Belo-horizontinos de 2012

Arte: Paulo Nazareth

Vendendo bananas e sua “imagem de homem exótico”, o artista virou notícia no jornal americano The New York Times

Por: Raíssa Pena - Atualizado em

Divulgação
(Foto: Redação VejaBH)

Vencedor da categoria Talento Emergente no primeiro Prêmio Masp Mercedes-Benz de Artes Visuais, em maio, o inquieto Paulo Nazareth ganhou destaque nas páginas do jornal americano The New York Times. Até ter seu trabalho reconhecido, porém, o artista de 35 anos percorreu um longo caminho. Ele já havia sido balconista, varredor de rua, agente de saúde e cuidador de porcos quando decidiu estudar na Escola de Belas-Artes da UFMG, na qual se formou em 2003. Depois de chamar atenção em seletivas para exposições, foi convidado para participar de residências artísticas em várias partes do mundo. Virou um artista à deriva, sempre em alguma viagem sem roteiro em busca de inspiração para a próxima obra. No ano passado, saiu do Palmital, conjunto habitacional em Santa Luzia, para ir a Nova York. A viagem, a pé, de ônibus, barco e com muitas caronas, durou sete meses. Nazareth foi de chinelos e não lavou os pés, "para carregar a poeira da América". Só os banhou no Rio Hudson, que corta a cidade. De lá, partiu para integrar a Art Basel Miami, badalada mostra de arte contemporânea. Sua instalação, Notícias de América, era uma Kombi cheia de bananas, diante da qual ele ficava com um cartaz em que se lia, em inglês, a expressão "vendo minha imagem de homem exótico". Comercializou centenas de frutas — a 10 dólares cada uma. A obra, arrematada por um colecionador iraquiano, foi considerada a única proposta realmente inovadora por ali. Até hoje Paulo recebe ligações de gente querendo encomendar bananas. "Devem achar que as minhas são docinhas, especiais", ri. Mais doces que as outras talvez elas não sejam. Mais caras, certamente.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE