Literatura

Com novo setor infantojuvenil, Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa aposta nos novos leitores

Com cerca de de 570 000 obras no acervo, espaço na Praça da Liberdade, atrai 400 000 usuários por ano

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Biju: o setor para crianças e adolescentes dobrou de tamanho. O leitor voraz Sebastião Rocha e o incunábulo de 1493: raridades

Temo o homem de um livro só." Do mal descrito por São Tomás de Aquino, Sebastião Luiz Rocha, de 70 anos, não sofre. Frequentador assíduo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o aposentado completou, em dezembro, a leitura de seu 62º livro no ano. "Volto à medida que acabo de ler. Praticamente, toda semana", diz. Rocha é um dos 400 000 leitores que comparecem, anualmente, ao prédio instalado no Centro Cultural Praça da Liberdade. Com seu sexagésimo aniversário celebrado em novembro, o espaço continua em ritmo de festa. Até fevereiro fica em cartaz a exposição 60 Anos Colecionando o Saber, um panorama das obras que compõem o seu acervo e as minúcias de sua trajetória. O principal presente, no entanto, foi concluído há três meses, com a ampliação e a modernização do Biju, o setor infantojuvenil: ele dobrou de tamanho e ganhou espaço dedicado à contação de histórias, além de brinquedoteca e estantes ludicamente recheadas.

Com quase 9 500 metros quadrados - incluindo o prédio-sede e o anexo Professor Francisco Iglésias -, a Luiz de Bessa guarda mais de 570 000 exemplares. Desses, 70 000 podem ser levados para casa pelos usuários que têm carteirinha. Todo mês, saem cerca de 6 500 livros. O restante está à disposição para consulta e leitura, trabalho acompanhado com apuro por um dos quase setenta bibliotecários. São eles que fazem questão de exibir, por exemplo, a obra mais antiga preservada, o incunábulo Concordia Discordantium Canonum, de 1493. "O livreiro é a ponte entre o acervo e o leitor", exalta a diretora de formação e processamento técnico de acervo da biblioteca, Cleide Fernandes.

A julgar pelos números, os belo-horizontinos vêm sendo muito bem orientados. De todos os títulos, os campeões de empréstimo são Obras Completas de Sigmund Freud, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Repertório para literato nenhum botar defeito.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE