Bebida

Restaurantes e bares investem em máquinas que servem vinho em doses

Iniciativa facilita o acesso a rótulos mais caros e uvas diferenciadas

Por: Rafael Rocha - Atualizado em

Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

O equipamento instalado na Djalma Mercearia Gourmet, no Belvedere: 180 clientes cadastrados

Dono do restaurante de comida variada O Conde, na Cidade Jardim, o empresário Carlos Bruno Carneiro viu doze garrafas do tinto italiano Alois Lageder - feito com a uva lagrein, pouco conhecida por aqui - ser vendidas em apenas uma semana. Elas estavam havia tempos encalhadas e só foram comercializadas graças a um maquinário recém-instalado na casa. Trata-se de uma adega dosadora, que serve a bebida em taças, mantendo o conteúdo com sabor inalterado por até quatro semanas - em situação normal, a bebida estragaria em no máximo dois dias. A taça de 175 mililitros do Alois Lageder custa 50 reais. Embora não seja barata, sai bem mais em conta que a garrafa, na carta por 248 reais. "Se o investimento é menor, o cliente se dispõe a experimentar uma bebida nova", acredita Carneiro. Muito comum na Europa, esse tipo de máquina começou a se popularizar na cidade (veja endereços que contam com o serviço no quadro da página ao lado). Satisfeito, Carneiro passou a vender em doses vinhos que nunca cogitaria, como o Catena Alta Malbec, eleito em 2006 e 2009 um dos 100 melhores vinhos do mundo pela revista americana Wine Spectator. "Em apenas quatro dias, vendi a garrafa inteira, que custa 250 reais", conta.

Na adega dosadora, o espaço vazio no vasilhame é preenchido por gás argônio, como se ela nunca tivesse sido aberta, o que evita a oxidação da bebida. A ampliação do uso dessa tecnologia na capital reflete, em grande parte, o trabalho de divulgação feito pelo empresário Miro Martinez. Depois de morar por dez anos em Londres, ele decidiu ser representante da fabricante inglesa By The Glass. "É uma forma de popularizar o vinho no Brasil, onde a bebida custa muito caro", afirma ele, que vem oferecendo o equipamento a comerciantes locais em regime de comodato. Outra vantagem é poder tomar taças que harmonizem com a entrada, o prato principal e a sobremesa.

Os restaurantes comemoram um incremento nas vendas. "Assim que a adega foi instalada aqui, em dezembro, vendíamos dez taças por semana. Agora, nossa média é de cinquenta", diz o mâitre Rinaldo Ibba, do italiano Est!Est!!Est!!!, no Funcionários. De olho nesse crescimento, o estabelecimento já planeja comprar uma adega dosadora própria, com capacidade para pelo menos dez garrafas. Proprietário do Djalma Mercearia Gourmet, no Belvedere, Marcos Grossi foi o precursor nesse sistema, há dois anos. "Temos cerca de 180 clientes cadastrados para beber vinho em taças", conta ele. Da marca italiana Enomatic, o equipamento que está instalado ali funciona como uma espécie de clube. O cliente deposita um determinado valor em um cartão de fidelidade e, conforme as doses são consumidas, ele vai sendo debitado. Quem adere pode se servir diretamente da máquina, com oito rótulos. Tim-tim.

Arte: Veja BH
(Foto: Redação VejaBH)

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE