Meio Ambiente

Rompimento de uma barragem em Itabirito acende o alerta para outros reservatórios em risco no estado

Após mar de lama que causou ao menos duas mortes, o Ministério Público fará fiscalização nos espaços que armazenam os rejeitos

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Alex de Jesus/Folha Press
(Foto: Redação VejaBH)

A Mina Retiro do Sapecado, na última quarta (10): três caminhões, duas retroescavadeiras e um Fiat Uno ficaram soterrados

Aavalanche de lama que deslizou na última quarta (10) sobre trabalhadores, caminhões e tratores, depois do rompimento de uma barragem de rejeitos de minério de ferro em Itabirito, a 55 quilômetros da capital, deixou o estado em alerta sobre a segurança de seus mais de 700 reservatórios. O acidente na área da Mina Retiro do Sapecado, operada pela empresa Herculano Mineração, deixou seis pessoas soterradas - duas delas morreram e uma ainda estava desaparecida até o fim da tarde de quinta (11) - e provocou graves danos ambientais em córregos da Bacia do Rio das Velhas. Em uma avaliação preliminar, o Ministério Público apontou falha técnica na operação da barragem por parte da mineradora, que já havia sido multada por crimes ambientais e questões trabalhistas. "Um reservatório não se rompe nessa época, sem chuvas, por mera fatalidade", afirma Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Minas Gerais.

Segundo o promotor, o fato de a tragédia em Itabirito ter ocorrido em plena estação de seca é motivo de preocupação, já que a chegada de temporais nos próximos meses tende a comprometer ainda mais a estabilidade dos reservatórios. "Se durante a estiagem houve um acidente dessa proporção, os riscos de rompimento em época de en­­chentes são alarmantes", diz ele. O episódio serviu de alerta para o Mi­­nistério Público, que fará uma força-­tarefa de fiscalização das condições de operação de barragens de rejeitos de minério nos próximos sessenta dias. O foco serão reservatórios localizados na região do Quadrilátero Ferrífero - em especial nas cidades de Itabirito, Ouro Preto, Nova Lima e Congonhas -, onde foram registrados acidentes semelhantes no passado (veja mais informações abaixo).

Relatórios da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) corroboram o temor do promotor. Segundo a Feam, 64 estruturas de contenção de rejeitos químicos e de mineração, do total de 744 existentes em Minas, não têm segurança garantida. No caso da Herculano Mineração, que atua em Itabirito desde a década de 60, o Ministério Público investigará as condições em outros três reservatórios. Na última quarta, o rompimento foi na barragem chamada de B1. Mas, no mês passado, a represa B4 havia sido embargada por causa de vazamento. A sequência de problemas levou o Departamento Nacional de Pro­­dução Mineral (DNPM) a suspender as atividades da empresa.

A extensão dos danos ambientais decorrentes do rompimento da barragem, como a contaminação dos ribeirões responsáveis pelo abastecimento de condomínios em Itabirito e Nova Li­­ma, ainda está sendo avaliada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Peritos da Polícia Civil terão trinta dias para apresentar o laudo com as causas do acidente.

História que se repete

Outros três graves acidentes ocorreram desde 2001

Minas Gerais registrou três grandes tragédias decorrentes do rompimento de barragens de rejeitos nos últimos quinze anos. Em 2001, cinco pessoas morreram no distrito de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, em Nova Lima, após o deslizamento de toneladas de lama da Mineração Rio Verde. Além das mortes, o acidente provocou danos ambientais como o assoreamento do Córrego das Taquaras. Dois anos depois, uma barragem de rejeitos industriais se rompeu em Cataguases, na Zona da Mata, liberando 1,2 bilhão de litros de lignina - resíduo da produção de celulose - nos rios Pomba e Paraíba do Sul. O caso, que afetou mais de 500 000 pessoas na região, é considerado um dos maiores desastres ecológicos do país. Em 2007, cerca de 4 000 moradores das cidades de Miraí e Muriaé, também na Zona da Mata, ficaram desabrigados por causa das inundações resultantes do vazamento da barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguases. Plantações e pastagens foram destruídas e o abastecimento de água ficou comprometido em cidades mineiras e fluminenses.

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE