Cidade

Quase metade dos orelhões testados em Belo Horizonte estão com defeito

Serviço deixou a desejar nos 150 aparelhos usados por VEJA BH

Por: Carlos Eduardo Cherem - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

A farmacêutica Natália Ferreira e o telefone na Avenida Uruguai, no Sion: no chão por quase um mês

Há mais telefones celulares em Minas Gerais do que habitantes. Segundo a Agência Nacional de Telecomu­­ni­­cações (Anatel), para cada grupo de 100 mineiros, existem 122 linhas móveis. A proporção era de menos de duas dez anos atrás. Com o avanço do serviço, muita gente imaginava que os telefones públicos virariam peça de museu, como as máquinas de escrever e os pagers. Mas ainda têm sua utilidade. Quando não existe sinal de telefonia celular ou a bateria do aparelho acaba, o jeito é recorrer ao velho orelhão. Tanto que, por determinação da Anatel, as operadoras são obrigadas a manter os telefones públicos - em Belo Horizonte, são mais de 10 000. Mas é preciso torcer para, na hora da necessidade, encontrar um que funcione. A manutenção desses equipamentos vem deixando a desejar por aqui. Entre os dias 18 e 19 de dezembro, VEJA BH testou 150 orelhões em todas as regiões da cidade e constatou que 45% deles estavam com algum defeito. Encontramos desde equipamentos visivelmente depredados por vândalos até alguns que pareciam em perfeito estado, mas se encontravam surdos e mudos. A situa­ção foi mais grave na Região Leste. Lá, 66% dos orelhões apresentavam problema. Os números são semelhantes aos do Barreiro e da Região Oeste (veja o quadro abaixo). Quem mora nas regiões Sul e Sudeste ou transita por ali tem mais sorte. Dos telefones testados, "apenas" 23% estavam pifados.

Mesmo nessas áreas, no entanto, deparamos com algumas situações inusitadas. "Todo dia aparece alguém pedindo para usar o telefone da farmácia porque não encontra orelhões funcionando aqui por perto", conta a farmacêutica Natália Maciel Ferreira. O aparelho instalado em frente à drogaria onde ela trabalha, na Avenida Uruguai, no Sion, passou quase todo o mês de dezembro no chão. Segundo Natália, em uma manhã, ele simplesmente tombou, cor­roí­do pela ferrugem. "A gente reclamava, mas ninguém vinha olhar." Só foi consertado no finzinho do ano passado.

De acordo com a Oi - o nome atual da operadora Telemar, que comprou a estatal Telemig em 1998 -, o grande desafio é mesmo combater o vandalismo. Há casos de aparelhos que são conser­­­tados num dia e já aparecem da­­nificados no outro. Em 2012, conforme a empresa, 18% dos equipamentos instalados foram depredados. Um impressionante número de 1 800 - ou quase cinco por dia. A companhia fez, em média, 38 trocas de campânulas (nome dado àquela cobertura que foi responsável pelo simpático apelido dos telefones públicos) por mês na cidade. De acordo com a Anatel, as operadoras são obrigadas a manter ao menos 90% desses aparelhos em perfeitas condições. Re­­clamações podem ser feitas pelo telefone 103 31, de um orelhão mesmo - desde que ele funcione, é claro.

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(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE