Polícia

Prisão do jovem Antônio Baudson Peret acende polêmica sobre a atuação de grupos violentos em BH

Jovens que se auto-intitulam neonazistas estão sob investigação na capital

Por: Luisa Brasil e Paola Carvalho - Atualizado em

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press e Reprodução (detalhe)
(Foto: Redação VejaBH)

Chegada a Belo Horizonte, na segunda (15): Peret foi preso no interior de São Paulo. Foto postada em rede social (detalhe): o skinhead enforca um homem na Praça da Savassi

Bastaram alguns cliques para que Antônio Baudson Peret, de 25 anos, morador do bairro Santo Antônio (região centro-sul), colocasse no Facebook uma foto em que ele, orgulhoso, aparece enforcando um morador de rua com uma corrente em plena luz do dia, na Praça da Savassi. O ato, classificado por Peret e seus amigos de "brincadeira infeliz", não foi nada engraçado para a polícia. Logo após a divulgação da imagem, no último dia 5, começaram as investigações sobre ele, que culminaram na sua prisão em Americana, no interior paulista, no domingo (14). A imagem postada por Peret na internet foi o pontapé para uma investigação sobre a atuação de movimentos intolerantes, como o skinhead e o neonazista, em Belo Horizonte.

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(Foto: Redação VejaBH)

Em sua página pessoal, já tirada do ar, era fácil encontrar imagens relacionadas ao nazismo, como colegas e até crianças repetindo saudação a Adolf Hitler, e símbolos odiosos como a suástica. Vários de seus amigos virtuais compartilhavam das mesmas ideias racistas. Segundo a polícia, a intolerância de Peret e seus comparsas não era apenas on-line, já que pelo menos dez boletins de ocorrência foram registrados contra ele nos últimos anos. Em um dos casos, que se deu em 2011, o rapaz teria agredido um casal de gays na Praça da Liberdade.

No segunda-feira (15), Peret foi transferido para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) da Gameleira, na região oeste. Seus amigos Marcus Vinícius Cunha e João Matheus Vetter também foram detidos. Se denunciados pelo Ministério Público, poderão responder pelos crimes de racismo, formação de quadrilha e lesão corporal. Nos quadros ao lado, entenda quem são esses grupos, como eles agem e as possíveis consequências para suas atitudes violentas.

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(Foto: Redação VejaBH)

Odiosos e racistas

Saiba mais sobre o movimento skinhead e suas divisões

Quem são os skinheads?

Na tradução para o português, skinhead significa cabeça pelada. Mas nem todos, homem ou mulher, têm a cabeça raspada. O movimento surgiu nos anos 60, em Londres, entre imigrantes brancos e jamaicanos. Eles cultuavam a virilidade, futebol, cerveja e músicas de estilos como o reggae e o soul. Com os anos, o movimento ganhou novas ideologias e surgiram divisões, como neonazista, homofóbica, xenófoba, racista e até uma que é contra tudo isso.

Como o movimento ganhou força no Brasil?

Em São Paulo, na década de 90, a imigração em massa e a falta de oportunidades no mercado de trabalho intensificaram a postura contra negros, judeus e nordestinos. Conflitos com hippies e punks tornaram-se mais comuns e espalharam-se pelo Brasil. A partir de 2000, por causa da difusão permitida pela internet, bandos da linha nacionalista e neonazista ganharam adeptos. Agressões e prisões ficaram ainda mais frequentes.

Até que ponto a defesa de uma ideologia é considerada liberdade de expressão?

A Constituição permite a manifestação livre do pensamento e de ideias de qualquer natureza. A liberdade pública de se expressar, contudo, não é absoluta e sofre restrições como quaisquer outros direitos. A Convenção Interamericana de Direitos Humanos afirma que a expressão não se submete a um controle precedente, mas sim a uma responsabilidade jurídica posterior. Isso em caso de violação a direito público ou particular, nos termos da lei.

O que diz a lei sobre o racismo?

É crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou o preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena é de um a três anos de reclusão e multa.

E sobre a apologia do nazismo?

É crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica, ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. A pena é de dois a cinco anos de reclusão e multa.

Como denunciar?

Ligue para o Disque Denúncia da Polícia Militar (☎ 181). Se o problema é observado na internet, pode-se informar o link no site safernet.org.br. A organização não governamental atua junto com o Ministério Público e a Polícia Federal. Os canais são gratuitos e sigilosos.

Fontes: OAB-MG, Delegacia de Crimes Cibernéticos e Rash-SP

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE