Transporte

Rodovias federais que cortam Minas Gerais terão 214 radares

Número atual de equipamentos para controlar a velocidade é de apenas vinte

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Trecho da BR-040 em Nova Lima: a estrada é considerada uma das mais perigosas para os mineiros

Está prestes a ser multiplicada por dez a quantidade de radares que multam nas estradas federais de Minas Gerais. A partir do dia 30, passará de vinte para 214 o número de equipamentos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em operação. As 72 lombadas eletrônicas e os 142 pardais já estão instalados nas quinze BRs incluídas no plano. E vem mais por aí. A meta é chegar a 421 equipamentos até junho de 2013. A iniciativa faz parte de um programa do governo federal, de 773 milhões de reais, para a instalação de cerca de 2 700 radares em todo o país — a um custo médio de 286 000 reais por unidade.

Números da Polícia Rodoviária Federal mostram que o investimento vale a pena. Comparem-se os últimos feriados de Corpus Christi. Em 2010, não existia nenhum radar funcionando nas estradas federais do estado e os acidentes resultaram em 24 mortes. No ano seguinte, eram 87 equipamentos em ação e houve catorze mortes — uma redução de 40%. De lá para cá, 67 radares foram desativados e o número de mortes nas BRs mineiras subiu de novo no Corpus Christi deste ano, para dezessete. Segundo o Dnit, a BR-040, a BR-356 e a BR-381 são algumas das piores estradas do estado. Só no trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares, 61 radares passarão a multar.

PÉ NO FREIO

Dos equipamentos em operação a partir do dia 30, 72 serão lombadas eletrônicas e 142 pardais

Para o engenheiro Paulo Monteiro, especialista em trânsito, essa é uma boa notícia. Afinal, só a certeza da punição faz com que os cidadãos se sujeitem às regras vigentes. "Quanto mais radar, melhor", diz ele. "Mas deve haver sinalização adequada, especialmente quando a velocidade oscila muito de um trecho para outro." No Brasil, há uma cultura de que o motorista deve ser muito bem avisado de que os radares estão próximos, embora tal exigência não conste da legislação. Monteiro afirma que essa medida estimula alguns a acelerar logo depois que passam pela fiscalização, na certeza de que não serão flagrados. Everaldo Cabral, consultor de infraestrutura, considera os radares um paliativo. "O excesso de velocidade é um problema cultural", diz. "Enquanto não houver investimento em educação e uma mudança de comportamento dos motoristas, seu impacto será muito relativo." A expectativa é que os mineiros aprendam pelo bolso.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE