Memória

Partidas históricas fizeram a arquibancada do Mineirão tremer

Confira 22 jogos - vitórias espetaculares, derrotas dramáticas e empates frustrantes - que deixaram os torcedores arrepiados

Por: Carlos Eduardo Cherem - Atualizado em

Estado de Minas
(Foto: Redação VejaBH)

Seleção Mineira 1 x 0 River Plate

5 de Setembro de 1965

Para os belo-horizontinos, o jogo de inauguração do Mineirão teve gostinho de Brasil x Argentina. Mais de 73 000 pessoas foram ao estádio para assistir ao espetáculo histórico, um amistoso entre a seleção mineira e o River Plate. Antes de a bola rolar pelo gramado, houve música, queima de fogos e exibição de paraquedistas. Para o delírio da plateia, o escrete estadual, que reunia as principais estrelas dos times da cidade, venceu o desafio por 1 a 0. O gol foi de José Roberto Bougleaux, o Buglê, que era atleta do Galo.

Acervo Jornal Estado de Minas/Oldack Esteves
(Foto: Redação VejaBH)

Cruzeiro 1 x 0 Atlético

24 de outubro de 1965

O clima foi tenso no primeiro clássico do Gigante da Pampulha. Aos 34 minutos do segundo tempo, o Cruzeiro dominava a partida e vencia por 1 a 0 quando Décio Teixeira, do Atlético, derrubou Wilson Almeida na grande área. O Galo protestou, alegando que a falta havia sido cometida sobre a linha, e a confusão teve início. Foram trinta minutos de paralisação. A Polícia Militar precisou intervir, separando os jogadores que brigavam. Foram expulsos nove atleticanos.

Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Cruzeiro 6 x 2 Santos

30 de novembro de 1966

A final da Taça Brasil de 1966 foi uma goleada do Cruzeiro contra o Santos de Pelé. Já no primeiro tempo, os cruzeirenses fizeram incríveis 5 a 0. Na volta do vestiário, os santistas esboçaram uma reação e marcaram dois gols, mas a diferença foi ampliada quando Dirceu Lopes balançou as redes mais uma vez. Na história da Raposa, a vitória contra o Santos — que, naquela época, era considerado o melhor do mundo — é um marco. A goleada repercutiu em todo o país e até no exterior. Com essa conquista, o Cruzeiro se projetou nacionalmente e, no ano seguinte, em parte graças a tal proeza, o Torneio Rio-São Paulo passou a incluir clubes de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, tornando-se o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o embrião do atual Campeonato Brasileiro.

Antônio Faria Junior
(Foto: Redação VejaBH)

América 3 x 2 Uberlândia

26 de junho de 1971

Na última rodada do Campeonato Mineiro de 1971, diante de um público de 6 337 pessoas, o Coelho derrotou o Uberlândia e ficou esperando o resultado de Cruzeiro e Atlético, no dia seguinte. Se a Raposa vencesse, tiraria o título americano. Mas o Galo ganhou por 1 a 0,e o América pôde comemorar seu primeiro caneco na era Mineirão. No time americano jogavam Élcio, Misael, Vander, Café, Cláudio, Pedro Omar, Dirceu Alves, Hélio, Amauri, Dario e Zé Carlos.

Cruzeiro 1 x 0 Atlético

4 de maio de 1969

Estavam no Mineirão para assistir à disputa entre Cruzeiro e Atlético 123 351 torcedores: foi o recorde de público na história do clássico. A Raposa era favorita ao título no campeonato estadual. Com nomes já consagrados como Tostão, Dirceu Lopes, Zé Carlos e Raul, vinha de quatro títulos estaduais consecutivos. O Galo, sob o comando do técnico Yustrich, tentou em vão quebrar a hegemonia celeste. Com um gol de Natal, o Cruzeiro sagrou-se pentacampeão.

Manoel Motta
(Foto: Redação VejaBH)

Atlético 1 x 0 São Paulo

12 de dezembro de 1971

O Atlético chegou à fase final do Campeonato Brasileiro de 1971 tendo Botafogo e São Paulo como adversários na disputa pelo título. No primeiro jogo do triangular decisivo, contra o time paulista, levou a melhor. O gol do capitão Oldair, de falta, garantiu a vitória. Uma semana depois, no Maracanã, contra o Botafogo — que também conseguiu derrotar o São Paulo —, os atleticanos, comandados por um técnico ainda em início de carreira, Telê Santana, conquistaram o primeiro e até agora único campeonato nacional.

Cruzeiro 5 x 4 Internacional

7 de março de 1976

Um jogo imortal. A vitória por 5 a 4 diante do Inter — então campeão brasileiro — levou o Cruzeiro à final da Libertadores contra o River Plate, da Argentina, contra quem se sagraria campeão. Palhinha foi o melhor jogador em campo, com dois gols, aos 4 e aos 10 minutos do primeiro tempo, mas seria expulso depois de dar uma cotovelada no zagueiro Figueroa. Os outros gols da equipe celeste foram de Joãozinho, também duas vezes, e Nelinho.

Célio Apolinário
(Foto: Redação VejaBH)

Cruzeiro 0 x 0 Bayern

21 de dezembro de 1976

Diante de mais de 113 000 torcedores, o Cruzeiro perdeu a Taça Intercontinental para o Bayern de Munique. O time alemão, que reunia a base da seleção campeã do mundo em 1974, com estrelas como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Karl Heinz Rummenigge e Gerd Muller, jogava pelo empate. Campeã da Libertadores, a equipe celeste contava com craques como Piazza, Jairzinho, Nelinho, Zé Carlos, Joãozinho, Palhinha e Dirceu Lopes. Dessa vez não deu.

Nélio Rodrigues
(Foto: Redação VejaBH)

Cruzeiro 3 x 0 River Plate

20 de novembro de 1991

A vitória do Cruzeiro contra o River Plate da Argentina garantiu a conquista da Supercopa Libertadores de 1991. Mais de 67 000 pessoas estavam no Mineirão naquele dia. Pela Raposa, jogaram Paulo César, Nonato, Adilson, Paulão, Célio Gaúcho, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles e Marquinhos. O técnico era o gaúcho Ênio Andrade. Com a conquista, o Cruzeiro garantiu vaga na disputa da Recopa Sul-Americana de 1992, em Kobe, no Japão. Perdeu o título nos pênaltis, para o Colo-Colo, do Chile.

São Paulo 0 x 0 Atlético (3 X 2)

5 de março de 1978

O Atlético fez a melhor campanha do Brasileirão de 1977, mas acabou perdendo a decisão para o São Paulo. Com dezessete vitórias e quatro empates em 21 partidas, o Galo foi o único time a ser vice-campeão brasileiro invicto. Na decisão, os são-paulinos ganharam o título ao vencer nos pênaltis por 3 a 2. Apesar da derrota, muitos torcedores ainda lembram aquela temporada com orgulho.

Nélio Rodrigues
(Foto: Redação VejaBH)

Atlético 2 x 0 Olímpia

16 de setembro de 1992

Era o primeiro dos dois jogos da fase final da Conmebol. Diante dos mais de 60 000 espectadores, o Atlético garantiu a vitória contra o Olimpia, do Paraguai, e a vantagem na partida decisiva, em Assunção. Negrini marcou os dois gols. O Galo desembarcou na capital paraguaia podendo até perder — o que de fato ocorreu. Aos 45 minutos do segundo tempo, o Olimpia fez o único gol, mas o alvinegro saiu de lá com seu primeiro título no âmbito sul-americano. Aílton, com seis gols, foi o artilheiro do torneio.

Arquivo EM/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova

22 de junho de 1997

Foi o maior público da história no Mineirão. Nessa segunda partida da decisão do Campeonato Mineiro de 1997, pagaram ingresso 74 857 pessoas. Havia, porém, muito mais gente: no total, 132 834 espectadores. É que a diretoria do Cruzeiro, numa má avaliação do interesse da torcida, liberou a entrada gratuita para mulheres e crianças. O que se viu foi um enorme tumulto. Cerca de 20 000 torcedores não conseguiram entrar no estádio. No fim, o Cruzeiro garantiu o título com um gol de Marcelo Ramos.

Cruzeiro 2 x 1 Grêmio

3 de junho de 1993

Na disputa pela Copa do Brasil de 1993, o Cruzeiro vinha de um empate, por 0 a 0, em Porto Alegre, e precisava da vitória. Os torcedores temiam o efeito de dois desfalques importantes na equipe — convocado paraa seleção brasileira, Boiadeiro não foi liberado, e Luisinho estava contundido. Ao marcar o primeiro, Roberto Gaúcho comemorou com gestos obscenos em direção ao banco do Grêmio, que o havia dispensado no início da carreira. Os gremistas chegaram a empatar, mas a Raposa garantiu a vitória com um gol de Cleisson.

Arquivo EM/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Cruzeiro 1 x 0 Sporting Cristal

13 de agosto de 1997

O Cruzeiro tornou-se campeão da Copa Libertadores da América de 1997 ao vencer o Sporting Cristal, do Peru, em um jogo dramático. Durante quase toda a partida, os peruanos levaram a melhor e deram muito trabalho ao goleiro Dida. O gol da vitória só saiu aos 36 minutos do segundo tempo. Foi o segundo título do Cruzeiro na competição. Com ele, a Raposa garantiu a classificação para entrar na disputa pela Copa Intercontinental, jogando contra o Borussia Dortmund, da Alemanha, o campeão da Liga dos Campeões da Uefa de 1996-1997.

Atlético 1 x 1 Lanús

17 de novemebro de 1997

A taça do bicampeonato da Copa Conmebol, conquistada em 1997 pelo Atlético, foi erguida no Mineirão pelo atacante Valdir — artilheiro do torneio, com sete gols — após o empate por 1 a 1 com o Lanús, da Argentina. Invicto na campanha, o alvinegro era dirigido pelo técnico Emerson Leão, que tinha como titulares Taffarel, Bruno, Sandro Barbosa, Sandro Blum, Dedê, Doriva, Edgar, Jorginho, Hernani, Marques e Valdir.

Eugênio Sávio
(Foto: Redação VejaBH)

Atlético 3 x 2 Corinthians

12 de dezembro de 1999

Na primeira partida da fase final do Campeonato Brasileiro de 1999, o Galo ficou sem uma das principais estrelas do time, Marques, que, contundido, teve de deixar o campo. Guilherme, porém, deu conta do recado sozinho: marcou os três gols do Galo no espetáculo assistido por mais de 82 000 torcedores. O atacante do Atlético foi o artilheiro do torneio, com 28 gols em 27 partidas. Mas o título ficaria para o time paulista.

Cruzeiro 2 x 1 São Paulo

9 de julho de 2000

O jogo estava empatado, resultado que assegurava ao São Paulo o troféu da Copa do Brasil. Mas o Cruzeiro incendiou o estádio aos 45 minutos do segundo tempo. Em uma cobrança de falta, o atacante Geovanni marcou o gol da vitória. A bola baixa passou pela barreira no momento em que o juiz apitou o término da partida, garantindo ao Cruzeiro o tricampeonato.

Marcos Michelin/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Atlético 3 x 1 América

3 de junho de 2001

O América chegou como grande favorito à final do Campeonato Mineiro de 2001, podendo até perder por uma diferença de dois gols. Por isso, sua torcida já dava o título como certo. Na primeira partida da final contra o Atlético, o América havia vencido por 4 a 1. Aos 31 minutos do segundo tempo, porém, o Galo ganhava por 3 a 0, em um resultado que levaria a partida à penalidade máxima. Foi quando brilhou a estrela do atacante Alessandro. Ele descontou para o Coelho e garantiu o caneco. Os torcedores na arquibancada deliraram e puderam, enfim, comemorar o título estadual depois de oito anos.

Cruzeiro 3 x 1 Flamengo

11 de junho de 2003

O triunfo sobre o Flamengo, na disputa da Copa do Brasil de 2003, foi um dos momentos marcantes do ano da Tríplice Coroa do Cruzeiro. Um público de mais de 79 000 pessoas esteve presente no Mineirão. A Raposa já entrou em campo marcando gol: Deivid anotou no primeiro minuto do primeiro tempo. Aristizábal fez o segundo aos 16 minutos e Luisão, o terceiro, aos 28. O Flamengo ensaiou uma reação no segundo tempo, mas o Cruzeiro, dirigido por Vanderlei Luxemburgo, conseguiu segurar a vitória.

Jorge Gontijo/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Brasil 3 x 1 Argentina

2 de junho de 2004

A seleção brasileira já jogou vinte vezes no Mineirão — catorze amistosos, quatro partidas pela Copa América e dois jogos pelas eliminatórias de Copa do Mundo. Foram quinze vitórias, três empates e duas derrotas. Em 2004, pelas eliminatórias da Copa da Alemanha de 2006, o Brasil derrotou a Argentina por 3 a 1, em uma partida na qual Ronaldo Fenômeno reinou absoluto. Os três gols foram dele.

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Atlético 0 x 1 Ceará

6 de junho de 2010

Em sua última apresentação no antigo Mineirão, o Galo saiu vaiado. Derrotado pelo Ceará na sétima rodada do Brasileirão, o alvinegro decepcionou a torcida, que esperava poder celebrar o fechamento do estádio para reformas com o hino da vitória. Não deu. Quando os fogos de artifício explodiram, o clima na arquibancada era de frustração. A despedida do velho Mineirão merecia mais.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE