Ciência

Pesquisadores da UFMG aceleram o ritmo de pedidos anuais de patente

Estudos da universidade resultam em invenções nas áreas de biotecnologia, engenharia e farmácia

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O professor Luiz Orlando Ladeira (à esq.) com os alunos Anderson Caires e Samary Fajardo: pesquisa para vacinas

Luiz Orlando Ladeira, professor de física da UFMG, é fascinado pelas propriedades químicas do ouro. Por terem baixa reatividade com moléculas orgânicas, quantidades microscópicas do metal nobre formam um ótimo meio de transporte de proteínas, o que pode levar para dentro das células, por exemplo, o princípio ativo de uma vacina. Ladeira e sua equipe trabalham com nanotecnologia, a sofisticada técnica de construir e manipular materiais microscópicos. Produzem, por exemplo, nanotubos de carbono e de ouro que permitirão no futuro a criação de vacinas mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Coautor de dezessete pedidos de patente, onze deles feitos nos últimos cinco anos, Ladeira comemora a recente guinada da universidade para incentivar o registro de invenções e sua maior proximidade com o mercado. "A relação entre indústria e universidade no Brasil ainda é muito fraca, mas o investimento em ciência está começando a melhorar", afirma. Nos anos 90, a UFMG chegava a passar um ano inteiro sem fazer um só pedido de patente. De 2000 a 2011, a média chegou a cinquenta por ano. Em 2012, foram 87. Hoje, a universidade acumula 755 pedidos de patente, 70% deles nas áreas de biotecnologia, engenharia e farmácia. Parte do motivo desse crescimento está na chamada Lei do Bem, de 2005, que oferece incentivos fiscais para empresas que investirem em pesquisa.

Arte: Veja BH
(Foto: Redação VejaBH)

Metade dos contratos da universidade com empresas foi fechada nos últimos três anos. Desenvolvedor de aviões no departamento de engenharia mecânica, o professor Paulo Iscold venceu no mês passado uma competição internacional de design aeronáutico promovida por uma empresa francesa. Ele e sua equipe criaram um jato com quatro portas, cada uma dando acesso a um assento, sem corredor. Como o concurso envolvia apenas o projeto do avião, Iscold busca financiamento para fazê-lo decolar. Acha que o investimento pode vir de fora. "As empresas estrangeiras ainda acreditam mais na gente que as daqui", diz. "Santo de casa não faz milagre, não é mesmo?"

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE