Mineirinho

Fachada do Mineirinho será revitalizada para a Copa do mundo

Porém, o ginásio irmão mais novo do Mineirão precisa é de uma reforma completa

Por: Vicente Cardoso Júnior - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin e Gustavo Freitas/D.A Press/D.A Press (UFC)
(Foto: Redação VejaBH)

O ginásio poliesportivo, inaugurado em 1980, com capacidade para 25 000 espectadores: palco para grandes eventos, como a edição mineira do UFC (acima), realizada em junho

Imagine o Mineirinho todo revestido de vidro, com restaurante panorâmico e piscina olímpica aquecida, entre outros confortos. Não, não se trata da mais nova proposta de reforma para o ginásio, e sim de seu projeto original, que começou a ser esboçado pelo governo estadual em 1971. As obras tiveram início dois anos depois, mas não evoluíram como o previsto. "Tiramos o que havia de faraônico para adequar os gastos às condições reais do governo", conta Afonso Celso Raso, ex-diretor da Ademg, a estatal responsável pela administração dos estádios públicos. O objetivo era fazer do Palácio dos Esportes — nome que nunca pegou — uma referência tão significativa para esportes como vôlei, handebol e basquete quanto o Mineirão para o futebol. Com capacidade para 25 000 espectadores, ao ser inaugurado, em 1980, era o maior ginásio poliesportivo da América Latina. Em pouco tempo, consagrou-se como a casa das seleções nacionais de vôlei, uma modalidade que começava a se popularizar no país. A partida contra a Itália, pela Liga Masculina de 1995, reuniu quase 27 000 pessoas. O Mineirinho tornou-se também, apesar dos problemas de acústica, o espaço preferencial para megashows como os de Roberto Carlos. Ocupando a quadra como pista, a apresentadora Xuxa atraiu 30 000 fãs nos anos 90. Coberto de terra, o ginásio já sediou até demonstrações de motocross e espetáculos de gelo, o internacional Holiday on Ice. Ainda hoje, continua sendo utilizado para essas e outras atrações. Em junho, foi lá que ocorreu a edição mineira do UFC, o maior campeonato de artes marciais mistas do mundo.

"O Mineirinho sempre foi bom para grandes eventos. Nosso desafio, porém, é fazer dele um palco contínuo do esporte", diz Ricardo Raso, atual diretor da Ademg. Das quarenta salas construídas para abrigar federações esportivas, apenas doze estão ocupadas. Segundo Raso, em relação ao projeto original, apenas 50% foram concretizados. Para a Copa do Mundo, o que está previsto é pouco mais que uma faxina. A fachada e o paisagismo da área externa serão revitalizados, de modo paliativo, longe de atender às necessidades da arena. "Trata-se de um prédio com mais de trinta anos de uso que nunca passou por uma restauração radical", lamenta o diretor. "É hora de discutirmos o que queremos para o Mineirinho. Cabe qualquer coisa naquela área, mesmo um shopping, mas não acredito que essa seja sua finalidade." Com a entrega da administração do Mineirão a uma empresa privada, a expectativa é que seu irmão caçula vire, enfim, prioridade para a Ademg. Que venha a reforma.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE