Cidade

Quase 2 000 belo-horizontinos já contrataram o serviço de gás natural canalizado

Novidade nos tubos deverá estar disponível para 80 000 moradores até 2018

Por: Paola Carvalho - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A advogada Glenda Machado, com a filha Laura, de 9 anos, e o aposentado Fernando Avelar: cozinhar e tomar banho ficou mais confortável, seguro e econômico

N as torneiras, a temperatura da água é regulada com um simples apertar de botões. No fogão, não há risco de a chama se apagar bem na hora do preparo do almoço. Essa praticidade faz parte do dia a dia do advogado aposentado Fernando Avelar, morador de um apartamento em Lourdes, que já conta com o serviço de gás natural canalizado. "É mais confortável e garante uma boa economia", diz. Segundo ele, o valor da sua conta de energia elétrica caiu, em média, 40% desde que seus chuveiros passaram a ser aquecidos pelo gás. Assim como Avelar, quase 2 000 moradores dos bairros Lourdes, Santo Agostinho e Buritis já se conectaram à rede de abastecimento da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig). A previsão da estatal mineira é que 80 000 belo-horizontinos, de 22 bairros das regiões Sul e Oeste, sejam atendidos até o fim de 2018. Para cumprir a promessa, a empresa terá muito trabalho pela frente - e os motoristas, muita dor de cabeça. As interdições de pistas por causa das obras para a instalação da rede subterrânea e as marcações para futuras intervenções estão por toda parte.

O plano da Gasmig para o fornecimento residencial de gás natural em Belo Horizonte prevê um investimento total de 110 milhões de reais e a instalação de 262 quilômetros de rede (do Santo Agostinho ao Betânia). A primeira etapa, com 18 quilômetros, de aço, está praticamente pronta. "É o pulmão do sistema. Dele é que partem os ramais para o interior dos bairros, até a porta da casa das pessoas", explica Eduardo Soares, gerente de expansão da rede da companhia. Também se encontra em andamento uma segunda etapa, para a instalação de 71 quilômetros de tubulações de polietileno de alta densidade (material resistente e flexível, com diâmetro entre 3 e 4 centímetros). A expectativa é que em parte dos bairros Buritis, Funcionários, Sion, Carmo, Cruzeiro, Vila da Serra e São Pedro o gás esteja disponível para os moradores até setembro deste ano. Nos próximos dias, a Gasmig deverá lançar a licitação para uma terceira etapa, para construir outros 90 quilômetros de rede. Para os 83 quilômetros restantes, ainda não há data definida de início das obras.

"Ficamos atrás do Rio de Janeiro e de São Paulo, que há muito tempo têm um sistema de oferta de gás", diz Eduardo Ferreira, diretor-presidente da Gasmig. "Por isso, estamos fazendo um trabalho intenso para agilizar o atendimento à população." Como a implantação da rede por aqui só começou em 2012, ela é mais moderna do que a existente nas duas outras capitais. Para atravessar uma tubulação de 70 quilômetros, por exemplo, abrem-se somente 2 quilômetros de vala em vias públicas. Mesmo assim, a prefeitura chegou a paralisar as obras por causa de problemas como restos de material na pista e demora na recomposição do asfalto. De acordo com Ferreira, porém, tudo foi resolvido e os processos, revistos. "Não há mais pendências, falta apenas a prefeitura liberar os alvarás", afirma. Até quarta (25), as intervenções ainda estavam embargadas. Quem já conta com o serviço diz que os benefícios (veja exemplos abaixo) compensam os transtornos. No prédio da advogada Glenda Machado, no Santo Agostinho, muitos reclamaram das obras e temeram pela segurança. "Depois de experimentar, porém, não há do que se queixar", conta ela.

Conta mais leve

A redução na despesa com energia elétrica é um dos benefícios

› Em residências abastecidas com gás natural canalizado, o gasto com gás de cozinha (GLP) e com energia elétrica pode cair até 60%.

› A média do consumo em uma casa que usa o gás natural na cozinha, nas torneiras e nos chuveiros é de 20 metros cúbicos por mês, o que resulta em uma fatura de aproximadamente 62 reais.

› O preço do metro cúbico varia de acordo com o tipo de medição (coletiva ou residencial), a faixa de consumo mensal e a incidência de impostos.

› A Gasmig faz o serviço até o medidor do imóvel. Dali para a frente, a adaptação da tubulação e a compra de aparelhos ficam por conta do proprietário.

› Um aquecedor a gás para a água pode custar de 400 a 4 000 reais.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE