Teatro

Confira dez peças da Campanha de Popularização do Teatro que fogem do riso fácil

Escalação do evento, com espetáculos por toda Belo Horizonte, não é feita só de comédias

Por: Isabella Grossi - Atualizado em

Samuel Mendes
(Foto: Redação VejaBH)

Nem só de gargalhada é feita a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Apesar de ser o gênero favorito do grande público, a comédia abre espaço para peças intensas e emocionantes. Confira dez espetáculos que podem até não fazer rir, mas sem dúvida valerão o ingresso.

Aqueles Dois

Inspirado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu (1948-1996), o drama da companhia Luna Lunera apresenta a história de dois funcionários de uma repartição burocrática, Raul e Saul, que, entre um cafezinho e outro, acabam desenvolvendo laços de cumplicidade. Não há um personagem para cada ator. Cláudio Dias, Guilherme Théo, Marcelo Souza Silva e Odilon Esteves interpretam ambos. Com exceção de Théo, todos eles assinam a criação e a direção da peça, ao lado de Zé Walter Albinati (90min). 16 anos. Estreou em 16/11/2007.

Teatro Bradesco (613 lugares). Rua da Bahia, 2244, Lourdes, ☎ 3516-1360. → Quarta a sábado, 20h; domingo, 19h. R$ 15,0 (Sinparc). Até 1° de março. Reestreia prometida para 25 de fevereiro.

Carolina, de Lorca

A gravidez foi uma experiência marcante para a atriz e bailarina Carolina Correa. Tanto que, após ter vivenciado a maternidade, a artista concordou em subir aos palcos para investigar o tema. Esteja avisado: apesar de envolver um assunto cândido, a peça explora, sem constrangimentos, a forma como a gestação afeta o comportamento da mulher e da família. Por meio do teatro e da dança - linguagens que se fundem com música e cinema em alguns instantes da montagem -, a tragicomédia dá visibilidade aos momentos de leveza e de angústia, assim como à solidão e às inquietações comuns no período de espera por um filho (40min). 14 anos. Estreou em 5/10/2014.

Centro Cultural Banco do Brasil (270 lugares). Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a domingo, 20h. R$ 5,00 (Sinparc). Até 22 de fevereiro. Reestreia prometida para 11 de fevereiro.

180 Dias de Inverno

Durante seis meses, o artista plástico e escritor paulista Nuno Ramos cuidou de sua esposa, Sandra, que sofria de depressão e anorexia bulímica. A história desse "amor imenso e cansativo, que deve dizer bem alto: eu quero você mesmo assim", nas palavras dele, foi editada no conto Minha Fantasma (parte do livro Ensaio Geral, de 2007), mais tarde adaptado para o teatro no drama 180 Dias de Inverno, da Cia. Afeta. Levado aos palcos em 2010, o espetáculo retorna à capital cheio de novidades. O desabafo do homem que lida com uma doença que o atormenta e descobre seu lado mais humano ao tentar salvar a esposa e a si mesmo da solidão ganha cenário de Renato Bolelli e Beto Guilger e figurino de Paolo Mandatti. Nesta nova versão, as criações dialogam diretamente com a dramaturgia e a encenação, utilizando, para obter esse efeito, imagens como a de um quarto afogado. A trilha sonora é de autoria do músico Barulhista, membro da banda Constantina. Adaptada por Antônio Hildebrando, a montagem tem direção de Nando Motta, que lista como suas principais influências a bailarina Pina Bausch, a companhia belo-horizontina Zikzira Teatro Físico, a banda Hurtmold e os diretores Lars von Trier (Dogville) e Paul Thomas Anderson (Magnólia). No elenco, além de Motta, Fabiano Persi e Ludmilla Ramalho (60min). 16 anos. Estreou em 8/10/2010.

Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (329 lugares). Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, ☎ 3223-6756. → Quinta a sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 15,00 (Sinparc). Até 1° de março. Reestreia prometida para 19 de fevereiro.

Humor

Amadeo, o personagem principal de Humor, o quarto (e mais bem-humorado) espetáculo do grupo Quatroloscinco - Teatro do Comum, sofre de uma grave doença degenerativa que seca os líquidos de seu corpo, fazendo com que, aos poucos, ele se transforme em um vegetal. As pessoas que o rodeiam tentam animá-lo a todo custo, ansiosos por uma reação. A partir da fábula, os atores Assis Benevenuto, Italo Laureano, Marcos Coletta e Rejane Faria tratam da nossa relação com o corpo que envelhece e morre. O drama cômico revela o amadurecimento da trupe, segura num teatro contemporâneo que tem menos a ver com a estética do gênero e mais com a lógica temporal (65min). 12 anos. Estreou em 14/3/2014.

Centro Cultural Banco do Brasil (270 lugares). Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a domingo, 20h. R$ 5,00 (Sinparc). Até 8 de março. Reestreia prometida para 19 de fevereiro.

Relatório para uma Academia

O monólogo baseado em um conto de Franz Kafka - com direção de Eid Ribeiro e atuação de Kimura Schetino - narra a história de um ex-macaco que é convidado a relatar o processo de transformação pelo qual passou, durante cinco anos, até se tornar humano. Os efeitos no palco são minimalistas. Além de valorizar o trabalho da dupla, a ideia é ressaltar a condição de aprisionamento criada por Kafka em sua literatura (60min). 12 anos. Estreou em 14/6/2014.

Funarte (100 lugares). Rua Januária, 68, Floresta, ☎ 3213-3084. → Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 10,00 (Sinparc). Até 15 de fevereiro. Reestreia prometida para dia 29.

Senhora dos Afogados

A história de dona Eduarda e Misael, que acabam de perder a filha caçula, morta por afogamento, foi escolhida pela Cia. da Farsa para comemorar os treze anos da trupe. Considerado uma das obras mais polêmicas de Nelson Rodrigues, ao lado de Álbum de Família (1945) — escrito em 1947, foi censurado e liberado apenas em 1953 —, o texto leva o incesto ao extremo da dor e da loucura, com personagens marcantes como Moema, a outra filha do casal, que personifica o complexo de Electra (o complexo de Édipo feminino). O drama, aliás, foi inspirado em Mourning Becomes Electra, de Eugene O'Neill, que, por sua vez, se baseou na Oréstia, trilogia de Ésquilo. Densa, a montagem é diluída pelo dinamismo das cenas, solução do diretor João Valadares, que ousa, ainda, na trilha sonora: canções do Radiohead e, em alguns dos raros momentos cômicos, Talking Heads (80min). 16 anos. Estreou em 5/9/2014.

Grande Teatro — Sesc Palladium (1 321 lugares). Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro, ☎ 3270-8100. → 5 de fevereiro, 21h. R$ 12,00 (Sinparc).

Surto em Paris

Setenta minutos são suficientes para mostrar quanto somos vulneráveis ao estado de surto psicótico? Para Orlando Orube, sim. Na comédia dramática, o autor e diretor reflete sobre a existência humana usando como fio condutor uma rotina monótona que é abalada por um acontecimento inesperado. Fernando Couto - que faz o personagem principal - nutre um cotidiano sem altos e baixos em seu trabalho como segurança num banco. Um dia, porém, ao abrir a porta do pequeno quarto onde mora e deparar com uma pomba no corredor, sua vida vira do avesso. O elenco fica completo com Ana Nery Carvalho, Arthur Diniz e Lorena Jamarino (70min). 14 anos. Estreou em 8/8/2014.

Teatro Sesi Holcim (115 lugares). Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, ☎ 3241-7181. → Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h (exceto de 13 a 15 de fevereiro). R$ 15,00 (Sinparc). Até 8 de março. Reestreia prometida para 6 de fevereiro.

Talvez Eu Me Despeça

Em outubro de 2012, durante um assalto em sua residência, no bairro Santa Lúcia, a atriz Cecília Bizzotto foi perversamente assassinada. Quase dois anos depois da tragédia, Beatriz França, da Cia Afeta, sobe ao palco, sozinha, para prestar uma delicada homenagem à amiga. Na peça, Bião - como era carinhosamente chamada por Ciça - resgata a dolorosa lembrança da morte por meio de inúmeros objetos, fotos, vídeos e cartas para refletir sobre a finitude das relações humanas. O fio condutor do teatro-¬documentário, dirigido por Ludmilla Ramalho, é uma inusitada festa de despedida, cujo cenário incorpora, além de uma máquina de lavar e centenas de roupas, uma pequena exposição de memórias confeccionadas por amigos e companheiros de Cecília (50min). 12 anos. Estreou em 22/8/2014.

Funarte (100 lugares). Rua Januária, 68, Floresta, ☎ 3213-3084. → Quinta a sábado, 20h; domingo, 19h. R$ 5,00 (Sinparc). Até dia 25. Reestreia prometida para quinta (15). Centro Cultural Banco do Brasil (270 lugares). Praça da Liberdade, 450, Funcionários, ☎ 3431-9400. → Quarta a sábado, 20h; domingo, 19h. R$ 5,00 (Sinparc). Até 8 de março. Reestreia prometida para 25 de fevereiro.

Toda Nudez Será Castigada

Depois de levar aos palcos A Mulher sem Pecado, a primeira peça teatral escrita por Nelson Rodrigues, a Cia Arlecchino retorna com outro espetáculo baseado na obra do mais importante dramaturgo brasileiro. No drama dirigido por Kalluh Araujo — que também foi responsável pela direção de estreia —, o elenco conta a história de amor do rico viúvo Herculano e da prostituta Geni, que se apaixona pelo filho dele, Serginho. O texto faz uma crítica à classe média brasileira, seus valores e degradações, tema incansavelmente explorado pelo escritor pernambucano (110min). 16 anos. Estreou em 25/7/2013.

Teatro Francisco Nunes (543 lugares). Avenida Afonso Pena, s/nº, Parque Municipal, Centro, ☎ 3277-6325. → Quinta a sábado, 20h30; domingo, 19h. R$ 15,00 (Sinparc). Até dia 25. Reestreia prometida para quinta (15). Grande Teatro — Cine Theatro Brasil Vallourec (1 000 lugares). Rua dos Carijós, 258, Centro, ☎ 2626-1251. → Quinta a sábado, 20h30; domingo, 19h. R$ 15,00 (Sinparc). Até 1° de fevereiro. Reestreia prometida para dia 29.

Vulgaridades Sublimes

Inspirado em A Cartomante e Pai contra Mãe, de Machado de Assis, o drama da Insensata Cia de Teatro aborda situações que permeiam a banalidade e as misérias das relações interpessoais. Ao priorizar o texto, a adaptação consegue tornar a obra do escritor carioca mais acessível, preservando toda a sofisticação temática. O cenário é simples, composto de telas transparentes e poucos acessórios. Dão um charme a mais os figurinos dos atores, dirigidos com sensibilidade por Marcelo do Vale (50min). 12 anos. Estreou em 26/10/2012.

Sala Júlio Mackenzie — Sesc Palladium (76 lugares). Avenida Augusto de Lima, 420, Centro, ☎ 3270-8100. → Terça e quarta, 20h. R$ 12,00 (Sinparc). Até 4 de março. Reestreia prometida para 10 de fevereiro. Associação Crepúsculo Arte e Educação (45 lugares). Rua Sertões, 147, Prado, 3225-0040. Sábado e domingo, 20h. R$ 12,00 (Sinparc). Dias 7, 8 e 28 de fevereiro e 1° de março.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE