Esportes

Relevo montanhoso de Belo Horizonte atrai aficionados por altas velocidades e manobras radicais

Skates, bicicletas e triciclos desafiam as ladeiras de bairros como Mangabeiras e Buritis

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

Victor Schwaner/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Praticantes do skate downhill: adrenalina nas descidas mais íngremes a até 90 quilômetros por hora

Talvez nem todos saibam, mas o característico sobe e desce das ladeiras de BH faz da capital mineira um autêntico Havaí para o surfe de asfalto. Sobre duas, três ou quatro rodas, cresce o número de adeptos dos esportes que exploram o lado mais radical dos nossos morros. Com skates carve board e long board, jovens transformam algumas ruas dos bairros Mangabeiras, Belvedere e Bandeirantes, além do Vale do Sereno, no limite com Nova Lima, em pista para atingir velocidades de até 90 quilômetros por hora e treinar para competições oficiais no exterior. Ciclistas praticantes de mountain bike promovem mensalmente o Desafio das Pirambas, numa alusão às pirambeiras dos bairros Gutierrez, Santo Antônio e Serra, cuja inclinação serve de preparação para trilhas no meio do mato. Em clima de descontração, antigos carrinhos de rolimã deixam de ser brinquedos de criança e, ao lado de triciclos como o drift trike, viram aposta de aventura para marmanjos.

A adesão aos esportes de ladeira é medida, segundo a Federação Mineira de Skate Downhill (FMSD), pelo número de inscritos em seus eventos. Em 2011, na primeira edição do campeo­nato regional da modalidade, foram cinquenta participantes, e, no ano passado, 200. "As pessoas vêm descobrindo o potencial do relevo da cidade para aliar diversão ao esporte", diz o presidente da FMSD, Thiago Duarte. À frente da equipe MG Downhill, ele e os amigos já participaram de competições oficiais em doze países. O grande ídolo do grupo é o belo-horizontino Max Ballesteros, que está entre os dez melhores do mundo na categoria e hoje vive em San Diego, nos Estados Unidos. Ballesteros é referência ainda para os iniciantes no skate, como Luca Visconti de Paula, de 14 anos. "Estou nessa aventura há três meses e sonho em me profissionalizar."

Os "surfistas" do carve board, um skate de rodas largas e eixo de molas, dão vida ao esporte criado na Califórnia para imitar os movimentos dos que pegam ondas no mar. "Somos trinta amigos a surfar nas montanhas de BH", diz Lucas Emanuel Britto, que vai fundar, neste ano, a Associação Mineira de Carve Board (Amicarve), com o objetivo de promover eventos na cidade. Se para os skatistas e fãs dos carrinhos de rolimã a diversão é apenas ladeira abaixo, a turma das bicicletas aproveita também a versão morro acima. As encostas da capital são usadas pela equipe Mountain Bike BH para adquirir preparo físico. "As competições oficiais são em estrada de terra, mas quem mora na capital não precisa viajar para treinar", diz Nísio Morais, que desbrava com os amigos as ruas dos bairros Buritis, Serra e Mangabeiras.

Nem só de adrenalina e diversão é feita a vida dos aventureiros das ladeiras. Nas descidas mais radicais, é preciso cautela para evitar acidentes, como os sofridos por Gustavo Nahas. Integrante da equipe Mountain Bike BH, ele teve duas quedas, em 2010 e no ano passado, e guarda, além de cicatrizes, tristes lembranças de fraturas em costelas e na bacia e de complicações decorrentes de trombose e embolia pulmonar. As emoções são fortes, mas as quedas também podem ser.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE