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Quem te viu, quem te vê

Após passar por uma revolução na última década, Belo Horizonte se tornou a capital que mais cresce no país

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

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(Foto: Redação VejaBH)

Construída para substituir Ouro Preto como a capital do estado, Belo Horizonte tinha 10 000 habitantes em 1897, o ano de sua fundação. Seu traçado foi planejado sob influência da urbanização de Paris e da modernidade de Washington. As duas cidades inspiraram os quarteirões simétricos, cortados por linhas diagonais e por um eixo monumental - espécie de Champs-Elysées à mineira - que veio a ser a Avenida Afonso Pena. Apesar da estética moderna, a cidade demorou a tornar-se influente. O cenário só mudou com o início da industrialização, a partir dos anos 1930. Na década de 50, houve o ápice do desenvolvimento. A população dobrou de tamanho, pulando de 350 000 para 700 000 habitantes. Foi uma mudança tão radical que assustou alguns de seus filhos ilustres. Os lamentos do escritor belo-horizontino Paulo Mendes Campos, publicados em 1971, ficaram famosos: "Enterraram a minha cidade e muito de mim com ela. Em nome do progresso municipal, enterraram as minhas casas; enterraram os pisos de pedra das minhas ruas; enterraram os meus bares; minhas moças bonitas; meus bondes; minhas livrarias; banco de praça; folhagens; enterraram-me vivo na cidade morta". Eram as dores do crescimento, que levou Belo Horizonte a viver agora, novamente, um ciclo de desenvolvimento em velocidade surpreendente.

Estamos hoje na capital brasileira que mais cresce, segundo pesquisa divulgada pelo Brookings Institute, respeitada instituição americana que estuda o ritmo do desenvolvimento socioeconômico ao redor do planeta. No último ranking do Brookings, que reflete os dados de 2011, Belo Horizonte aparece na 28ª posição, bem à frente de outras capitais do país. E basta circular por suas ruas e avenidas para reconhecer os sinais típicos das metrópoles desenvolvidas. "Tudo o que quero, encontro aqui", afirma o indiano Avishek Nigam. O engenheiro da multinacional Infosys, que mora no Belvedere há dois anos, sabe bem do que está falando. Já viveu em diferentes cidades de três países. Nigan trabalha em uma das 5 000 empresas de tecnologia da informação que se instalaram na região metropolitana. Juntas, elas faturam 1,6 bilhão de reais por ano e empregam 17 000 profissionais. A nova Belo Horizonte, capital da terceira maior região metropolitana do país, com 4,8 milhões de habitantes, engloba marcas internacionais, gastronomia diversificada e uma crescente oferta de entretenimento. "BH entrou claramente em um novo processo de modernização nos últimos 25 anos", diz o sociólogo e professor da PUC-Minas Otávio Dulci. Prova disso é a retenção de talentos - belo-horizontinos que escolheram ficar por aqui, pessoas que se foram e decidiram voltar e gente de toda parte do país e do mundo que veio morar na cidade. "Atualmente temos uma grande população cosmopolita, com referências globais'', afirma Dulci. Alguns exemplos dessa extraordinária transformação podem ser conferidos a seguir.

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Fonte: VEJA BELO HORIZONTE