Entrevista

Cinco perguntas para Sebastião Salgado

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Donata Wenders
(Foto: Redação VejaBH)

O celebrado fotógrafo mineiro Sebastião Salgado e sua mulher, Lélia Wanick, desembarcam na capital na segunda (9) para participar do evento Sempre Um Papo, no Sesc Palladium. No encontro eles pretendem debater questões relacionadas ao abastecimento de água e ao Instituto Terra, que mantêm em Aimorés desde 1998. Os dois também vão falar sobre o filme O Sal da Terra, dirigido por Wim Wenders e por Juliano Ribeiro (filho de Salgado), que concorreu ao Oscar de melhor documentário este ano. Conversamos com Sebastião Salgado sobre sua relação com a terra natal e sobre o longa de Juliano.

Com que frequência você vem a Belo Horizonte?

Ah, muito pouco. Moro em Paris e venho às vezes no instituto [Instituto Terra, em Aimorés] e no ano passado, em junho, vim ao Palácio das Artes para a abertura da minha exposição.

Você nunca fotografou BH ou Minas Gerais profissionalmente. Por quê?

Nunca fotografei. Na verdade, tenho fotos pessoais que fiz em Belo Horizonte e em algumas viagens por perto, como em Macacos e Ouro Preto, que é uma cidade de que gosto muito. Até pensei em clicar umas grutas de Minas Gerais para entrar no projeto Gênesis, mas acabei não concretizando isso. Não moro aqui, sabe? Sou um fotógrafo do mundo, de temas mais globais. No Brasil, por exemplo, fotografei a Amazônia, que é aquela imensidão, e o Nordeste, que eu conhecia muito pouco até fazer as fotos.

Depois de tantos países, personagens e paisagens diferentes, o que ainda falta para você clicar?

Nossa...Tanta coisa! Adoro viajar na janela do avião e ficar olhando lá de cima o tanto de lugares maravilhosos que ainda não fui. Eu fotografei pouca coisa, trinta e poucos países. Isso é uma amostragem muito pequena perto da infinidade de coisas maravilhosas do mundo. Ainda falta eu conhecer 99,9999% do planeta.

Como você e seu filho [Juliano Ribeiro] receberam a notícia de que o documentário O Sal da Terra não tinha levado o Oscar?

Achei ótimo, na verdade. Por várias razões. Só de estar entre os nominees...como fala?... entre os indicados, já foi uma coisa maravilhosa. É o primeiro longa metragem do Juliano, é claro que é difícil ganhar logo de primeira. E, outra coisa, o Oscar é um prêmio americano para os americanos.

Mas o grande vencedor desta edição foi um mexicano, o diretor Alejandro González Iñárritu.

Sim, mas é um mexicano que mora lá [nos EUA], vive lá. Eles até dão espaço para produções estrangeiras, mas têm uma categoria específica pra isso. O Sal da Terra é um filme belíssimo do Juliano e do Wim Wenders que venceu o César, que é importantíssimo. Mas é claro que vencer um Oscar também tem um prestígio imenso. Pensando bem, ainda bem que o Juliano não ganhou. Imagina: como é que eu ia conseguir falar com meu filho depois disso? Ia ter que marcar horário! (risos).

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE