportiva. Foi pensando nisso que o prefeito JK idealizou o Iate Golfe Clube. Seu projeto original previa uma sede na orla e outra para o treino de golfe na área onde fica atualmente o Jardim Zoológico e Botânico. O edifício às margens da lagoa traz referências náuticas: a fachada em forma de proa, que remete a um traço recorrente de um dos precursores da arquitetura modernista, o francês de origem suíça Le Corbusier. Em 1960, a sede da orla foi vendida pela prefeitura e hoje abriga o Iate Tênis Clube, que tem cerca de 800 sócios. Para ser sócio-usuário, a taxa familiar custa 650 reais e a individual, 380 reais.

Iate tênis Clube

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 1350, ☎ 3490-8400

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Natureza

Se você encontrar uma iguana por ali, não pense que ela fugiu do zoológico. Além das famosas capivaras, outros animais incomuns ao ambiente urbano habitam o Parque Ecológico da Pampulha. Espaço de lazer e contato com a natureza, também abriga uma boa programação de eventos culturais, como o Festival Internacional de Teatro (FIT). A área tem 30 hectares.

Parque Ecológico da Pampulha

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 6061, ☎ 3277-7439. Aberto ao público de sexta a domingo, das 8h30 às 17h

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Para adultos e crianças

O simpático Parque Guanabara é hoje um dos símbolos da Lagoa da Pampulha, mas rodou muito antes de se fixar por ali. O centro de diversões foi inaugurado em 1951, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, como parque itinerante. Passou por três estados até chegar a Belo Horizonte, em 1967. Teve três endereços na cidade antes de se instalar, em 1970, no atual. A entrada é gratuita, e os ingressos para os brinquedos custam de 2,90 a 5,90 reais. Uma das atrações para crianças e adultos é a roda-gigante, a segunda maior do país, com raio de 36 metros.

Parque Guanabara

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 3333, ☎ 3439-7300.De terça a sexta, das 13h às 22h; sábado, das 11h30 às 22h; domingo, das 10h30 às 21h

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Clima de fazenda

As receitas típicas da roça são atrativos em dois dos mais famosos restaurantes da região. No Paladino (foto), há uma fazendinha com cabra, coelho, vaca e outros animais. Da cozinha, os destaques são o ripa na chulipa (costela de porco assada no molho barbecue) e a sobremesa mineirinho (sorvete de queijo com cobertura de goiabada). No Xapuri, que também aposta no estilo rural, a costelinha da sinhá (costelinha frita com mandioca e tropeiro) e o carré ao melaço (carré de porco ao molho agridoce com taioba) estão entre os pratos que mais fazem sucesso.

Paladino

Avenida Gildo Macedo Lacerda, 300, ☎ 3447-6604. De terça a sábado, das 12h às 23h; domingo e feriados, das 12h às 18h Xapuri Rua Mandacaru, 260, ☎ 3496-6198. Terça e quarta, das 11h às 15h; de quinta a sábado, das 11h à 0h; domingo, das 11h às 17h

Jair Amaral/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

A pequena Ilha

Com restaurante e pista de dança, a Casa do Baile foi idealizada para sediar eventos sociais, mas acabou sendo fechada em 1946. De lá para cá, já serviu a diferentes usos. Em 2002, passou a funcionar como um centro de referência em arquitetura, urbanismo e design, sediando exposições temporárias. Situada em uma ilha artificial, a construção tem uma marquise que reflete as curvas das margens.

Casa do Baile

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751, ☎ 3277-7443.De terça a domingo, das 9h às 18h

Jair Amaral/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

O descanso de JK

O propósito da Casa Kubitschek era estimular a construção de chácaras na região da Pampulha. Para começar, o próprio Juscelino daria o exemplo, passando os fins de semana na residência da orla da lagoa. Mas ele se desfez do imóvel apenas três anos depois de inaugurado, vendendo-o a um de seus assessores. Por causa do significado histórico, a casa — que tem projeto arquitetônico de Niemeyer e paisagístico de Burle Marx — foi desapropriada pela prefeitura em 2005 e hoje passa por restauração. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, a proposta é utilizá-la como um centro de memória sobre a ocupação da Pampulha e o estilo de vida da elite belo-horizontina nos anos 40. A meta é concluir a reforma a tempo da Copa das Confederações, em 2013.

Casa Kubitschek

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 4188

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

1 200 animais

O zoológico de BH, que perdeu em março sua mascote, o lendário gorila Idi Amin, reúne cerca de 1 200 animais, de 240 espécies. Foi criado em 1959. No início dos anos 90, cerca de 10 hectares passaram a ser utilizados como Jardim Botânico, fornecendo mudas para plantio em ruas, parques e escolas da cidade.

Zoológico e Jardim Botânico

Avenida Otacílio Negrão de Lima, 8000, ☎ 3277-7248. De terça a domingo, das 8h30 às 16h

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE