Esporte

Repleta de trilhas, Grande BH é paraíso para os amantes dos jipes, motocross e das bikes

Acompanhamos os aventureiros que desbravam os caminhos em meio à natureza e apresentam uma versão off-road do entorno da capital

Por: Glória Tupinambás - Atualizado em

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Nem só de asfalto e concreto vive a metrópole. Fãs de esportes de aventura exploram o lado off-­road da região metropolitana de Belo Horizonte, um verdadeiro paraíso das trilhas. A bordo de jipes 4x4, poeira, barro e adrenalina se misturam. Bicicletas e motos desbravam ladeiras e arriscam manobras radicais. Os morros mais íngremes convidam caminhantes e corredores a testes de resistência física em solos acidentados. Sem ser preciso percorrer longas distâncias, o roteiro perfeito pode ser encontrado a poucos quilômetros do Centro e nas cidades da vizinhança. Esse privilégio tem uma explicação. O conjunto de montanhas que circundam a cidade e fazem a alegria dos aventureiros é datado de pelo menos 2 bilhões de anos e remete ao período proterozoico. Segundo Edézio Teixeira, geólogo e autor do livro Geologia Urbana para Todos - Uma Visão de Belo Horizonte, a alta concentração de minério de ferro no solo justifica a presença de picos na capital. "BH está inserida entre os conjuntos do Quadrilátero Ferrífero e do Espinhaço, que são formados por materiais geologicamente distintos", diz. "Os minerais são mais resistentes à erosão, e, no processo de formação do solo, surgem cristas salientes que proporcionam paisagens interessantes." Com um bom grupo de amigos, pique e disposição - e boa dose de cautela -, a diversão está garantida.

Basta o dia clarear para jipeiros como o funcionário público Flávio Braga colocarem o pé no acelerador em busca de aventura. Ao lado da mulher, Valéria Gonçalves, e da filha, Clarisse Braga, de 11 anos, ele coleciona mais de uma década de experiência nas trilhas da Grande BH. "A natureza nos presenteia com visuais maravilhosos, e nem me lembro de que estou a poucos quilômetros do stress de uma grande cidade", comenta Braga, um dos diretores do grupo Bicho do Mato 4x4. Ao lado dos amigos Lucas Nassif e Marcos Antônio Caldeira, integrantes da equipe 4x4 Brasil, ele aproveita os fins de semana para passear. Uma das rotas preferidas é a Trilha Túneis, que começa no Aglomerado Taquaril, na Região Leste da capital, atravessa a Serra do Curral e chega ao centro histórico de Sabará. No percurso, de pouco mais de 10 quilômetros, os atrativos são nascentes d'água e riachos cristalinos, túneis da linha férrea e bares com comida tipicamente mineira, feitas em fogão a lenha.

O maior desafio encontrado pelo grupo é a Trilha Galopeira, entre Raposos e Rio Acima. Com 9 quilômetros de extensão, o árduo caminho já exigiu que os jipeiros passassem a noite à beira da estrada. "Se um carro quebra, até o resgate fica difícil", conta Caldeira, analista de sistemas. "Por isso temos sempre barracas e comida suficiente para acampar no mato, se for preciso." Para o estudante Nassif, a Galopeira é um teste de resistência emocional. Os obstáculos desse trajeto encantam também aventureiros sobre duas rodas. Em 2012, o trecho foi incluído no Enduro da Independência, uma das provas de motocross mais importantes do país. O grupo Trilhas BH-­Moto treina todas as quartas-feiras para encarar os desafios da Galopeira, aos sábados. "Depois de sair do trabalho, no fim da tarde, acelerar e treinar uns saltos nas montanhas é a melhor forma de relaxar e adquirir preparo físico", afirma o corretor de imóveis Rafael Costa. Com a palavra medo riscada de seu dicionário, ele elege outro roteiro predileto: a Trilha da Fome, de BH a Raposos, passando pela Cachoeira de Santo Antônio. "Andamos de 90 a 100 quilômetros todos os sábados, atravessando paisagens bonitas e vilarejos bem pacatos", diz o estudante Fábio Lucas Santos.

Sobre duas rodas, mas substituindo o potente motor por um bom par de pernas, a turma das bicicletas também explora a versão off-road da cidade. "Belo Horizonte tem trilhas de todos os níveis de dificuldade e os mais variados obstáculos, que exigem bastante técnica e condicionamento", conta Vitório Paulino, coordenador da equipe Mountain Bike BH. Nas ladeiras do Topo do Mundo, em Brumadinho, nas imediações da Lagoa dos Ingleses ou na Serra da Calçada, em Nova Lima, os ciclistas formam grupos de desbravadores das estradas de terra e cascalho. "Sem o barulho dos motores de outros esportes de aventura, a bicicleta nos permite mais contato com a natureza e com as pessoas que pedalam juntas", acredita Paulino.

Sem tirarem os pés do chão, os grupos de corrida de aventura concretizam, em BH e nos arredores, a paixão por velocidade. As trilhas nos condomínios Retiro das Pedras e Vale do Sol, em Nova Lima, e no Parque Estadual da Serra do Rola Moça - que liga o Barreiro ao Jardim Canadá - se transformam em pista de testes para os atletas. "A capital é o nosso paraíso para treinamento de resistência e força", afirma a médica Paula Cristina Pereira, que, em novembro, participou do Campeonato Mundial de Corrida de Aventura, no Equador, ao lado do gerente comercial Magno Seabra. Mais do que simples companheiros do esporte, os caminhantes que exploram roteiros ecológicos de Belo Horizonte se transformam em grandes amigos. É o caso do grupo Caminhada Mineira, que, ao longo do ano, percorreu junto mais de 900 quilômetros em trekkings. Inspirada pelo biólogo Antônio Carlos Liparini, que desde a década de 60 leva alunos para trabalhos de campo, a equipe sempre encontra roteiros alternativos no Parque das Mangabeiras; em pontos da Serra do Curral, no limite de BH com Nova Lima e Sabará; e na Serra da Piedade, em Caeté. "Contemplamos a cidade do alto das montanhas, cercados de natureza e boa companhia", diz o servidor público Marcelo Pereira. "É sempre uma experiência com muitas surpresas e descobertas." As férias de janeiro podem ser uma ótima oportunidade para escolher um desses roteiros cheios de adrenalina e desbravar um novo belo horizonte.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE