Comportamento

Requintados salões dos museus de Belo Horizonte viram cenários disputados para casamentos

Festas e celebrações garantem receita extra para a manutenção desses espaços culturais

Por: Carolina Daher - Atualizado em

Helena Leão
(Foto: Redação VejaBH)

Sophia e Marcos Paulo Camelo foram os primeiros noivos do Museu das Minas e do Metal, em 2011: noite de gala

A dentista Sophia Loureiro Camelo surpreendeu os convidados quando apareceu no alto da escadaria alemã de ferro fundido em estilo art nouveau. De braços dados com o pai, fez uma entrada triunfal, como sonha toda noiva. "Foi emocionante", lembra ela, que, em abril de 2011, se uniu ao corretor Marcos Paulo Camelo. Foi o primeiro casamento realizado no Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade. Até o fim deste ano, 37 outras belo-horizontinas terão usado o espaço como palco para o "sim". E há pelo menos sessenta casais registrados na lista de interessados em datas em 2014. Instalado na Praça da Estação, o Museu de Artes e Ofícios também virou endereço de celebrações. A arquiteta Flávia Gamallo Santiago foi uma das que se casaram ali, em 2010. "A arquitetura requintada do prédio histórico enche os olhos das noivas", diz Angela Gutierrez, presidente do instituto que administra o museu. Igualmente refinado, o Museu Inimá de Paula, no Centro, foi o cenário escolhido pela designer Luiza Melo de Carvalho Barbosa para sua cerimônia, em novembro do ano passado.

Disputada pelos nubentes, a locação dos salões para festas de casamento virou uma relevante fonte de renda extra para os museus. O aluguel por uma noite não sai por menos de 10 000 reais. "Foi a forma que encontramos de garantir recursos para nossa manutenção", afirma a diretora do Museu das Minas e do Metal, Helena Mourão. A partir deste mês, o Inhotim, o maior museu brasileiro a céu aberto de arte contemporânea, também abrirá suas portas paras os noivos (veja abaixo).

Quem quer um enlace com todo esse glamour, porém, é obrigado a seguir regras não usuais nas casas especializadas em casamentos. Para não pôr o acervo em risco, existem várias restrições. O Minas e Metal, por exemplo, é rigoroso no controle dos decibéis. Bandas com instrumentos barulhentos não podem participar da festa. No Inimá de Paula, os convidados têm de sair até as 2 da madrugada. "Casar em museu é uma tendência do momento, mas os noivos precisam estar cientes dessas limitações", afirma Camilla Bastos, sócia da Acontece Cerimonial. Segundo ela, apesar dos cuidados especiais, há vantagens nessa escolha. "Dá para fazer uma boa economia na decoração, item que representa cerca de 30% do orçamento", explica. A dentista Sophia garante que vale a pena. "Até os convidados escolhem seus trajes de forma diferente quando recebem o convite de um casamento em um museu", acredita. "É muito mais elegante."

Quanto custa o glamour

• Museu Inimá de Paula: de 10 000 a 14 000 reais*

• Museu das Minas e do Metal: 12 000 reais

• Museu de Artes e Ofícios: de 10 000 a 25 000 reais*

• Inhotim: a partir de 50 000 reais*

* O preço varia conforme o número de convidados.

A céu aberto

A paisagem do Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico Inhotim, que desperta o interesse de turistas até de outros países, também será cenário para casamentos a partir deste mês. Localizada próximo da Galeria Lygia Pape, a Igreja de Brumadinho, uma construção colonial que já existia antes mesmo da inauguração do museu, acaba de ser restaurada para esse fim. Lá dentro, a capacidade é para apenas oitenta pessoas sentadas. "Mas temos um sistema de áudio e vídeo de última geração e conseguimos montar uma estrutura externa para 500 convidados", informa Larissa Batista, gerente de evento, relacionamento e turismo. O museu terá ainda um bistrô que fará o serviço de bufê. "E o parque estará aberto para os convidados interagirem com as obras de arte", reforça Larissa.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE