Segurança

Rudy Giuliani recomenda a BH: "eu me livraria dos flanelinhas"

Conhecido por reduzir o crime em Nova York, político sustenta que pequenas infrações abrem espaço para crimes maiores

Por: Cedê Silva - Atualizado em

Gustavo Andrade/Odin - Nidin Sanches/Odin
(Foto: Redação VejaBH)

Giuliani na Avenida Augusto de Lima e um guardador de carros em ação: uma das práticas que ele não toleraria

Quando Rudolph Giuliani assumiu a prefeitura de Nova York, em janeiro de 1994, a taxa de homicídios na maior metrópole dos Estados Unidos era de 26 por 100 000 habitantes. Além de uma terrível preocupação para moradores e visitantes, o elevado índice de criminalidade foi motivo de deboche em filmes e seriados americanos. No começo da década, uma edição da revista Time exibiu na capa o título "The rotting of the Big Apple" (o apodrecimento da Grande Maçã), em referência ao apelido da cidade. Giuliani, que não tinha experiência política e vinha de uma carreira como promotor de Justiça, foi eleito com a promessa de fazer algo diferente dos seus antecessores. Quando ele deixou a prefeitura, em dezembro de 2001, a taxa de homicídios havia caído para sete por 100 000 habitantes - uma redução de quase 75%. Praticamente todos os outros crimes, violentos e não violentos, diminuíram em proporção semelhante. As ideias de Giuliani tornaram-se referência para cidades de todo o mundo. Na última semana, o republicano nascido no Brooklyn - que hoje percorre o planeta como palestrante - esteve em Belo Horizonte pela primeira vez para falar de sua experiência bem-sucedida aos participantes do Congresso Internacional de Direito Penal e Criminologia. Segundo ele, em Nova York, no início dos anos 90, a polícia - que, nos EUA, é da alçada das prefeituras - concentrava-se nos grandes crimes e pensava estar ocupada demais para lidar com flanelinhas, pichadores e pequenos traficantes. "Mas o que era pequeno logo ficou grande, e você passou a ter bairros inteiros tomados pelo crime", afirma ele.

Giuliani baseou-se na Teoria das Janelas Quebradas, desenvolvida nos anos 80 pelos professores americanos James Wilson e George Kelling, que diz que para prevenir grandes problemas é preciso resolver os pequenos. Ou seja, trocar os vidros em um edifício ou retirar o lixo acumulado em uma calçada. O ex-prefeito trabalhou em várias frentes para pôr em prática suas ideias (confira algumas delas no quadro no alto da página), por meio de uma política que ficou conhecida como tolerância zero. Para desenhar o mapa da criminalidade em Nova York, ele realizou reuniões com os delegados e analisava as estatísticas de cada área. Com o objetivo de ganhar o apoio dos policiais, criou um sistema de recompensa por resultados. Também conseguiu mudar a lei estadual para que menores de idade que cometessem crimes graves pudessem ser tratados como adultos, entre outras medidas.

Segundo Fred Siegel, autor da biografia The Prince of the City, ou "o príncipe da cidade", ainda sem tradução publicada no Brasil, um dos trunfos de Giuliani foi justamente a legislação do município aprovada em 1989, que tornou seus prefeitos imensamente poderosos. "Não temos os instrumentos jurídicos que Giuliani tinha", afirma o secretário estadual de Defesa Social, Rômulo Ferraz. Embora admita que os mineiros possam aprender alguma coisa com a experiência do americano, ele pondera que nossa realidade é bem diferente. "Não podemos, por exemplo, manter presos os usuários de crack." Sobre os flanelinhas - que atuam sem repressão nas ruas da cidade, muitos com registro na prefeitura -, Ferraz diz que se trata de uma "diferença cultural". Giuliani, porém, é categórico: "Eu me livraria deles".

Lições americanas

Veja a experiência do político republicano em quatro questões relacionadas ao combate à criminalidade

* Estatísticas

"Se eu pudesse escolher só uma medida para o combate ao crime, seria mapeá-lo após uma coleta de dados sobre ele."

* Pichadores

"O grafite eu chamo de vandalismo. Em vez de prender, coloquei os pichadores para lavar a sujeira."

* Assaltos

"Na Times Square, pus um grupo de cavalaria com rádio e policiais à paisana a pé. Reduzimos os assaltos em 90%."

* Legislação

"Quase todos os criminosos são jovens. Mudamos a lei para poder tratar os menores como adultos."

Fonte: VEJA BELO HORIZONTE