Cidade

No retorno do recesso legislativo, vereadores de BH enfrentam nova ocupação na Câmara

Por: Luisa Brasil - Atualizado em

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
(Foto: Redação VejaBH)

Banho de sol na entrada da Casa: clima de festa no Legislativo municipal

Os vereadores encontraram a Câmara Municipal ocupada por um grupo de manifestantes quando voltaram ao trabalho, no dia 1º. Foi a segunda ocupação em menos de dois meses. A primeira ocorreu no fim de junho, quando a onda de protestos ainda reverberava com força em muitas cidades do país. Na ocasião, 200 pessoas passaram nove dias acampadas e só deixaram o local depois que o prefeito, Marcio Lacerda, anunciou uma redução de 15 centavos no preço das passagens de ônibus. Já na segunda invasão, encerrada na última quinta (8), menos de trinta pessoas defendiam causas como a revogação do aumento do salário dos vereadores, que entrou em vigor em janeiro, a implantação do passe livre nos coletivos municipais e a abertura da prestação de contas do transporte público. Ficaram lá por sete dias. Entre protestos durante as sessões, passavam o tempo no gramado em frente ao prédio, tomando sol, tocando violão e batendo papo. Mas nem sempre reinou o clima de paz e amor. Não foram poucos os episódios de conflito. Em um dos momentos de maior tensão, na segunda-feira, três ativistas tentaram invadir o plenário durante a sessão, provocando a reação dos seguranças e um confronto que deixou feridos dos dois lados. "Fui agredida com socos", reclamou a estudante de filosofia Ana Silva. Segundo a Câmara, cinco vigilantes saíram machucados. Um deles quebrou a perna, outro fraturou a mão. "Eles provocam o tempo todo, já estou tendo pesadelo com esses bicho-grilos", desabafou um dos servidores.

Na quarta, o presidente da Câmara, Leo Burguês (PSDB), resolveu receber representantes do Mídia Ninja, um dos movimentos presentes no acampamento. Os jovens, porém, não conseguiram se entender quanto a quem representaria o grupo, e a reunião nem chegou a ser marcada. "Gostaríamos que as pessoas apresentassem suas pautas", afirmou Burguês. Diante do impasse, a presidência da Casa entrou com um pedido de reintegração de posse na Justiça. "Os manifestantes estão em um patrimônio público, atrapalhando e dificultando o trabalho do Parlamento", argumentou o procurador Augusto Paulino. Durante os dias de ocupação, nenhum projeto relevante foi votado, e as reuniões das comissões acabaram encerradas antecipadamente. Os manifestantes não mexeram apenas com os nervos dos vereadores. O prefeito, Marcio Lacerda, chegou a chamá-los de "preguiçosos" por cobrarem da administração municipal dados que estariam disponíveis na internet. "Isso é um movimento político de partidos da oposição", declarou Lacerda. Os ativistas, no entanto, garantem que não se trata disso. "Somos suprapartidários. A maioria de nós se conheceu na primeira ocupação", disse o estudante Alexandre Mázus.

Antes mesmo da execução da liminar concedida pela Justiça, na quarta à noite, para reintegração de posse, os manifestantes resolveram desmontar o acampanhamento, o que foi feito no início da manhã de quinta. Segundo eles, já haviam conquistado duas vitórias importantes: marcar a data de uma audiência pública (aprovada antes do recesso parlamentar) e aprovar uma outra. A primeira será realizada no dia 28 para discutir as contas da prefeitura em 2012. Já a segunda, ainda sem data definida, será para tratar da transparência no sistema de transporte coletivo. Resta saber se os manifestantes terão reivindicações concretas a fazer ou se tudo não passou de férias animadas na porta da Câmara.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE