Bebida

Aprenda a forma correta de servir e beber saquê

Especialista na bebida, o sommelier Celso Ishiy dá dicas e desvenda mitos

Por: Rafael Rocha - Atualizado em

Wellington Nemeth
(Foto: Redação VejaBH)

Atenção: provavelmente você anda bebendo saquê da forma errada. Nada de sal nem copo quadrado. A bebida japonesa aos poucos vai ganhando espaço no Brasil, mas o sommelier de saquê Celso Ishiy diz que os restaurantes daqui servem de um jeito errado. Autor do livro Guia Prático do Saquê , ele ensina (abaixo) a forma correta de beber e servir. E ainda esclarece mitos e curiosidades em torno da bebida.

ALÉM DA CAIPISAQUÊ

O consumo vem crescendo, mas a maior fatia do mercado ainda é para os saquês nacionais, que são utilizados na caipirinha de saquê, ou caipisaquê. A caipisaquê serviu para apresentar a bebida ao consumidor, mas é apenas a porta de entrada. Os saquês premium importados têm menor incidência, mas são de maior qualidade. Devem ser degustados como vinho.

SEM COPO QUADRADO

Não tem nada a ver tomar saquê no massu, aquele copo quadrado. Esse copo é um símbolo e nunca foi utilizado com copo pelos japoneses. Ele era um utensílio de trabalho do camponês para vender o arroz. Antigamente o saquê era como um mingau alcoólico, então o camponês usava o vasilhame para comer. Alguns filmes passaram essa imagem usando o massu em brindes com saquê, mas está errado. O copo quadrado não é bom para degustar, pois não permite enxergar direito a coloração da bebida. Como é feito de plástico ou madeira, altera o sabor do saquê. E como é quadrado, não é nada prático beber naquilo. O recipiente ideal para tomar saquê é uma taça de vinho branco.

SEM SAL

Não se deve tomar com sal, como recomendado por alguns garçons. Isso é uma prática muito antiga. Antigamente o saquê tinha um gosto ruim, porque a técnica não era boa. Então, para disfarçar o gosto, colocava-se sal na bebida. Atualmente, se você coloca sal em um saquê premium estraga o sabor.

VÁRIOS TIPOS

Só no Japão são mais de 1500 fabricantes e cada um tem mais de dez rótulos. Noventa por cento deles são incolores. O que tem 100% de fermentação apresenta um pouquinho de coloração. O saquê nacional é bem amarelo porque não tem o polimento adequado do grão de arroz, por isso tem qualidade inferior. O nigori é um saquê leitoso, esbranquiçado, e recomendado para harmonizar com carne vermelha ou sobremesa.

BEBIDA SAGRADA

Reza a lenda que é uma bebida sagrada. Os deuses teriam descido do céu e apresentado o saquê aos humanos. No Japão tem até o deus do saquê.

GELADINHO

É possível beber saquê quente ou frio, mas o Brasil é um país tropical: para nós, o melhor é tomar gelado mesmo. A versão quente da bebida surgiu para amenizar o frio do inverno rigoroso no Japão. Ele fica mais aromático, muda a textura e tem menor graduação alcoólica.

SEM RESSACA

Há menos chance de ter ressaca tomando saquê. Isso se tomar um saquê premium, pois o nacional vem com a casca do arroz, uma impureza que pode causar ressaca sim. Outra dica: é uma das bebidas que menos engorda e também não contém glúten. Mas vale lembrar: só em casos da bebida importada. A qualidade do saquê nacional ainda é baixa, pois o controle na fabricação ainda é falho. No Japão, esse controle rígido fica por conta da Associação de Fabricantes de Saquê.

NÃO ESTRAGA

Por isso as garrafas nem têm data de validade. Mas é preciso deixar armazenado em boas condições, na sombra, assim não estraga, só envelhece. No Japão se vende até saquê envelhecido por cinco e dez anos. Mas não é tão popular por lá porque o gosto é mais forte, e os japoneses preferem tudo mais suave.

A FORMA CORRETA

Na hora de beber, há um ritual se a ocasião é formal, como um jantar com o sogro ou com o chefe. Nunca se deixa o convidado se servir. Também não pode servir para si mesmo. Os japoneses têm uma hierarquia: a mulher serve o marido. Mas isso só em ocasiões formais. Entre amigos, um serve o outro e está tudo bem. E para segurar a garrafa ou copo tem que usar as duas mãos. O saquê é considerado sagrado, portanto na hora de beber nada é mais importante do que a bebida.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE