Entrevista

Escritor Michel Laub lança livro em Belo Horizonte

Autor de “A Maçã Envenenada” participa do Sempre um Papo, na segunda (4)

Por: João Renato Faria - Atualizado em

Renato Parada
(Foto: Redação VejaBH)

Na segunda (4), às 19h30, a sala Juvenal Dias do Palácio das Artes receberá mais uma edição do projeto Sempre um Papo. Desta vez, o convidado é o escritor Michel Laub, um dos principais nomes da nova safra de autores nacionais, que está lançando seu sexto livro, "A Maça Envenenada". O romance é o segundo de uma trilogia que começou com Diário da Queda e tem como tema os efeitos que tragédias históricas provocaram na vida de pessoas comuns. Em "A Maçã Envenenada", ele aborda o suícidio do cantor Kurt Cobain, do Nirvana e o genocídio em Ruanda sob a ótica de um jovem de 19 anos.

Confira a entrevista:

Você está lançando seu livro "A Maçã Envenenada", em que aborda dois fatos marcantes dos anos 90: o suicídio do Kurt Cobain e o genocídio de Ruanda. Por que esses dois e não, por exemplo, a morte de Ayrton Senna?

Foram circunstâncias pessoais. Conheci uma sobrevivente do genocídio, que começou mais ou menos no mesmo dia em que o Kurt Cobain se matou. E essa coincidência de datas me chamou a atenção, até pela diferença de trajetória dos dois. Cobain era famoso, tinha dinheiro e tudo mais e se matou. Já a moça perdeu tudo que tinha, casa, família, ficou cinquenta dias escondida em um banheiro e fez de tudo para sobreviver. São dois eventos extremos e o personagem do livro está no meio das duas coisas.

Em seus livros, você mescla informações autobiográficas com ficção. É difícil delimitar onde um começa e o outro termina? É consciente essa escolha?

É sempre difícil essa delimitação. Acabo misturando mais como uma brincadeira, uma técnica. Uso fatos que aconteceram comigo que não parecem tão importantes assim para os personagens, como fazer uma determinada faculdade ou gostar de alguma banda e deixo para a ficção coisas mais relevantes, que os leitores acabam tomando como se fossem autobiográficos.

Você é fã de Nirvana?

Sou, gostava muito quando era mais novo. Mas não como o personagem do livro é fã.

O primeiro livro dessa trilogia, "Diário da Queda", era sobre uma criança nos anos 80. Agora você está focando em um adolescente nos anos 90. Sei que é cedo para falar sobre o próximo, mas será com um adulto nos anos 2000?

Sim, a ideia é essa. Mas ainda não comecei a escrever, literatura sempre muda muito ao longo da escrita.

No "Diário da Queda", o foco era no Holocausto. Agora, tem o genocídio de Ruanda. Qual massacre vamos ter no próximo?

Na verdade, a história de Kurt Cobain é bem mais proeminente do que o genocídio. No "Diário da Queda", a guerra aparecia como um pano de fundo. Um mais bélico, outro mais cultural, mas no proximo não vai ser nem uma coisa nem outra. Mas vou parar por aqui porque dá azar falar disso antes.

Você teve o "Diário da Queda" publicado na Europa, com edições em Portugal, Espanha, Itália, Holanda, Alemanha. Fora contos traduzidos. Como você vê esse alcance tão amplo?

Eu fico muito feliz. Tem um pouco de circunstância, que é o assunto Segunda Guerra, que repercute muito na Europa, mas é um leitor que eu ainda não tinha. É interessante ver esse alcance aumentando, saber que eles lá não têm as referências culturais que nós temos e eu tenho curiosidade de saber como vai ser a recepção por lá.

O "Diário" teve os direitos vendidos para o cinema. Você está participando em alguma forma da adaptação da obra?

O cinema anda mais devagar. Tem uma questão de financiamento, de dinheiro, que não depende de mim e eu nem me envolvo, até para dar uma liberdade às pessoas que estão fazendo o filme.

Ser cronista de um grande jornal, como a Folha de S. Paulo, ajuda ou atrapalha na produção de um romance?

Nem um nem outro. É uma coluna quinzenal, não tem muita pressão de prazos. E é um trabalho diferente, mais analítico e opinativo, bem diverso. São universos que não se batem.

Você está vindo para uma conversa no Sempre um Papo. Como é esse contato direto com o público?

É muito bom porque acabo percebendo coisas que não havia pensado no meu próprio trabalho. Como sempre tem um público bem geral, ouço perguntas que nunca tinha ouvido e nessa, acabo bem ou mal refletindo sobre o que eu fiz e aprendendo, já que não repito respostas que já havia dado.

Será a primeira vez em BH?

Já conheço muito a cidade, fui casado com uma mineira e ia bastante. Infelizmente, vou menos do que gostaria atualmente. É sempre legal retornar. Quero ver se dá tempo de comer um fígado com jiló no Mercado Central.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE